Por que há tantos indianos nos Emirados Árabes Unidos?

Vista noturna de Dubai com arranha-céus iluminados e reflexos brilhando sobre a água

Os Emirados Árabes Unidos (EAU) são conhecidos por seus arranha-céus, luxo e ritmo de crescimento acelerado. No entanto, por trás dessa grandiosidade, há uma presença silenciosa, porém fundamental, que ajudou a construir o país moderno: a comunidade indiana. Hoje, os indianos formam a maior população expatriada dos Emirados, desempenhando papéis essenciais em todos os setores — da construção civil à alta administração.

Mas por que existem tantos indianos vivendo e trabalhando nos Emirados? A resposta está em uma combinação de história, geografia, economia e conexões culturais que se fortaleceram ao longo de décadas.

Durante o período colonial, a Índia britânica e os territórios do Golfo estavam sob influência do Reino Unido, facilitando a circulação de pessoas, mercadorias e capitais. Comerciantes indianos ganharam destaque em Dubai, atuando no comércio, câmbio, navegação e logística portuária, fortalecendo laços econômicos que já existiam há séculos.

Essa história também ajuda a entender como o domínio colonial britânico transformou profundamente a economia e as estruturas comerciais da Índia, deixando consequências que ultrapassaram o período colonial. Quer entender melhor como o colonialismo contribuiu para o enfraquecimento econômico da Índia? Confira nosso artigo sobre esse período e suas consequências.

Os Trucial States (ou Estados da Trégua) eram um conjunto de xeicados localizados na costa sudeste do Golfo Pérsico que, ao longo do século XIX, assinaram tratados de proteção marítima com o Reino Unido.

Esses acordos tinham como principais objetivos:
— garantir a segurança das rotas marítimas,
— reduzir conflitos tribais,
— e combater a pirataria no Golfo.

Em troca da proteção britânica, os xeicados abriram mão de parte de sua autonomia em política externa. Os Trucial States incluíam Abu Dhabi, Dubai, Sharjah, Ajman, Umm Al Quwain, Fujairah e Ras Al Khaimah — territórios que, posteriormente, formariam os Emirados Árabes Unidos.

Reunião do Trucial States Council por volta de 1969, com representantes dos xeicados e assessores jurídicos em encontro preparatório para a formação da federação
Reunião do Trucial States Council, c. 1969 — representantes dos xeicados e assessores jurídicos em reunião preparatória para a federação

A criação dos Emirados Árabes Unidos, em 1971, ocorreu após a decisão do Reino Unido de se retirar militarmente da região do Golfo. Diante das novas preocupações com segurança e estabilidade, os líderes dos emirados compreenderam que a união política seria essencial para preservar a soberania, garantir a defesa coletiva e promover o desenvolvimento econômico.

Em 2 de dezembro de 1971, seis emirados — Abu Dhabi, Dubai, Sharjah, Ajman, Umm Al Quwain e Fujairah — formaram oficialmente a federação. Ras Al Khaimah juntou-se à união em 1972, completando os sete emirados que formam o país atualmente.

Abu Dhabi, com suas grandes reservas de petróleo, e Dubai, com sua tradição comercial e portuária, tornaram-se os principais pilares econômicos do novo Estado. A federação permitiu combinar riqueza energética, comércio e cooperação política em um modelo singular no mundo árabe.

As relações entre árabes e indianos remontam a mais de dois mil anos, impulsionadas pelo comércio no Oceano Índico. Mercadores árabes visitavam regularmente portos da costa indiana, especialmente no oeste e sul do subcontinente.

Esses contatos foram fundamentais para a difusão do sistema numérico indiano, da astronomia e de textos matemáticos para o mundo árabe — conhecimento que mais tarde chegaria à Europa medieval por meio de estudiosos árabes. Entre os grandes nomes dessa tradição estava Aryabhata, um dos mais importantes matemáticos e astrônomos da Índia antiga, cujos trabalhos influenciaram estudiosos árabes.

Navegadores indianos dominavam os ventos de monção, permitindo viagens previsíveis entre a Índia, Omã, Bahrein e a costa do atual território dos Emirados Árabes Unidos. Esses ventos também estavam diretamente ligados às estações do ano na Índia, determinando os períodos mais favoráveis para as grandes viagens marítimas.

Especiarias, tecidos de algodão, arroz e madeira eram trocados por pérolas, tâmaras e cavalos árabes. Essas rotas promoveram não apenas o comércio, mas também a circulação de técnicas de navegação, práticas mercantis e influências culturais.

A importância desse comércio de especiarias era tão grande que despertou o interesse das potências europeias em encontrar uma rota marítima direta para a Índia. Essa busca levou à chegada de Vasco da Gama à Índia em 1498 e, posteriormente, à expansão portuguesa no subcontinente, incluindo a conquista de Goa. Para entender essa transformação e a posterior libertação de Goa, assista ao nosso documentário abaixo.

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Muito antes da criação dos Emirados Árabes Unidos em 1971, cidades como Dubai e Sharjah já eram importantes entrepostos comerciais. Comerciantes indianos, especialmente de Gujarat, Kerala e Mumbai, estabeleceram comunidades nesses portos e atuaram como intermediários entre o subcontinente indiano e o mundo árabe.

Essa presença ajudou a criar redes comerciais duradouras que mais tarde contribuiriam para o fortalecimento das relações entre a Índia e os Emirados.

Trabalhadores indianos atuando no porto de Dubai durante a década de 1950, em uma imagem histórica em preto e branco.
Fotografia de arquivo mostra trabalhadores indianos no porto de Dubai nos anos 1950, período em que a presença indiana teve papel fundamental na construção das bases comerciais da região
Arranha-céus modernos de Dubai vistos sob o céu azul, simbolizando o rápido desenvolvimento da cidade
Os impressionantes arranha-céus de Dubai refletem a grandiosidade e a inovação dos Emirados Árabes Unidos

A descoberta de petróleo nas décadas de 1950 e 1960 transformou profundamente a região. Os Emirados passaram rapidamente de economias baseadas na pesca, no comércio e na extração de pérolas para sociedades em intensa modernização.

A necessidade de mão de obra impulsionou a chegada de trabalhadores indianos, que passaram a atuar em setores como construção, engenharia, saúde e serviços. Com o tempo, essa relação evoluiu, e a Índia tornou-se um parceiro econômico e estratégico fundamental dos Emirados, especialmente no comércio e na segurança energética.

Para entender como essa relação profunda com o Oriente Médio permite que a Índia blinde sua economia contra crises globais de energia, assista ao nosso mini-documentário detalhando a atual estratégia geopolítica indiana:

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A partir dos anos 1970 e 1980, milhares de indianos migraram para os Emirados em busca de melhores oportunidades. Dubai e Abu Dhabi tornaram-se destinos importantes para profissionais de todos os níveis — de engenheiros e médicos a operários e motoristas.

Com o tempo, essa migração deixou de ser temporária e passou a moldar a estrutura econômica do país. Hoje, estima-se que mais de 3,5 milhões de indianos vivam nos Emirados Árabes Unidos, representando cerca de 30% da população total, resultado direto de uma relação histórica que evoluiu do comércio antigo para uma profunda interdependência econômica moderna.

Gráfico mostrando o padrão de migração da Índia para os Emirados Árabes Unidos ao longo dos anos, com crescimento gradual da população indiana no país
Gráfico ilustra o padrão de migração da Índia para os Emirados Árabes Unidos ao longo das décadas, evidenciando o aumento contínuo da presença indiana impulsionado por oportunidades de trabalho e comércio

Kerala possui uma relação histórica com o mundo árabe muito anterior à formação dos Emirados Árabes Unidos. Desde a Antiguidade, mercadores árabes mantinham contato com a costa do Malabar, atraídos pelo comércio de especiarias. Essas interações facilitaram a circulação de pessoas, línguas e práticas culturais, criando redes que, séculos depois, ajudariam na migração moderna.

Quando o boom do petróleo transformou o Golfo a partir das décadas de 1950 e 1960, trabalhadores de Kerala já possuíam experiência com o comércio marítimo e redes sociais e familiares ligadas à região. Isso contribuiu para que estivessem entre os primeiros indianos a migrar para o Golfo em busca de trabalho.

Abaixo está uma música em malaiala misturada com melodia e cultura árabes.

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Outro fator decisivo foi o alto nível de alfabetização de Kerala em comparação com outras regiões da Índia. O estado investiu cedo em educação básica, formando uma força de trabalho capaz de se adaptar rapidamente a ambientes profissionais no exterior.

Keralitas encontraram oportunidades em setores como saúde, hotelaria, administração, comércio e serviços técnicos. Essa reputação positiva facilitou a chegada de novos migrantes, reforçando o fluxo para o Golfo..

A migração para o Golfo teve um impacto profundo na economia de Kerala. As remessas enviadas pelos trabalhadores tornaram-se uma das principais fontes de renda do estado, sustentando famílias inteiras e impulsionando o consumo local.

Esses recursos ajudaram a financiar educação, saúde, habitação e pequenos negócios, elevando o padrão de vida em muitas regiões. Ao mesmo tempo, a economia de Kerala passou a depender fortemente do trabalho no exterior, criando uma relação estrutural entre o estado e o Golfo.

À medida que os primeiros migrantes se estabeleciam nos Emirados, surgiu um poderoso efeito de rede. Familiares, amigos e conterrâneos passaram a seguir o mesmo caminho, contando com informações sobre empregos, apoio comunitário e maior facilidade de adaptação.

Esse movimento posteriormente se expandiu para outros estados indianos, como Tamil Nadu, Andhra Pradesh, Telangana, Punjab e Uttar Pradesh.

Atualmente, estima-se que mais de 1,2 milhão de keralitas vivam nos Emirados Árabes Unidos, atuando em setores como saúde, engenharia, hotelaria, comércio e serviços. Em algumas cidades, o malaiala é amplamente ouvido no cotidiano, enquanto associações comunitárias mantêm festivais e tradições como o Onam e Vishu.

A experiência de Kerala mostra como migração, educação e redes sociais podem transformar uma região e influenciar os padrões migratórios de um país inteiro.

indianos nos Emirados Árabes Unidos
Diversas associações malayalis atuam nos Emirados Árabes Unidos, promovendo regularmente festivais tradicionais como o Onam e fortalecendo os laços culturais da comunidade indiana no país

A Índia é um dos países linguisticamente mais diversos do mundo, e essa diversidade acompanha seus migrantes. Nos Emirados Árabes Unidos, especialmente em cidades como Dubai e Sharjah, línguas como hindi, malaiala, tâmil, télugo e punjabi fazem parte do cotidiano em mercados, escritórios, transportes e bairros residenciais.

Existe até uma ideia bastante difundida entre os indianos de que, nos Emirados, saber falar malaiala ou hindi pode facilitar muito a vida cotidiana, devido à forte presença dessas comunidades e ao uso frequente dessas línguas no comércio, no trabalho e nas interações sociais.

O hindi funciona como uma importante língua de comunicação comum entre indianos de diferentes estados, enquanto as línguas regionais preservam os vínculos culturais de cada comunidade. Essa diversidade também aparece no comércio e no espaço urbano, com placas e anúncios voltados ao público indiano.

Além disso, televisão, rádio e plataformas digitais em diferentes línguas indianas mantêm a diáspora conectada às notícias, culturas e regiões de origem. Assim, os indianos conseguem preservar suas identidades linguísticas e culturais enquanto participam ativamente da sociedade dos Emirados.

A presença indiana foi fundamental para o desenvolvimento dos Emirados Árabes Unidos. Durante o rápido processo de urbanização, trabalhadores indianos participaram da construção de arranha-céus, rodovias, portos e outras grandes obras em Dubai, Abu Dhabi e Sharjah.

Com o amadurecimento da economia, essa presença se expandiu para setores especializados. Médicos, enfermeiros, engenheiros, professores, analistas e profissionais de tecnologia passaram a ocupar posições importantes em hospitais, escolas, bancos, empresas de tecnologia e outros serviços.

As escolas indianas nos Emirados seguem currículos como CBSE e ICSE (instituições indianas responsáveis pela definição e administração de currículos e exames escolares), atendendo a centenas de milhares de estudantes. Algumas famílias também optam por enviar os filhos à Índia para o ensino superior, especialmente em engenharia e medicina, aproveitando a ampla rede de instituições e a tradição acadêmica da Índia.

A comunidade indiana também conquistou uma posição de destaque no setor empresarial. Empreendedores indianos fundaram ou lideram grandes grupos com atuação nos Emirados e em outros países, incluindo LuLu Group International, Landmark Group, Jashanmal Group, Ajmal Perfumes, Jumbo Group, Choithrams, GEMS Education, Joyalukkas e Aster DM Healthcare.

Empresários como M. A. Yusuff Ali, Sunny Varkey, Joy Alukkas, Ravi Pillai e Micky Jagtiani tornaram-se figuras importantes da economia emiradense, atuando em áreas como varejo, educação, saúde, joalheria e serviços.

Ilustração simbólica representando a abertura dos Emirados Árabes Unidos para profissionais estrangeiros e talentos internacionais
Os Emirados Árabes Unidos consolidaram-se como um polo global que atrai talentos de diversas nacionalidades e investidores internacionais, impulsionando inovação, crescimento econômico e diversidade cultural na região

A participação indiana também é particularmente importante no comércio e na logística. A Jebel Ali Free Zone (JAFZA, zona franca e importante centro logístico e comercial de Dubai) tornou-se um dos principais centros de comércio e distribuição do Oriente Médio, atraindo centenas de empresas indianas ligadas à logística, transporte marítimo, indústria e comércio internacional.

Essa presença empresarial ajudou a aprofundar os vínculos econômicos entre Índia e Emirados, transformando a diáspora em uma ponte comercial entre o subcontinente indiano e os mercados globais.

Hoje, os indianos nos Emirados não representam apenas uma grande força de trabalho. A comunidade está presente em praticamente todos os níveis da economia — da construção civil às profissões especializadas, do pequeno comércio aos grandes conglomerados empresariais.

Essa evolução resume a própria transformação da relação entre os dois países: o que começou com comércio e migração de trabalhadores tornou-se uma parceria econômica sustentada por profissionais qualificados, empresários, investimentos e redes comerciais.

O impacto da comunidade indiana nos Emirados Árabes Unidos vai muito além do Golfo. Todos os anos, bilhões de dólares são enviados para a Índia na forma de remessas, tornando os Emirados uma das principais fontes de recursos externos para o país.

Segundo dados do Reserve Bank of India (RBI), os Emirados Árabes Unidos responderam por 19,2% das remessas recebidas pela Índia em 2023–24, o equivalente a mais de US$ 20 bilhões. A Índia, por sua vez, recebeu cerca de US$ 129 bilhões em remessas em 2024, mantendo-se como o maior país receptor do mundo.

Em Kerala, onde a migração para o Golfo é particularmente significativa, esse dinheiro tornou-se um importante componente da economia e está associado ao crescimento do setor de serviços e à melhoria das condições de vida.

Gráfico de linha mostrando a evolução das remessas financeiras enviadas dos Emirados Árabes Unidos para a Índia ao longo dos anos, em bilhões de dólares americanos
Gráfico apresenta a evolução das remessas enviadas dos Emirados Árabes Unidos para a Índia ao longo dos anos, destacando o papel da diáspora indiana na economia indiana
O yoga se tornou uma das atividades mais populares e estilosas nos Emirados Árabes Unidos, especialmente em Dubai
O yoga se tornou uma das atividades mais populares e estilosas nos Emirados Árabes Unidos, especialmente em Dubai

A presença indiana nos Emirados Árabes Unidos vai muito além do trabalho e da economia. Ao longo das décadas, ela passou a moldar o cotidiano, o estilo de vida urbano e a paisagem cultural do país, especialmente em cidades como Dubai, Sharjah e Abu Dhabi.

Na gastronomia, a influência é imediata e visível. Restaurantes que servem samosas, pulav, biryani, chai, dosas, vada pav e curries regionais fazem parte da rotina local, frequentados não apenas por indianos, mas também por árabes, europeus e turistas. Pratos indianos tornaram-se parte integrante da cultura alimentar urbana dos Emirados.

No campo social e religioso, festivais indianos ganharam dimensão pública. Diwali é amplamente celebrado, com centros comerciais decorados, eventos comunitários e espetáculos de luz. Onam, tradicional de Kerala, reúne milhares de pessoas em celebrações com danças, música e refeições coletivas. Outros festivais como Holi, Navratri também são comemorados regularmente por associações culturais e templos.

Além das festividades religiosas, eventos culturais e artísticos indianos tornaram-se parte do calendário dos Emirados, incluindo:
— Grandes concertos de música indiana (clássica e popular)
— Premiações e shows do cinema indiano
— Feiras literárias, exposições e eventos ligados ao Dia Internacional do Yoga
— Programas escolares e comunitários dedicados à cultura e às línguas indianas

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O yoga, uma das tradições mais conhecidas da Índia, também ganhou espaço na vida urbana dos Emirados Árabes Unidos, especialmente em Dubai, onde eventos e atividades de bem-estar atraem pessoas de diferentes nacionalidades. Para quem deseja levar essa prática para a rotina, o tapete de yoga Bodhi 4,5 mm oferece uma opção confortável e estável, com superfície antiderrapante, amortecimento moderado e medidas de 183 × 60 cm. É adequado para yoga, Pilates e exercícios de alongamento, enquanto a espessura intermediária equilibra conforto e estabilidade durante a prática.

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Tapete de yoga Bodhi 4,5 mm

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Família indiana aproveitando um dia de compras e lazer no famoso Dubai Mall, um dos maiores centros comerciais do mundo
Os indianos lideram a lista do maior número de turistas internacionais que visitam os Emirados Árabes Unidos, refletindo os fortes laços econômicos, culturais e históricos entre a Índia e o país do Golfo

O intercâmbio entre a Índia e os Emirados Árabes Unidos não se limita à migração laboral. O turismo tornou-se um dos pilares mais visíveis dessa relação contemporânea, funcionando também como um importante instrumento de soft power entre os dois países.

Dubai figura entre os destinos internacionais mais visitados por indianos, recebendo mais de 2 milhões de turistas da Índia por ano. A combinação de facilidade de visto, curta distância aérea, ampla conectividade de voos e uma oferta diversificada — que vai de compras e entretenimento a eventos culturais e esportivos — torna os Emirados especialmente atraentes. Para muitos indianos, Dubai representa um primeiro contato com o turismo internacional, reforçando laços afetivos e simbólicos com o país.

Além do turismo de lazer, os Emirados também atraem visitantes indianos para eventos corporativos, exposições internacionais, feiras comerciais e conferências, consolidando-se como um hub regional de negócios e inovação.

O fluxo, no entanto, é bidirecional. Um número crescente de residentes dos Emirados — incluindo cidadãos locais e expatriados — visita a Índia em busca de turismo médico, retiros espirituais, bem-estar e experiências gastronômicas. Hospitais indianos tornaram-se referência internacional em áreas como cardiologia, ortopedia e tratamentos especializados, enquanto destinos como Kerala, Rishikesh, Varanasi e Goa atraem visitantes interessados em saúde, espiritualidade e cultura.

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A presença religiosa hindu nos Emirados cresceu de forma visível nas últimas décadas:
O Templo Hindu de Jebel Ali, em Dubai, foi inaugurado em 2022, atendendo uma grande comunidade multicultural.

Em 2024, foi inaugurado o BAPS Hindu Mandir em Abu Dhabi, o primeiro templo hindu tradicional de pedra no Oriente Médio, construído em terreno doado pelo governo emiradense. Esses templos são marcos históricos e símbolos de tolerância religiosa institucionalizada nos Emirados.

Vista do BAPS Hindu Mandir em Abu Dhabi, primeiro templo hindu tradicional construído nos Emirados Árabes Unidos
O BAPS Hindu Mandir, localizado em Abu Dhabi, é o primeiro templo hindu tradicional dos Emirados Árabes Unidos e simboliza convivência cultural e diálogo inter-religioso na região

Em 2022, Índia e Emirados Árabes Unidos assinaram o Acordo de Parceria Econômica Abrangente (CEPA), um acordo de livre comércio que:
Reduziu ou eliminou tarifas sobre milhares de produtos
Facilitou investimentos bilaterais
Aumentou o comércio bilateral para mais de US$ 80 bilhões anuais, com metas de crescimento adicional

O acordo consolidou os Emirados como principal parceiro comercial da Índia no mundo árabe.

O Burj Al Arab, símbolo do luxo e da arquitetura moderna de Dubai, destaca-se como um dos hotéis mais famosos do mundo
O icônico hotel Burj Al Arab em Dubai, com sua forma de vela e vista para o Golfo Pérsico

Abaixo está uma bela canção árabe mesclada com a cultura indiana.

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A relação entre o primeiro-ministro indiano Narendra Modi e o presidente dos Emirados Árabes Unidos, Sheikh Mohamed bin Zayed Al Nahyan, também ganhou um forte caráter pessoal. Os dois líderes costumam se tratar como “irmãos”, refletindo a proximidade construída ao longo dos anos. Em maio de 2026, durante uma visita de Modi aos Emirados, Sheikh Mohamed o recebeu pessoalmente no aeroporto de Abu Dhabi. Durante as conversas, Modi afirmou que havia chegado à sua “segunda casa”, em referência aos Emirados.

A expressão também reflete a relação da Índia com a enorme comunidade indiana no país. Modi já destacou que os Emirados se tornaram uma espécie de segunda casa para milhões de indianos, graças às oportunidades e ao ambiente criado para a comunidade.

A proximidade entre os dois países também foi reconhecida oficialmente. Em 2019, Modi recebeu o Order of Zayed, a mais alta condecoração civil dos Emirados Árabes Unidos, concedida em reconhecimento ao seu papel no fortalecimento das relações entre Índia e Emirados.

Líderes da Índia e dos Emirados Árabes Unidos se cumprimentando durante um encontro oficial
Líderes da Índia e dos Emirados Árabes Unidos se cumprimentando durante um encontro oficial

A primeira escola indiana em Dubai foi fundada em 1961, uma década antes da criação dos Emirados Árabes Unidos em 1971. Hoje, existem dezenas de escolas indianas nos Emirados, muitas afiliadas aos currículos CBSE e ICSE, atendendo centenas de milhares de estudantes. Isso demonstra que a comunidade indiana já estava estabelecida e organizada muito antes do boom do petróleo

A cooperação militar entre Índia e Emirados Árabes Unidos vem se aprofundando, com exercícios conjuntos, intercâmbios entre as forças armadas e maior colaboração na indústria de defesa. Em janeiro de 2026, os dois países assinaram uma carta de intenções para estabelecer um Marco de Parceria Estratégica de Defesa, elevando a relação a um novo nível.

Esse fortalecimento também abriu espaço para possíveis exportações de equipamentos militares indianos. Em junho de 2026, fontes confirmaram que os Emirados demonstraram interesse em sistemas como o BrahMos, um dos principais mísseis de cruzeiro da Índia, e o sistema de defesa aérea Akashteer. As negociações ainda estão em estágio inicial.

Quer entender por que o BrahMos despertou o interesse de outros países e como esse poderoso sistema de defesa funciona? Assista ao nosso vídeo sobre o BrahMos abaixo

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Mesmo após a independência da Índia em 1947, a rúpia indiana continuou sendo amplamente utilizada nos principais xeicados do atual território dos Emirados Árabes Unidos, especialmente Dubai e Abu Dhabi, refletindo os fortes vínculos comerciais com a Índia.

Em 1959, a Índia criou a rúpia do Golfo, destinada à circulação na região e inicialmente mantida em paridade com a rúpia indiana. A moeda foi utilizada nos territórios que hoje correspondem aos Emirados Árabes Unidos, além de Kuwait, Qatar, Omã e Bahrein.

Até 1966, a rúpia do Golfo funcionou como importante meio de pagamento regional, antes da consolidação das moedas nacionais locais. Esse episódio demonstra a profundidade dos laços econômicos históricos entre a Índia e o Golfo, anteriores à era do petróleo.

Cédula da rupia indiana impressa entre 1942 e 1949, período do final do domínio britânico e da transição para a independência da Índia
Rupia indiana impressa entre 1942 e 1949, representando um período de transição histórica que antecedeu e acompanhou a independência da Índia em 1947

O cinema indiano é extremamente popular nos Emirados Árabes Unidos, com produções em hindi, malaiala, tâmil e télugo exibidas regularmente nos cinemas de Dubai, Abu Dhabi e Sharjah. A forte presença da diáspora indiana faz dos Emirados um mercado internacional importante para a indústria cinematográfica indiana, contribuindo significativamente para a bilheteria fora da Índia.

Grandes produções como Baahubali 2: The Conclusion, Jawan, KGF 2 e RRR conquistaram grande público no país, reforçando a presença do cinema indiano no cenário de entretenimento dos Emirados.

Cartaz ou cena do filme Jawan, sucesso de bilheteria de Bollywood, que arrecadou mais de 16 milhões de dólares nos Emirados Árabes Unidos
O filme Jawan, de Bollywood, foi um grande sucesso de bilheteria e arrecadou mais de US$ 16 milhões nos Emirados Árabes Unidos

O UPI (Unified Payments Interface) da Índia já pode ser utilizado nos Emirados Árabes Unidos por turistas e residentes indianos, com aceitação crescente em estabelecimentos selecionados, especialmente em Dubai. Na Índia, o UPI funciona de forma semelhante ao PIX no Brasil, permitindo pagamentos e transferências instantâneas diretamente entre contas bancárias.

Indianos não residentes (NRIs) também podem utilizar o sistema nos Emirados, desde que atendam aos requisitos dos bancos participantes. A expansão do UPI facilita pagamentos, reduz a dependência de dinheiro em espécie e representa um novo capítulo na integração econômica e tecnológica entre a Índia e o Golfo.

A forte presença indiana nos Emirados Árabes Unidos é resultado de uma combinação de laços históricos profundos, oportunidades econômicas estratégicas e afinidades culturais construídas ao longo de séculos de interação entre a Índia e a região do Golfo. Dentro desse contexto, Kerala ocupa um papel central, destacando-se como um dos principais berços da diáspora indiana e como elo humano contínuo entre as duas regiões.

Ao longo das décadas, indianos contribuíram de forma decisiva para setores essenciais dos Emirados — da construção e do comércio à educação, saúde e grandes corporações — ajudando a moldar a economia e a sociedade do país moderno. Mais do que mão de obra, essa comunidade tornou-se parte integrante do desenvolvimento dos Emirados, exemplificando como migração, cooperação e intercâmbio cultural podem gerar prosperidade compartilhada e fortalecer relações entre nações.

Perguntas Frequentes

Quantos indianos vivem atualmente nos Emirados Árabes Unidos?

Estima-se que mais de 3,5 milhões de indianos vivam nos Emirados, representando cerca de 30% da população total do país — a maior comunidade estrangeira da região.

Por que a maioria dos indianos nos Emirados vem de Kerala?

Kerala tem uma longa tradição de migração e alto nível de educação. Desde os anos 1970, muitos keralitas buscaram oportunidades no Golfo, enviando remessas que sustentam milhões de famílias.

Quais profissões os indianos mais exercem nos Emirados Árabes?

Os indianos estão em todos os setores: construção, saúde, educação, tecnologia e finanças. De operários a CEOs, sua presença é essencial para a economia emiradense.

Os indianos podem se tornar cidadãos dos Emirados Árabes Unidos?

Não. Mesmo após décadas de residência, os expatriados indianos não recebem cidadania. Porém, novas políticas permitem vistos de longo prazo para investidores e profissionais qualificados.

Que impacto os indianos têm na economia da Índia?

Os trabalhadores indianos nos Emirados enviam bilhões de dólares em remessas todos os anos, ajudando a fortalecer a economia indiana e sustentando famílias em estados como Kerala e Andhra Pradesh.

Que línguas indianas são mais faladas nos Emirados Árabes Unidos?

O hindi e o malaiala são amplamente falados, seguidos por tâmil, télugo e punjabi. Em muitas cidades, é comum ouvir essas línguas em mercados, escolas e até em rádios locais.

É fácil para indianos conseguirem visto de trabalho nos Emirados Árabes Unidos?

Sim. Os Emirados mantêm acordos trabalhistas com a Índia e possuem um sistema estruturado de vistos de trabalho patrocinados por empregadores, especialmente nos setores de serviços, construção e tecnologia.

Os salários nos Emirados Árabes Unidos são mais altos do que na Índia?

Em muitos setores, sim. Além de salários mais elevados, a ausência de imposto de renda pessoal torna os Emirados financeiramente atraentes para profissionais indianos.

Os Emirados Árabes Unidos são seguros para expatriados indianos?

Sim. Os Emirados Árabes Unidos estão entre os países mais seguros do mundo, com baixos índices de criminalidade e leis rigorosas que garantem estabilidade social.

Indianos podem praticar livremente sua religião nos Emirados Árabes Unidos?

Sim. Os Emirados permitem a prática religiosa de diferentes comunidades, incluindo hindus, sikhs e cristãos, com templos e centros religiosos oficialmente reconhecidos.

Como os indianos enviam dinheiro dos Emirados para a Índia?

As remessas são enviadas principalmente por bancos, casas de câmbio e plataformas digitais, de forma rápida e segura, fazendo dos Emirados um dos maiores países de origem de remessas para a Índia.