Navratri e Durga Puja: Festival da Deusa Durga

Representação da deusa Durga derrotando o demônio búfalo Mahishasura em uma cena épica da mitologia hindu

Navratri e Durga Puja estão entre os festivais mais vibrantes da Índia, marcados por cores, música, dança e muita devoção. Dedicados à deusa Durga, símbolo de força, proteção e vitória sobre o mal, esses festivais reúnem famílias, comunidades e templos em diferentes regiões do país.

Neste artigo, vamos conhecer a origem e o significado de Navratri e Durga Puja, entender como essas celebrações são realizadas, conhecer seus principais rituais, tradições, danças e manifestações culturais, além de descobrir por que esses festivais ocupam um lugar tão importante na vida espiritual e cultural da Índia.

O nome Navratri vem do sânscrito e é formado por duas palavras: Nava, que significa “nove”, e Ratri, que significa “noite”. Assim, Navratri significa literalmente “nove noites”, referência ao período de devoção dedicado à Deusa Durga e às suas nove manifestações, conhecidas como Navadurga.

O significado do nome também revela a estrutura essencial do festival: são nove noites de práticas devocionais, orações e celebrações que culminam no décimo dia, Vijayadashami. Dessa forma, a própria palavra Navratri resume a ideia central de um ciclo de nove noites dedicado à Deusa.

Navratri e Durga Puja são celebrados de acordo com o calendário lunar hindu, mais especificamente durante o mês de Ashwin. Esse mês lunar corresponde, no calendário gregoriano, ao período que geralmente vai de setembro a outubro, marcando a transição do monção para o outono no subcontinente indiano.

A Sharad Navratri, a Navratri mais amplamente celebrada na Índia, começa no primeiro dia da quinzena crescente da Lua — conhecido como Shukla Paksha Pratipada — do mês de Ashwin. A partir desse dia, seguem-se nove noites consecutivas, cada uma dedicada a uma forma específica da Deusa Durga, as Navadurga.

Esses nove dias correspondem às seguintes tithis (dias lunares): Pratipada, Dwitiya, Tritiya, Chaturthi, Panchami, Shashthi, Saptami, Ashtami, Navami. As tithis são fundamentais para determinar as datas de diversos festivais e celebrações hindus. Por exemplo, Chaturthi marca o Ganesh Chaturthi, enquanto Panchami está presente no Nag Panchami. Já Krishna Janmashtami é celebrado em Krishna Paksha Ashtami, e Ram Navami em Shukla Paksha Navami. Dessa forma, entender o ciclo lunar e as tithis ajuda a compreender não apenas o Navratri, mas também como diferentes festivais do calendário hindu estão relacionados entre si.

O festival culmina no décimo dia, chamado Dashami, que é celebrado como Vijaya Dashami ou Dussehra. Esse dia simboliza a vitória da ordem sobre o caos e encerra o ciclo ritual iniciado na Lua crescente. Portanto, Navratri ocorre inteiramente durante a fase crescente da Lua (Shukla Paksha), um período tradicionalmente associado a expansão, renovação, energia vital e crescimento espiritual.

Na Índia, muitos festivais seguem calendários lunares, baseados no movimento aparente da Lua observado da Terra
Na Índia, muitos festivais seguem calendários lunares, baseados no movimento aparente da Lua observado da Terra

Em 2025, a Sharad Navratri tem início com Shukla Paksha Pratipada em 22 de setembro e segue até Navami em 30 de setembro, com Vijaya Dashami em 2 de outubro de 2025. Nesse mesmo período, Durga Puja é observada de Shashthi a Dashami, culminando no Visarjan no dia 2 de outubro.

Em 2026, a Sharad Navratri começa com Shukla Paksha Pratipada em 11 de outubro e se estende até Navami em 19 de outubro, com Vijaya Dashami celebrada em 20 de outubro de 2026. Durga Puja, novamente, ocorre nos dias finais desse ciclo lunar, acompanhando Saptami, Ashtami, Navami e Dashami.

Deuses entregando suas armas à Deusa Durga antes da batalha contra o mal
Deuses entregando suas armas à Deusa Durga antes da batalha contra o mal

O festival de Durga Puja possui raízes antigas, documentadas no Devi Mahatmya, um texto sagrado do século V. A narrativa central conta a batalha entre Durga e o demônio Mahishasura, simbolizando a vitória do bem sobre o mal.

Durga Puja celebra a vitória da Deusa Durga sobre Mahishasura, um poderoso demônio capaz de assumir diferentes formas, incluindo a de búfalo. Para derrotá-lo, os deuses uniram suas energias e deram à Deusa armas e atributos divinos: Shiva ofereceu seu tridente, Vishnu seu disco (chakra), enquanto outros deuses também lhe concederam armas sagradas.

Após uma batalha de nove dias, Durga derrotou Mahishasura, restaurando a ordem e o dharma. Essa vitória simboliza o triunfo do bem sobre o mal e representa o significado central de Navratri e Durga Puja.

Deusa Durga derrotando o demônio Mahishasura, simbolizando a vitória do bem sobre o mal
Deusa Durga derrotando o demônio Mahishasura, simbolizando a vitória do bem sobre o mal

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Muitas pessoas acreditam que Navratri e Durga Puja sejam a mesma celebração. Embora estejam profundamente relacionados, não são idênticos.

Navratri significa “nove noites” e é celebrado em diversas regiões da Índia, com a devoção às Navadurga, as nove manifestações da Deusa Durga. Dependendo da região, a celebração inclui jejuns, orações, mantras e danças tradicionais, como Garba e Dandiya Raas, especialmente em Gujarat e partes de Maharashtra.

Durga Puja, por sua vez, é uma tradição regional especialmente forte em Bengala Ocidental, Assam, Odisha e Bangladesh. Seu foco está na vitória da Deusa Durga sobre Mahishasura e é marcada por grandes pandais (estruturas temporárias decoradas onde são instaladas as imagens da Deusa Durga), imagens elaboradas da deusa, rituais, música e celebrações comunitárias.

Enquanto Navratri abrange as nove noites de devoção, Durga Puja concentra suas principais celebrações nos últimos dias desse período, especialmente em Saptami, Ashtami, Navami e dashami. Assim, Durga Puja pode ser entendida como uma das principais formas regionais de celebrar esse período dedicado à Deusa Durga.

Abaixo está uma bela canção em língua bengali intitulada Dugga Elo, cujo significado é “A Mãe Durga chegou”. A música expressa a alegria coletiva, a devoção e a emoção que marcam a chegada da Deusa Durga durante as celebrações da Durga Puja em Bengala.

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Navratri representa uma jornada simbólica de nove dias de transformação interior, na qual a Deusa Durga é venerada em suas nove manifestações, conhecidas como Navadurga. Cada forma representa uma etapa do amadurecimento espiritual, enquanto as cores de cada dia expressam simbolicamente diferentes energias e estados de consciência.

O primeiro dia de Navratri é dedicado a Shailaputri, a forma da Deusa que representa a estabilidade primordial. Seu nome significa “filha da montanha”, e essa imagem remete à firmeza, à resistência e à força silenciosa da natureza. Assim como as montanhas sustentam o mundo sem se mover, Shailaputri simboliza o fundamento necessário para qualquer jornada espiritual.

Nesse dia, os devotos buscam solidez interior, coragem para enfrentar desafios e equilíbrio emocional. O amarelo, cor ligada à luz, ao conhecimento e à vitalidade, expressa o despertar da consciência no início do ciclo. É o momento de estabelecer bases firmes antes de avançar.

Shailaputri, a primeira forma da Deusa Durga, segurando tridente
Shailaputri, a primeira forma da Deusa Durga, simboliza pureza, força espiritual e o início do caminho devocional celebrado no primeiro dia do Navaratri

No segundo dia, a Deusa é venerada como Brahmacharini, aquela que pratica austeridade e autocontrole. Essa forma representa a disciplina espiritual consciente, entendida não como privação, mas como foco e direcionamento da energia interior.

Brahmacharini ensina que o progresso exige constância, paciência e clareza de propósito. O verde, símbolo de crescimento, renovação e equilíbrio, reflete a ideia de que a disciplina correta não limita, mas fortalece e expande. Esse dia convida à introspecção e ao compromisso com um caminho escolhido de forma consciente.

Brahmacharini, a segunda forma da Deusa Durga, representando austeridade e devoção
Brahmacharini, a segunda forma da Deusa Durga, representando austeridade e devoção

Chandraghanta é a forma da Deusa que une suavidade e bravura. Seu nome faz referência ao sino em forma de lua crescente que adorna sua testa, símbolo de vigilância e prontidão. Ela é uma guerreira, mas não movida pela agressividade; sua força nasce da serenidade interior.

O terceiro dia de Navratri ensina que a verdadeira coragem não exclui a paz. O cinza, cor associada a esse dia, representa equilíbrio, neutralidade e maturidade emocional. É o momento de aprender a agir com firmeza sem perder a harmonia interna.

Chandraghanta, a terceira forma da Deusa Durga, com sino em forma de lua crescente
Chandraghanta, a terceira forma da Deusa Durga, representa coragem, prontidão para a batalha e proteção contra forças negativas

Kushmanda é venerada como a criadora do universo, aquela que deu origem ao cosmos a partir de sua energia vital. Sua presença simboliza criatividade, expansão e poder transformador. A tradição afirma que o universo surgiu de seu sorriso, uma metáfora para a força criativa que nasce da consciência plena.

Neste estágio da jornada, o devoto reconhece a própria capacidade de criar, transformar e dar sentido à vida. O laranja, cor vibrante e dinâmica, expressa entusiasmo, movimento e vitalidade espiritual.

Kushmanda, a quarta forma da Deusa Durga, irradiando energia criadora
Kushmanda, a quarta forma da Deusa Durga, é associada à energia criadora do universo e à luz que dissipa a escuridão

No quinto dia, a Deusa se manifesta como Skandamata, a mãe de Skanda, também conhecido como Kartikeya e irmão de Ganesha. Sua história também está relacionada à famosa competição entre Ganesha e Kartikeya para dar a volta ao mundo.

Skandamata simboliza o equilíbrio entre força e ternura, lembrando que a verdadeira proteção nasce do amor consciente. O branco, cor da pureza e da serenidade, reflete clareza mental, harmonia e intenção elevada. Este dia é especialmente ligado à busca por paz familiar e estabilidade emocional.

Skandamata, a quinta forma da Deusa Durga, com o filho Skanda em seu colo
Skandamata, a quinta forma da Deusa Durga, simboliza o amor materno, a proteção e a força que nutre e sustenta o cosmos

Katyayani representa uma das formas mais poderosas e combativas da Deusa Durga. Associada à justiça, à coragem e à ação correta, ela surge quando a ordem precisa ser restaurada.

O sexto dia de Navratri convida à superação de obstáculos internos e externos, à afirmação da verdade e ao enfrentamento das injustiças. O vermelho, cor da energia, da determinação e da força vital, simboliza a disposição para agir com clareza e responsabilidade.

Katyayani, a sexta forma da Deusa Durga, empunhando armas em postura guerreira
Katyayani, a sexta forma da Deusa Durga, representa a força combativa do divino e a destruição do mal

Kalaratri é a forma mais intensa e temida da Deusa. Ela representa a destruição das forças negativas e o enfrentamento das sombras internas. Sua aparência feroz não é sinal de maldade, mas de proteção absoluta contra tudo aquilo que impede o crescimento espiritual.

Esse dia ensina que a luz só pode ser plenamente alcançada quando se encara a escuridão sem medo. O azul-marinho simboliza profundidade, introspecção e transcendência, convidando o devoto a atravessar os aspectos mais ocultos da própria consciência.

Kalaratri, a sétima forma da Deusa Durga, de aparência feroz e protetora
Kalaratri, a sétima forma da Deusa Durga, manifesta o aspecto mais feroz da proteção divina, destruindo o medo, a ignorância e as forças que ameaçam a ordem e a consciência espiritual

Mahagauri representa a pureza restaurada após o processo de transformação. Seu nome significa “a grande branca”, e ela simboliza serenidade, perdão e equilíbrio interior.

Após o confronto com a escuridão, surge a tranquilidade. O rosa, cor da suavidade e da compaixão, reflete harmonia emocional e paz espiritual. Esse dia marca a purificação da mente e do coração.

Mahagauri, a oitava forma da Deusa Durga, símbolo de pureza e serenidade
Mahagauri, a oitava forma da Deusa Durga, representa a purificação espiritual, a paz interior e a restauração da harmonia após a vitória sobre as forças da escuridão

O ciclo de Navratri se conclui com Siddhidatri, a Deusa que concede perfeição espiritual e dons interiores. Ela simboliza a culminação da jornada, quando o conhecimento, a disciplina e a transformação se integram em sabedoria plena.

O roxo ou lilás, cores associadas à espiritualidade elevada, representam transcendência e realização interior. Siddhidatri não é apenas a concessora de poderes simbólicos, mas a expressão da consciência que alcançou plenitude e clareza.

Siddhidatri, a nona forma da Deusa Durga, concedendo sabedoria e perfeição espiritual
Siddhidatri, a nona forma da Deusa Durga, é a doadora de realização espiritual e conhecimento supremo, concedendo siddhis e conduzindo à plenitude e à libertação interior
Com dedicação e arte, o ídolo de Durga ganha vida meses antes da grande celebração da Durga Pooja
Artista pintando cuidadosamente o ídolo da deusa Durga meses antes do festival, em preparação para a Durga Pooja

O início formal das celebrações ocorre com o Prana Pratishtha, o ritual pelo qual a energia vital da Deusa Durga é convidada a habitar temporariamente uma imagem ou ídolo. Esse momento pode acontecer tanto em altares domésticos quanto em grandes pandals comunitários, transformando o espaço cotidiano em um espaço ritualmente consagrado.

A recitação precisa de mantras, acompanhada de gestos simbólicos e oferendas iniciais, não “cria” a divindade, mas estabelece um ato consciente de acolhimento. A partir desse instante, o espaço, o tempo e os participantes passam a se relacionar com o sagrado por meio de disciplina, respeito e atenção ritual.

Ídolo da Deusa Durga em um mandap em Bengala durante a Durga Puja
O ídolo da Deusa Durga, instalado em um mandap tradicional em Bengala, representa o coração espiritual da Durga Puja, reunindo arte, devoção e celebração coletiva em um dos festivais mais emblemáticos da região

Ao longo dos nove dias e noites do festival, a aarti é realizada diariamente, geralmente ao amanhecer e ao entardecer. Lamparinas acesas com ghee são oferecidas diante da imagem da Deusa, enquanto cânticos devocionais, sinos e instrumentos tradicionais criam uma atmosfera sonora envolvente.

A luz da aarti simboliza a remoção da ignorância e da escuridão interior, enquanto os mantras orientam a mente para foco, entrega e constância espiritual.

Ídolo da Deusa Durga montado em um mandap em Mumbai durante o Navratri
O ídolo da Deusa Durga, instalado em um pandal em Mumbai durante o Navratri, simboliza a devoção urbana contemporânea

Um dos aspectos mais vibrantes do Navratri é a presença das danças coletivas, especialmente no oeste da Índia.

O Garba, dançado em círculos concêntricos, simboliza o ciclo da vida e o princípio cósmico feminino no centro do universo. Os participantes giram em torno de uma lâmpada ou imagem simbólica, reconhecendo a Deusa como a fonte de toda energia.

O Dandiya Raas, executado com bastões coloridos, traduz simbolicamente o confronto entre a ordem e as forças do desequilíbrio. A antiga narrativa da vitória de Durga sobre Mahishasura é reinterpretada como arte, ritmo e coordenação coletiva, transformando a ideia de conflito em harmonia visual e cultural.

Abaixo está uma bela canção acompanhada de um vídeo vibrante de Garba, retirada do filme gujarati LoveYatri. Tanto o filme quanto a canção são em língua gujarati, refletindo com autenticidade as cores, a energia e o espírito comunitário do Garba, dança tradicional intimamente ligada às celebrações do Navaratri em Gujarat.

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Meninas participam do Kanya Puja, tradição indiana em que meninas são reverenciadas durante um ritual realizado por adultos
Kanya Puja é uma importante tradição do Navratri, na qual meninas, geralmente com menos de nove anos, são reverenciadas como manifestações do princípio feminino divino e recebem a homenagem dos mais velhos

Durante o Navratri, especialmente em Ashtami e Navami, algumas tradições realizam a Kanya Puja ou Kanjak Puja, na qual meninas são reverenciadas como manifestações da energia divina feminina. Seus pés podem ser lavados ritualmente, seguidos de oferendas de alimentos e presentes.

Essa tradição reflete uma ideia presente em muitas famílias indianas: o nascimento de uma menina pode ser celebrado com expressões como “Durga nasceu” ou “Lakshmi nasceu”, associando a criança à força, à proteção ou à prosperidade representadas pelas deusas. A prática expressa, assim, a reverência à Shakti e ao princípio feminino divino.

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A preparação e a oferta de alimentos ocupam um lugar central nas celebrações. Doces tradicionais simbolizam prosperidade, doçura da vida e a recompensa do esforço espiritual. Frutas e flores são oferecidas como expressões de simplicidade, gratidão e respeito à natureza.

Após os rituais, os alimentos são distribuídos como prasad, incluindo doces tradicionais como rasgulla, gulab jamun e jalebi, além de preparações salgadas como a samosa. Esse momento de partilha reforça valores de igualdade, convivência e comunidade, ensinando de forma prática — especialmente às gerações mais jovens — princípios de generosidade, cooperação e respeito mútuo.

Rasgulla, jalebi e samosa servidos como prasad durante a Durga Puja
Durante a Durga Puja, doces e salgados tradicionais como rasgulla, jalebi e samosa são oferecidos como prasad

Durante o Vijayadashami, último dia da Durga Puja, ocorre o tradicional Sindoor Khela, especialmente entre mulheres em Bengala Ocidental. O ritual envolve a aplicação de sindoor (pó vermelho tradicional) na imagem da Deusa Durga e, posteriormente, umas nas outras, como expressão de devoção, bons desejos e despedida antes do Durga Visarjan.

O Sindoor Khela tornou-se também uma das imagens mais conhecidas da Durga Puja, unindo ritual, tradição e participação comunitária no encerramento da celebração.

Sindur Khela durante a Durga Puja, mulheres aplicando kumkum como ritual tradicional
O Sindur Khela, realizado durante a Durga Puja, é um ritual marcante no qual mulheres aplicam kumkum (sindur) umas nas outras, simbolizando prosperidade, proteção e a força feminina, especialmente no momento de despedida da Deusa Durga

O encerramento de Navratri e da Durga Puja acontece com o Durga Visarjan, o ritual de despedida no qual o ídolo da Deusa é conscientemente liberado e devolvido aos elementos naturais. Esse gesto expressa gratidão, desapego e a compreensão de que a presença divina segue um ciclo contínuo de chegada, permanência e retorno.

Tradicionalmente, o Visarjan é marcado por procissões até rios, lagos ou o mar, acompanhadas por cânticos, música ritual e intensa participação comunitária. A imersão simboliza a dissolução da forma material e o retorno da manifestação ao fluxo natural, reafirmando que a essência da Deusa não está confinada ao objeto ritual, mas se expressa além da forma.

Nos contextos contemporâneos, essa mesma compreensão tem levado muitas comunidades a refletir sobre os tipos de Visarjan segundo o método adotado. Antes da imersão, é realizada a última aarti (ritual de oferenda com luzes e cânticos), acompanhada de oferendas e agradecimentos. O momento representa não um adeus definitivo, mas o encerramento de um ciclo e a continuidade da devoção.

Navratri e Durga Puja vão muito além da devoção individual, sendo celebrações marcadas pela forte participação comunitária. Desfiles, procissões, danças e apresentações culturais ocupam ruas e mandaps, reunindo pessoas de diferentes idades e origens.

A construção e decoração dos mandaps, a organização dos rituais, as oferendas e os eventos culturais dependem da colaboração de toda a comunidade. Essa participação coletiva fortalece os laços sociais, preserva tradições regionais e reforça o sentimento de pertencimento.

Abaixo está uma bela canção em bengali, extraída do filme Challenge 2, que retrata de forma vibrante a cultura, a energia coletiva e o espírito festivo das celebrações da Durga Puja em Bengala. Saiba mais sobre o cinema indiano em diferentes idiomas e suas diferenças em relação a Bollywood em nosso artigo sobre as principais indústrias cinematográficas da Índia

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Um dos aspectos mais marcantes de Navratri e Durga Puja é a participação de diferentes gerações e grupos sociais. Crianças aprendem os rituais e tradições, jovens participam de danças como Garba e Dandiya Raas, enquanto os mais velhos preservam histórias e conhecimentos culturais.

Na Durga Puja, os mandaps também funcionam como espaços culturais temporários, recebendo apresentações de dança, música, teatro e encontros comunitários. Esse caráter coletivo e participativo contribuiu para que a Durga Puja fosse reconhecida pela UNESCO como Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade.

Navratri e Durga Puja são celebrações de fé, coragem e renovação espiritual, nas quais a vitória da ordem sobre o mal se une à vida comunitária. O período também fortalece laços familiares, preserva tradições e transmite conhecimentos entre gerações por meio dos rituais, da música e da arte.

Assim, Navratri e Durga Puja mantêm viva a herança espiritual e cultural da Índia, conectando tradição e vida contemporânea e renovando valores como devoção, equilíbrio, compaixão e esperança.

Perguntas Frequentes

O que é o festival de Navratri?

Navratri é um festival hindu de nove noites dedicado à adoração da Deusa Durga em suas diferentes formas. Ele simboliza a vitória do bem sobre o mal.

Qual é a importância da Durga Puja durante o Navratri?

A Durga Puja celebra a vitória da Deusa Durga sobre o demônio Mahishasura. É um momento de devoção, alegria e renovação espiritual.

Como o Navratri é comemorado na Índia?

As celebrações incluem jejuns, orações, danças tradicionais como Garba e Dandiya, e rituais especiais para honrar Durga. Em Bengala, destaca-se a grandiosa Durga Puja.

Existe diferença entre Navratri e Durga Puja?

Sim. Navratri é celebrado em toda a Índia com práticas diversas, enquanto a Durga Puja, especialmente em Bengala, tem foco na adoração da Deusa Durga com ídolos e procissões.

Quais são os nove avatares de Durga venerados no Navratri?

Os devotos honram Navadurga: Shailaputri, Brahmacharini, Chandraghanta, Kushmanda, Skandamata, Katyayani, Kalaratri, Mahagauri e Siddhidatri.

Como esse festival pode inspirar a vida moderna?

O Navratri lembra que cada pessoa enfrenta suas batalhas internas, e a força de Durga inspira coragem, fé e superação diante das dificuldades.

Quando ocorrerão o Navratri e a Durga Puja em 2026?

Em 2026, o Navratri sharadiya começará em 11 de outubro (domingo) e Durga Puja será celebrada intensamente a partir de 17 de outubro (sábado), com os dias principais culminando em 20 de outubro (terça-feira), incluindo a tradicional imersão do ídolo.

O que é a imersão (Visarjan) no contexto da Durga Puja?

O Durga Visarjan é o ritual de despedida no qual o ídolo da Deusa Durga é imerso, simbolizando gratidão, desapego e o ciclo contínuo de chegada, permanência e retorno da presença divina.

Por que os doces são oferecidos como prasad durante o Navratri e a Durga Puja?

Os doces como rasgulla, gulab jamun e jalebi, assim como salgados como samosa, são oferecidos como prasad para simbolizar partilha, prosperidade e alegria comunitária na celebração e para reforçar valores de generosidade e cooperação.

Quais são os principais símbolos de participação comunitária no festival?

Durante o Navratri e a Durga Puja, crianças aprendem hinos e danças, mulheres lideram rituais, jovens participam de Garba e Dandiya Raas e idosos compartilham histórias — elementos que reforçam a continuidade cultural e a participação ativa de todos.