Diwali: O Festival das luzes

diyas colocadas durante o diwali

Diwali, o festival das luzes — também conhecido como Deepavali — é uma das celebrações mais importantes e amplamente vividas na Índia. Muito mais do que uma data festiva, Diwali simboliza valores universais: a vitória da luz sobre as trevas, do bem sobre o mal e do conhecimento sobre a ignorância. Durante esses dias, casas, ruas e cidades inteiras se iluminam com diyas (lamparinas de óleo), velas e fogos, criando uma atmosfera de renovação, esperança e alegria coletiva.

Celebrado por milhões de pessoas de diferentes regiões, tradições e comunidades, Diwali não é um festival único e homogêneo. Ele assume formas diversas conforme o estado, a cultura local e a tradição espiritual, refletindo a extraordinária diversidade indiana. Em alguns lugares, marca o retorno do Senhor Rama a Ayodhya; em outros, celebra a prosperidade associada à deusa Lakshmi; há ainda regiões onde o foco está na colheita, no comércio ou no início de um novo ano.

Neste post, vamos explorar Diwali de forma ampla e profunda. Vamos conhecer sua história e origem, entender como o festival é celebrado em diferentes estados da Índia, descobrir rituais, símbolos e costumes, mergulhar na culinária típica preparada nessa época e apresentar curiosidades pouco conhecidas que tornam Diwali um dos festivais mais fascinantes do mundo.

Diwali não possui uma data fixa no calendário gregoriano, pois sua celebração é determinada pelo calendário lunar hindu. O festival ocorre no dia de lua nova (Amavasya) do mês de Kartika, um período considerado especialmente auspicioso em muitas tradições da Índia. Por esse motivo, Diwali geralmente acontece entre o final de outubro e o início de novembro, variando a cada ano.

Essa variação está diretamente ligada aos ciclos lunares, que diferem do calendário solar usado internacionalmente. Como o calendário lunar se ajusta às fases da lua, a data de Diwali se desloca anualmente, podendo cair em dias diferentes mesmo dentro do mesmo intervalo de semanas. Além disso, é importante destacar que Diwali não se resume a um único dia. Em muitas regiões da Índia, o festival se estende por quatro a cinco dias, cada um com significados e rituais próprios — como a limpeza das casas, a adoração à deusa da prosperidade, o dia principal de Diwali e as celebrações familiares que o seguem. Essa sequência reforça a ideia de preparação, renovação e celebração gradual da luz.

Assim, a ausência de uma data fixa não diminui a importância do festival. Pelo contrário, ela reforça a profunda conexão de Diwali com os ritmos da natureza, os ciclos do tempo e a tradição espiritual que orienta a vida cultural indiana há milênios.

dolo de Rama, Lakshmana e Sita juntos
Escultura sagrada de Rama, Lakshmana e Sita lado a lado

O nome Diwali tem origem no termo Deepavali, derivado do sânscrito दीपावली (Dipavali), cuja tradução literal é uma fileira de luzes ou “uma sequência contínua de lâmpadas acesas”. A palavra é formada pela união de dois termos: dipa, que significa luz, lamparina ou aquilo que ilumina e traz clareza, e avali, que se refere a uma fila, série ou continuidade.

Essa construção linguística vai além de um significado decorativo. Ela expressa a ideia de luz que se multiplica, passando de um ponto isolado para um conjunto harmonioso. No contexto cultural e espiritual indiano, a luz não representa apenas iluminação física, mas também conhecimento, consciência, sabedoria e discernimento moral. Assim, Deepavali simboliza a expansão contínua desses valores na vida individual e coletiva.

O ato de acender diyas (lamparinas de óleo) é o ritual mais emblemático de Diwali porque traduz, em gesto simples, o significado profundo do festival. Cada diya acesa simboliza a vitória da luz sobre a escuridão, do conhecimento sobre a ignorância e da esperança sobre o medo. Quando muitas lamparinas são acesas juntas, elas representam a força da luz coletiva — pequenas chamas que, unidas, transformam completamente o ambiente.

Tradicionalmente, as diyas são colocadas em entradas de casas, janelas, varandas e ruas para afastar a escuridão e acolher a energia positiva. Esse gesto também está ligado à ideia de recepcionar o bem, a prosperidade e a harmonia, tanto no espaço físico quanto na vida interior das pessoas.

Mais do que um ritual visual, acender uma diya é um lembrete silencioso: mesmo a menor luz tem o poder de dissipar grandes sombras. É por isso que, geração após geração, o simples ato de iluminar uma chama permanece no centro de Diwali — conectando linguagem, tradição e significado espiritual em um único símbolo luminoso.

Mulheres arrumando diyas durante Diwali o Festival das Luzes
Mulheres arrumando diyas durante o Diwali

A história de Rama ocupa um lugar central no épico Ramayana e está profundamente ligada ao significado espiritual e simbólico de Diwali. Transmitida por gerações, essa narrativa não é apenas um relato histórico-épico, mas um guia de valores, dever e conduta ética que moldou a civilização indiana ao longo dos séculos.

Rama era o príncipe herdeiro de Ayodhya, conhecido por sua retidão, autocontrole e compromisso absoluto com o dharma (dever). Pouco antes de sua coroação, uma manobra política dentro do palácio levou seu pai, o rei Dasharatha, a ordenar que Rama fosse enviado ao exílio por 14 anos. Aceitando a decisão sem revolta, Rama partiu para a floresta acompanhado de sua esposa Sita e de seu fiel irmão Lakshmana.

Rama parte de Ayodhya para um exílio de 14 anos acompanhado por Sita e Lakshmana, um episódio central do Ramayana que simboliza dever, renúncia e fidelidade ao dharma.
Rama, Sita e Lakshmana deixam Ayodhya para cumprir quatorze anos de exílio na floresta, conforme narrado no Ramayana

Durante o exílio, Rama viveu como um asceta, enfrentando perigos constantes, demônios e testes morais. Esse período simboliza o desapego, a disciplina e a capacidade de manter a integridade mesmo longe do conforto e do poder. Sita e Lakshmana compartilham dessas provações, reforçando os ideais de lealdade, companheirismo e força interior.

A narrativa se intensifica quando Sita é sequestrada por Ravana, o poderoso rei de Lanka. Dotado de grande conhecimento e força, Ravana é vencido não pela falta de poder, mas pelo orgulho e pela injustiça. O sequestro de Sita transforma a jornada de Rama em uma missão clara: restaurar a ordem moral e resgatar aquilo que foi injustamente tomado.

O sequestro de Sita por Ravana durante o exílio marca o ponto de virada do Ramayana, dando início à jornada de Rama para resgatá-la e restaurar a justiça
O sequestro de Sita por Ravana durante o exílio marca o ponto de virada do Ramayana, dando início à jornada de Rama para resgatá-la e restaurar a justiça

Para resgatar Sita, Rama reúne aliados e constrói uma poderosa aliança. O mais emblemático deles é Hanuman, símbolo máximo de devoção, coragem e serviço desinteressado. Com a ajuda de Hanuman e do exército de macacos (vanaras), Rama atravessa o oceano e enfrenta o vasto exército de Ravana em Lanka (Sri Lanka atual).
A batalha final não representa apenas um confronto físico, mas a luta eterna entre o bem e o mal. Rama encarna virtude, equilíbrio e justiça; Ravana, apesar de sua grandeza e erudição, personifica o ego desmedido e o abuso de poder.

A derrota de Ravana não ocorre apenas pela força das armas, mas também como consequência de maldições acumuladas por seus próprios atos. Entre elas, destaca-se a maldição de Nandi, proferida após Ravana humilhá-lo em Kailasa, reforçando a ideia de que o desrespeito ao divino e à ética inevitavelmente conduz à queda. Assim, o episódio reafirma que nenhum conhecimento ou poder pode sustentar-se quando desconectados da retidão e do dharma.

Rama, Lakshmana e Hanuman lideram o exército dos vanaras no ataque a Lanka para resgatar Sita, conforme narrado no Ramayana
Rama, Lakshmana e Hanuman avançam com a vanara sena contra Lanka para resgatar Sita

Após a vitória sobre Ravana e o resgate de Sita, Rama retorna a Ayodhya ao término dos 14 anos de exílio. Sua chegada simboliza a restauração do dharma, da justiça e da harmonia social. Tomados por alegria e devoção, os habitantes iluminam ruas, casas e palácios com lamparinas de óleo (diyas), lanternas e fogos, criando a paisagem luminosa que se tornou o núcleo simbólico de Diwali.

Durante a ausência de Rama, Ayodhya não ficou sem direção. Seu irmão Bharata, filho do rei Dasharatha com sua esposa Kaikeyi, recusou-se a ocupar o trono como rei legítimo. Em um gesto memorável de lealdade e humildade, Bharata governou em nome de Rama, colocando as sandálias de Rama no trono como símbolo de que o verdadeiro soberano permanecia o irmão exilado. Ele próprio viveu de forma simples, aguardando fielmente o retorno de Rama.

Quando Rama finalmente regressa, encontra um reino preservado não pela força, mas pela fidelidade ao dever. Sua coroação representa mais do que um ato político: é uma renovação espiritual coletiva. Assim, o retorno triunfante a Ayodhya reafirma a mensagem central de Diwali — a luz da retidão sempre retorna, mesmo após longos períodos de provação.

Bharata se inclina em reverência diante de Rama, Sita e Lakshmana após o retorno a Ayodhya ao fim do exílio
Bharata presta reverência a Rama no retorno a Ayodhya, após 14 anos de exílio, simbolizando humildade, lealdade e respeito ao dharma no Ramaya

Além da associação com Rama, Diwali também está profundamente ligado à tradição de Krishna, especialmente em regiões do oeste, centro e sul da Índia. Segundo essa tradição, durante o período do Dvapara Yuga, Krishna derrotou o poderoso e tirânico Narakasura, governante de Pragjyotishapura, área associada ao atual estado de Assam.

Narakasura era conhecido por sua opressão e por manter 16.000 jovens mulheres em cativeiro. Ao derrotá-lo, Krishna não apenas pôs fim ao seu reinado injusto, mas também libertou as prisioneiras, restaurando dignidade, ordem e justiça. Esse episódio consolidou-se como um poderoso símbolo da vitória do bem sobre o mal, um dos significados centrais de Diwali.

A morte de Narakasura é lembrada no dia anterior a Diwali, conhecido como Naraka Chaturdashi, também chamado de Choti Diwali em muitas regiões. Esse dia marca simbolicamente o fim da escuridão moral e espiritual, preparando o caminho para a celebração principal de Diwali, quando a luz é acesa como expressão de renovação, libertação e esperança.

Assim, a tradição ligada a Krishna amplia o significado de Diwali para além de uma única narrativa. Ela reforça a ideia de que, em diferentes épocas e contextos, a luz da justiça sempre prevalece — seja no retorno de Rama a Ayodhya ou na vitória de Krishna sobre Narakasura.

Krishna derrota Narakasura em batalha, um episódio associado à celebração de Diwali e à vitória do bem sobre o mal
Krishna enfrenta e derrota Narakasura, o governante tirânico de Pragjyotishapura, um acontecimento lembrado em Diwali como símbolo da libertação, da justiça e da vitória do bem sobre o mal

Muitos hindus associam Diwali principalmente à Lakshmi, a deusa da riqueza, da prosperidade, da harmonia e da boa fortuna, consorte de Vishnu. Essa associação explica por que a noite principal de Diwali é dedicada à Lakshmi Puja, quando lares e comércios são cuidadosamente limpos, iluminados e preparados para receber a deusa.

De acordo com tradições amplamente difundidas e com fontes purânicas, o início do ciclo de cinco dias de Diwali está ligado ao episódio do Samudra Manthana — a “agitação do oceano de leite”. Nesse evento cósmico, descrito em vários textos antigos, os devas e asuras cooperam para obter o néctar da imortalidade. Entre os tesouros que emergem do oceano está a própria deusa Lakshmi, resplandecente, sentada sobre uma flor de lótus.

Essa narrativa aparece em diferentes versões nos Puranas, incluindo o Padma Purana, que associa o surgimento de Lakshmi ao período de Kartika. Algumas tradições interpretam esse momento como simbolicamente conectado ao início das celebrações de Diwali, quando a prosperidade e a ordem retornam ao mundo.
Outra tradição igualmente difundida afirma que a noite principal de Diwali marca o momento em que Lakshmi escolhe Vishnu como seu consorte, selando a união entre prosperidade (Lakshmi) e preservação da ordem cósmica (Vishnu). Esse simbolismo reforça a ideia de que riqueza, para ser duradoura, deve estar alinhada ao dharma, à ética e ao equilíbrio.

Assim, dentro dessa tradição, Diwali não celebra apenas riqueza material, mas a prosperidade justa, conquistada por meios corretos e usada para sustentar a família, a sociedade e a ordem moral. Cada lâmpada acesa durante a Lakshmi Puja representa não apenas abundância, mas também clareza, disciplina e responsabilidade — valores centrais associados à presença da deusa no lar.

Lakshmi surge do oceano durante o Samudra Manthana, sentada sobre um lótus, simbolizando prosperidade, ordem e harmonia que emergem do caos cósmico
A deusa Lakshmi emerge do oceano durante o Samudra Manthana, a agitação do oceano cósmico, conforme descrito nos textos purânicos

Para os jainistas, Diwali marca um dos acontecimentos mais sagrados de sua tradição: o nirvana (libertação final) de Mahavira, o 24º tirthankara. Nirvana é o estado de libertação definitiva da alma, no qual cessam o ciclo de nascimentos e mortes (samsara), o sofrimento e o apego, sendo alcançado por meio do conhecimento, da disciplina e da conduta ética. Já um tirthankara é um mestre espiritual iluminado no Jainismo que descobre e ensina o caminho para essa libertação, servindo como um “construtor de pontes” para que outros também alcancem o mesmo estado.

Segundo a tradição jainista, Mahavira alcançou o nirvana em Pavapuri, localizada no atual estado de Bihar, no leste da Índia, na noite de lua nova do mês de Kartika — a mesma data em que Diwali é celebrado em grande parte do país. Esse evento é tradicionalmente datado de 527 a.C. (com pequenas variações cronológicas entre diferentes escolas jainistas).

Para os jainistas, esse momento representa o fim definitivo do ciclo de renascimentos e a conquista do conhecimento absoluto. Por isso, a luz acesa durante Diwali simboliza a continuidade da sabedoria após a libertação do mestre, reforçando que o verdadeiro significado do festival, nessa tradição, está na iluminação interior e na libertação espiritual.

De acordo com os textos jainistas, após o nirvana de Mahavira, o mundo entrou simbolicamente em um período de escuridão espiritual. Para marcar que o conhecimento e a sabedoria não haviam desaparecido com sua partida, discípulos e seguidores acenderam lâmpadas. Esse gesto transformou a luz no principal símbolo jainista de Diwali — não como prosperidade material, mas como continuidade da consciência e da verdade. Essa tradição é registrada em escrituras como o Kalpasutra.

As celebrações jainistas de Diwali são marcadas por simplicidade, disciplina e introspecção. Em vez de festas ruidosas, muitos jainistas observam jejum, meditação, silêncio ritual e leitura das escrituras. Templos e lares são iluminados com lamparinas como um lembrete constante da busca pela libertação da alma (moksha).

Mahavira alcança o nirvana na noite de lua nova de Kartika, data celebrada pelos jainistas durante o período de Diwali
Mahavira, o 24º tirthankara do Jainismo, alcança o nirvana em Pavapuri na lua nova de Kartika — momento lembrado pelos jainistas durante Diwali como a vitória do conhecimento sobre a ignorância

No dia seguinte a Diwali, os jainistas celebram Gyan Panchami, uma data dedicada exclusivamente ao estudo e à veneração do conhecimento. Nesse dia, manuscritos antigos são limpos, textos sagrados são lidos e o aprendizado é exaltado como o caminho supremo para a libertação. Essa continuidade reforça que, no Jainismo, Diwali não é um fim, mas o início de um ciclo de aprofundamento espiritual.

Para os jainistas, Diwali é um lembrete anual dos princípios centrais da tradição: ahimsa (não violência), autocontrole, desapego e responsabilidade moral. A luz celebrada não é externa, mas interior — a iluminação da mente e da conduta. Assim, o Diwali jainista oferece uma perspectiva única dentro do mosaico cultural indiano, mostrando como um mesmo festival pode carregar significados profundamente distintos, unidos pela simbologia universal da luz.

Para os sikhs, Diwali coincide com Bandi Chhor Divas, uma data de enorme significado histórico e espiritual. Ela celebra a libertação de Guru Hargobind Sahib, o sexto Guru do Sikhismo, que esteve preso pelo imperador mogol Jahangir no Forte de Gwalior, no início do século XVII. A libertação de Guru Hargobind não foi apenas pessoal: ele se recusou a sair sozinho e garantiu também a libertação de 52 príncipes hindus que estavam detidos injustamente.

Esse episódio deu origem ao nome Bandi Chhor Divas, que significa literalmente o dia da libertação dos prisioneiros — um símbolo poderoso de justiça, coragem moral e defesa da liberdade.

Segundo a tradição sikh, após sua libertação, Guru Hargobind Sahib chegou a Amritsar no dia de Diwali. Para celebrar seu retorno, o Templo Dourado foi iluminado com inúmeras lâmpadas, criando uma visão que permanece até hoje como uma das imagens mais emblemáticas do Diwali sikh.
Desde então, a iluminação do Templo Dourado durante Diwali tornou-se uma tradição contínua. A luz, nesse contexto, simboliza libertação, justiça e responsabilidade moral, valores centrais do Sikhismo.

Guru Hargobind Sahib confronta o imperador Jahangir na corte mogol e exige a libertação dos príncipes hindus presos
Guru Hargobind Sahib enfrenta o imperador Jahangir e garante a libertação de 52 príncipes hindus, episódio lembrado no Sikhismo como Bandi Chhor Divas, celebrado durante o período de Diwali como símbolo de justiça e libertação

Diferentemente de outras tradições, o foco do Diwali sikh não está na vitória de uma divindade sobre um demônio ou na prosperidade material, mas na libertação da opressão e no dever ético do líder. Guru Hargobind Sahib é lembrado como o ideal de autoridade justa — alguém que combina espiritualidade com responsabilidade social.

As celebrações incluem orações coletivas, kirtans (cânticos devocionais), leitura das escrituras sikh e atos de caridade, reforçando que a verdadeira luz é aquela que liberta, protege e eleva a comunidade.

Embora muitas inscrições antigas não utilizem explicitamente o nome “Diwali”, diversas fontes epigráficas hindus mencionam o ritual de Kartika Deepa — o acendimento de lâmpadas no mês de Kartika — prática hoje inseparável do festival. Inscrições dos períodos Gupta e pós-Gupta (séculos IV–VII) registram doações regulares de óleo para lâmpadas em templos durante Kartika, feitas por reis, nobres e comerciantes.

Esses registros estão associados ao Império Gupta, cujo território abrangia grande parte do norte e centro da Índia, correspondendo hoje principalmente aos atuais estados de Uttar Pradesh, Bihar, Madhya Pradesh, Jharkhand e partes de Rajasthan, Gujarat e Bengala Ocidental. No período pós-Gupta, práticas semelhantes continuaram sob reinos regionais nessas mesmas áreas.

Essas inscrições demonstram que iluminar templos, ruas e espaços sagrados já era um ritual institucionalizado, frequentemente patrocinado pelo poder político e pelas elites urbanas, muito antes de Diwali assumir uma forma mais unificada e pan-indiana.

Na literatura cortesã do século VII, Banabhatta, autor do Harshacharita, descreve festivais noturnos realizados durante o reinado do imperador Harsha, marcados por iluminação pública, música, celebrações urbanas e ampla participação popular. O reino de Harsha estendia-se pelo norte da Índia, abrangendo regiões que hoje correspondem principalmente aos atuais estados de Uttar Pradesh, Haryana, Bihar e partes de Madhya Pradesh. Embora Banabhatta não utilize explicitamente o termo Deepavali, suas descrições correspondem claramente a festivais de luz celebrados no mês de Kartika.

Essas referências indiretas ganham maior clareza quando comparadas com o Nagananda, uma peça teatral composta pelo próprio imperador Harsha, na qual o festival é nomeado diretamente como Dīpapratipadotsava — um evento caracterizado pelo acendimento ritual de lâmpadas. Assim, o Harshacharita oferece o contexto descritivo, enquanto o Nagananda fornece a identificação explícita do festival, juntos reforçando a existência de celebrações luminosas associadas ao período de Kartika na Índia do século VII.

O poeta clássico Kalidasa (séculos IV–V) não menciona Diwali nominalmente, mas obras como o Raghuvamsha descrevem cidades decoradas com lâmpadas, celebrações noturnas reais e o uso ritual da luz como símbolo de prosperidade, ordem e legitimidade do poder. Esses elementos são citados por estudiosos como evidência do ambiente ritual que mais tarde se cristalizou em Diwali.

Além de Al Biruni, diversos cronistas islâmicos registraram festivais indianos marcados por intensa iluminação noturna e grandes celebrações coletivas. O historiador árabe Al Masudi, em suas obras do século X, descreveu costumes religiosos na Índia que envolviam luzes, reuniões públicas e celebrações noturnas. Embora esses autores não utilizem o termo Deepavali, as práticas observadas coincidem claramente com os rituais da lua nova do mês de Kartika, indicando uma observação externa contínua do núcleo simbólico do festival.

Ainda no campo das fontes estrangeiras, o monge budista chinês Xuanzang, que visitou a Índia entre 629 e 645 d.C., registrou em seu relato de viagem 大唐西域記 (Registros da Grande Dinastia Tang sobre as Regiões Ocidentais) a existência de grandes festivais religiosos noturnos, com cidades e espaços sagrados iluminados por lâmpadas. Embora Xuanzang não mencione Diwali pelo nome, historiadores associam suas descrições a festivais de Kartika, reforçando a antiguidade das celebrações luminosas na Índia já no século VII.

O monge chinês Xuanzang observa festivais indianos com iluminação noturna durante sua viagem pela Índia no século VII
O monge chinês Xuanzang observa festivais indianos com iluminação noturna durante sua viagem pela Índia no século VII

Os textos jainistas antigos não mencionam Diwali pelo nome, mas registram um acontecimento central ocorrido na mesma data: o nirvana de Mahavira, na lua nova do mês de Kartika. Segundo a tradição, para marcar que o conhecimento não se extinguiu com a libertação do mestre, discípulos acenderam lâmpadas, estabelecendo a luz como símbolo da sabedoria.

Essa tradição é registrada no Kalpasutra (séculos IV–V d.C.), com referências éticas complementares no Uttaradhyayana Sutra (séculos II a.C.–II d.C.). Assim, para os jainistas, Diwali está associado à libertação espiritual e à continuidade do conhecimento, um significado preservado desde a Antiguidade.

Durante o Império Mogol, Diwali aparece em crônicas e registros administrativos da corte. Sob Akbar, festivais hindus, incluindo Diwali, foram incorporados ao calendário imperial (Tarikh-i-Ilahi), e pinturas da corte mostram palácios e cidades iluminadas durante festivais de outono associados à celebração.

Esse cenário mudou no reinado de Aurangzeb, quando festivais hindus como Diwali foram proibidos e reprimidos, com restrições às celebrações públicas. Ainda assim, o festival continuou a ser praticado em âmbito privado, demonstrando sua profunda raiz cultural e resiliência histórica.

A partir do século XV, viajantes europeus forneceram descrições diretas e detalhadas de Diwali. O mercador veneziano Niccolò de’ Conti observou cidades indianas cobertas por inúmeras lâmpadas de óleo em templos, telhados e espaços públicos, mantidas acesas continuamente, além de famílias reunidas com roupas novas, música, dança e banquetes.

No século XVI, o viajante português Domingo Paes descreveu a celebração de Dipavali no Império Vijayanagara, situado no sul da Índia — região que hoje corresponde principalmente ao estado de Karnataka, com influência também sobre áreas dos atuais Andhra Pradesh, Telangana e Tamil Nadu. Segundo seus relatos, durante o mês de outubro, casas e templos eram intensamente iluminados, evidenciando a profunda importância do festival no sul do subcontinente indiano.

Relatos britânicos dos séculos XVII e XVIII — de comerciantes, administradores coloniais e missionários — também mencionam “festivais de lâmpadas” no outono lunar, com cidades iluminadas por óleo e grandes reuniões familiares. Ainda que nem sempre usem o nome Diwali, as descrições coincidem em data e práticas, mostrando a continuidade do festival sob observação europeia..

Além do aspecto espiritual, Diwali fortalece os laços familiares. Rituais e tradições são passados de geração em geração.As orações, chamadas ‘pujas‘, são realizadas em devoção a deuses como Lakshmi, a deusa da riqueza. Elas expressam os valores e esperanças das famílias para o futuro.

Celebrar Diwali vai além da religião. É uma forma de reforçar laços comunitários. Promove a harmonia, o respeito e a cooperação entre vizinhos e amigos.

O festival também celebra a generosidade. A distribuição de doces e presentes cria um sentimento de solidariedade. Compartilhar felicidade e prosperidade fortalece os laços sociais. Eleva o espírito individual e promove uma sensação coletiva de alegria e otimismo.

Diferentes variedades de doces tradicionais são compartilhadas entre amigos e famílias durante as celebrações de Diwali
Durante Diwali, uma grande variedade de doces tradicionais é preparada e compartilhada entre amigos, vizinhos e familiares, simbolizando alegria, generosidade e união

Diwali transcende suas raízes religiosas. Tornou-se um símbolo universal de luz, esperança e união. O festival lembra a importância de celebrar tanto os laços espirituais quanto os humanos. Ele inspira fé, gratidão e amor na comunidade.

O primeiro dia de Diwali, conhecido como Dhanteras — também chamado Dhantrayodashi — é dedicado à prosperidade, à saúde e à renovação positiva. A data ocorre no décimo terceiro dia lunar (trayodashi) da quinzena escura do mês de Kartika. Tradicionalmente, famílias compram metais preciosos, joias ou utensílios novos para o lar, acreditando que esse gesto simbólico atrai abundância, estabilidade e boas energias para o novo ciclo que se inicia.

Dhanteras está intimamente associado a Dhanvantari, considerado o divino curador e a fonte do conhecimento da medicina tradicional indiana. Segundo a tradição, Dhanvantari emergiu do Samudra Manthana — a agitação do oceano cósmico — trazendo o pote de amruta, o néctar da imortalidade, além dos fundamentos do saber que mais tarde se desenvolveriam como Ayurveda. Por isso, o dia é dedicado não apenas à riqueza material, mas sobretudo à saúde, longevidade e bem-estar.
Além das compras simbólicas, muitas famílias realizam orações a Lakshmi e a Dhanvantari, pedindo prosperidade acompanhada de equilíbrio físico e mental. É comum também acender lamparinas ao entardecer, como sinal de gratidão e acolhimento da energia positiva.

Entre os jainistas, Dhanteras possui igualmente importância especial, sendo observado como um dia de disciplina, reflexão e preparação espiritual para Diwali, que culmina no nirvana de Mahavira. Assim, Dhanteras marca o início do festival de forma ampla e inclusiva, unindo saúde, prosperidade e consciência ética.

Durante Dhanteras e Diwali, estima-se que a compra de ouro na Índia movimente cerca de US$ 18 bilhões
Durante Dhanteras e Diwali, estima-se que a compra de ouro na Índia movimente cerca de US$ 20 bilhões

Conhecido como Choti Diwali, este segundo dia celebra a vitória do bem sobre o mal, lembrando a derrota do demônio Narakasura pelo deus Krishna. As casas são cuidadosamente limpas e decoradas com diyas e lanternas para afastar energias negativas. Muitas pessoas realizam pequenos rituais matinais e preparam doces e petiscos tradicionais, criando um clima de expectativa para o dia principal do festival.

Yama Deepam é um ritual tradicional associado a Diwali, especialmente observado no sul da Índia. Consiste em acender uma lamparina dedicada a Yama, o senhor da morte e da justiça, geralmente no entardecer de Naraka Chaturdashi, o dia que antecede o Diwali principal.

A lamparina é colocada fora da casa, muitas vezes ao sul da entrada, direção simbolicamente ligada a Yama. O gesto representa um pedido de proteção, longevidade e afastamento de infortúnios, reconhecendo o ciclo da vida e da morte como parte da ordem cósmica. Assim, Yama Deepam acrescenta uma dimensão de introspecção a Diwali, lembrando que a luz celebrada no festival não é apenas alegria e prosperidade, mas também consciência, equilíbrio e respeito pela vida.

O terceiro dia é o coração do festival de Diwali, simbolizando luz, alegria e renovação. Ele ocorre na noite de Amavasya, a lua nova do mês de Kartika, considerada tradicionalmente a noite mais escura desse período lunar — um detalhe que reforça ainda mais o simbolismo do acendimento das luzes.
Nessa noite, famílias acendem diyas (lamparinas) em todos os cômodos da casa, decoram entradas com rangolis coloridos e trocam presentes. É um momento de reencontro com amigos e familiares, de compartilhar doces e fortalecer laços comunitários. A principal prática espiritual do dia é a Lakshmi Puja, realizada para invocar Lakshmi, pedindo prosperidade, harmonia e boa sorte para o ano que se inicia.

Fogos de artifício, celebrações noturnas e cidades inteiras iluminadas marcam a atmosfera festiva. O contraste entre a noite mais escura de Kartika e a abundância de luzes transforma Diwali em uma poderosa expressão visual e espiritual da ideia central do festival: mesmo na escuridão mais profunda, a luz da esperança e da consciência prevalece.

Fogos de artifício coloridos no céu à noite
Fogos iluminam o céu em uma noite festiva

O quarto dia de Diwali, conhecido como Govardhan Puja ou Annakut, celebra a proteção divina, a abundância da natureza e a gratidão coletiva. A data está ligada ao episódio em que Krishna protegeu os moradores da aldeia ao erguer o monte Govardhan, ensinando a importância da humildade, da devoção e do respeito às forças naturais.

Nesse dia, devotos preparam o Annakut, literalmente “montanha de alimentos” — uma grande variedade de pratos vegetarianos, doces e preparações tradicionais dispostas como oferenda. A diversidade de alimentos simboliza fartura, cooperação comunitária e o reconhecimento de que a prosperidade vem do equilíbrio entre o ser humano, a natureza e o divino.

Govardhan Puja também é um momento de reunião familiar e comunitária, no qual a gratidão ocupa lugar central. O ritual relembra que a verdadeira abundância não está apenas na riqueza material, mas na partilha, na sustentabilidade e no cuidado com o meio ambiente — valores que tornam este dia um dos mais significativos e simbólicos do ciclo de Diwali.

Krishna celebra Govardhan Puja com os moradores da vila, conforme narrado nas tradições ligadas ao período de Diwali
Krishna celebra Govardhan Puja com os moradores da vila, conforme narrado nas tradições ligadas ao período de Diwali

O último dia, Bhai Dooj, é dedicado aos laços entre irmãos e irmãs. As irmãs realizam rituais e orações pela segurança, saúde e sucesso dos irmãos, aplicando tilak na testa deles. Em troca, recebem presentes e bênçãos. Este dia fortalece os laços familiares, simbolizando carinho, proteção e compromisso entre irmãos e irmãs, encerrando o festival com afeto e celebração da união familiar.

Abaixo está um lindo bhajan da deusa Lakshmi que é cantado em todas as famílias durante o Diwali.

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No norte da Índia, Diwali está fortemente associado ao culto do deus Rama. A vitória de Rama sobre o demônio Ravana é comemorada com diyas (lamparinas de óleo), fogos de artifício e encenações de episódios do Ramayana.

Em Uttar Pradesh, especialmente em cidades como Ayodhya, as ruas e templos são decorados com milhares de lâmpadas, recriando a chegada de Rama após seu exílio de 14 anos. É comum ver famílias reunidas para rezar e oferecer doçuras tradicionais, como ladoos e barfis, fortalecendo os laços familiares.

Em Punjab, o festival coincide com Bandi Chhor Divas, celebrado pelos sikhs, simbolizando a libertação do Guru Hargobind Ji. Assim, Diwali ganha uma dimensão dupla de significado religioso e cultural.

Em estados como Rajasthan, Haryana e Bihar, além das tradições religiosas, o festival é marcado por mercados movimentados, troca de presentes e pratos típicos, como samosas e kachoris. Casas e templos recebem rangolis coloridos, flores e incensos, criando um ambiente de luz, aroma e alegria.

Assim como as luzes do Diwali iluminam os lares, o aroma crocante do samosa e dos doces tradicionais traz aconchego e sabor à celebração, enquanto a jalebi, com seus fios dourados embebidos em calda perfumada, simboliza doçura, abundância e alegria, envolvendo a festa em um clima de partilha, prosperidade e celebração coletiva.

Diyas acesos cuidadosamente dispostos ao redor de um belo rangoli colorido
Diyas iluminando e embelezando o rangoli durante as celebrações de Diwali

No sul da Índia, o festival é conhecido como Deepavali, e a adoração à deusa Lakshmi é central, simbolizando riqueza, prosperidade e bênçãos para o ano que se inicia. As famílias realizam pujas detalhadas, limpam e decoram suas casas com diyas, flores e rangolis coloridos, acreditando que isso atrai boas energias e afasta a negatividade.

Em Tamil Nadu, a limpeza da casa antes do festival é uma tradição essencial, acompanhada da preparação de pratos típicos como chakli, murukku e boondi, que são oferecidos durante as orações.

Em Karnataka, as famílias decoram suas casas com flores e folhas de mangueira, e é comum distribuir doçuras como holige e karigadubu, enquanto fogos de artifício marcam a noite de celebração.

Em Andhra Pradesh e Telangana, além das pujas, as crianças recebem moedas e doces, e grandes mercados se enchem de doces e roupas novas para a ocasião. A tradição de acender diyas simboliza a iluminação do conhecimento e a vitória da luz sobre a escuridão.

Em Kerala, embora Diwali não seja tão popular quanto Onam, comunidades que celebram o festival também decoram templos e casas, realizam pujas de Lakshmi e preparam doces típicos, mantendo viva a essência do Deepavali.

Assim, no sul da Índia, cada estado adiciona sabores, cores e rituais próprios, mas todos compartilham o espírito de prosperidade, união familiar e alegria iluminada.

Um belo rangoli colorido desenhado no chão para a celebração de Diwali
Rangoli encantador no chão, trazendo cor e alegria para o Diwali

No leste da Índia, especialmente em Bengala Ocidental, Diwali coincide com a celebração da deusa Kali, e as famílias constroem altares elaborados, oferecendo doces, frutas e flores durante as pujas. A combinação das luzes brilhantes com os rituais religiosos cria uma atmosfera única, espiritual e vibrante.

Em Odisha, o festival é chamado de Deepavali, e o foco é a vitória do bem sobre o mal, com diyas acesas, fogos de artifício e a preparação de pratos típicos como khaja e Rasgulla. As famílias também visitam templos locais para oferecer orações à deusa Lakshmi.

Em Assam e Bihar, Diwali é celebrado com a limpeza das casas, decorações coloridas e encontros familiares. Pratos tradicionais e doces como laddus e pithas são preparados, enquanto a iluminação de diyas simboliza a iluminação do conhecimento e o afastamento das trevas.

No Jharkhand e Tripura, o festival inclui rituais comunitários e pequenas procissões, além da troca de presentes e orações coletivas, reforçando laços sociais e culturais.

Assim, no leste da Índia, cada estado acrescenta toques regionais, mas todos compartilham a essência de luz, prosperidade e união familiar, tornando Diwali um festival diversificado e profundamente significativo.

No oeste da Índia, incluindo Maharashtra e Gujarat, Diwali é celebrado com grande entusiasmo e cores vibrantes. Em Maharashtra, as famílias acendem diyas e realizam pujas à deusa Lakshmi, pedindo prosperidade e proteção. As casas são cuidadosamente decoradas com lanternas coloridas, flores e rangolis, criando um ambiente alegre e iluminado que simboliza a vitória da luz sobre a escuridão.

Em Gujarat, o festival ganha um toque cultural especial com danças tradicionais, como a Garba, realizadas durante noites festivas. A troca de doces e presentes entre vizinhos e familiares reforça a união comunitária e o espírito de partilha. Embora o Garba seja lembrado principalmente durante o Navratri, sua energia e alegria também ecoam no Diwali, adicionando vivacidade e movimento às celebrações.

Além disso, fogos de artifício iluminam o céu, criando momentos de espetáculo e diversão para todas as idades. Mercados se enchem de cores, cheiros de doces e especiarias, e as ruas se transformam em verdadeiros cenários de festa. Essa combinação de tradição, dança, luzes e gastronomia faz do Diwali no oeste da Índia uma experiência única, que mistura devoção religiosa, cultura popular e alegria coletiva.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, celebra Diwali na Casa Branca em 2019 durante um evento oficial
O presidente norte-americano Donald Trump participa da celebração de Diwali na Casa Branca em 2019
Foto: Official White House

Com a diáspora indiana, Diwali tornou-se um festival global. Hoje, é feriado oficial ou amplamente reconhecido em diversos países com grandes comunidades sul-asiáticas, e integra calendários culturais e institucionais ao redor do mundo.
No Reino Unido, cidades como Leicester e Londres realizam grandes celebrações públicas. No Canadá, Diwali é oficialmente reconhecido em várias províncias e celebrado por escolas e instituições. Nos Estados Unidos, o festival ganhou destaque nacional: celebrações ocorrem em universidades, governos locais e, de forma simbólica, na Casa Branca, onde presidentes norte-americanos costumam acender um diya em eventos oficiais de Diwali.
Esse reconhecimento institucional reflete o alcance contemporâneo do festival. Diwali, hoje, é tanto uma celebração religiosa quanto um marco cultural internacional, associado a diversidade, inclusão e diálogo entre comunidades — uma luz que atravessa fronteiras.

O presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, e a primeira-dama Jill Biden celebram Diwali na Casa Branca em 2023
O presidente norte-americano Joe Biden e a primeira-dama Jill Biden participam da celebração de Diwali na Casa Branca em 2023
Foto: Official White House

Diwali não é apenas um festival espiritual e cultural.Ele também movimenta significativamente a economia local e nacional.Durante o período, observa-se aumento nas vendas de roupas, eletrônicos, decoração e alimentos.

O varejo registra alta nas transações, refletindo o entusiasmo dos consumidores para as celebrações.

A Lakshmi Puja simboliza riqueza, prosperidade e novos começos financeiros.Famílias realizam rituais para atrair sorte e abundância durante o festival. Comerciantes e empresários percebem aumento na demanda por produtos e serviços. Promoções e ofertas especiais incentivam ainda mais o consumo, impulsionando as vendas.

Durante Diwali, grandes quantidades de roupas, acessórios, utensílios domésticos e itens decorativos são vendidos nos mercados indianos
Durante o período de Diwali, mercados e lojas registram vendas expressivas de roupas novas, acessórios, utensílios domésticos e itens decorativos, refletindo a importância econômica e cultural do festival

Historicamente, investidores realizam movimentações estratégicas antes e durante Diwali. O aumento na compra de ações reflete otimismo econômico e alinhamento cultural. O festival influencia não apenas o consumo, mas também investimentos pessoais e empresariais.Muitos veem a ocasião como oportunidade de prosperidade e crescimento financeiro.

O aumento da atividade econômica gera empregos e fortalece o comércio local. As comunidades se beneficiam de maior engajamento e circulação financeira. Diwali se torna, portanto, não só um festival de luz, mas também um catalisador econômico. O período destaca a conexão entre cultura, espiritualidade e desenvolvimento financeiro.

Diwali é muito mais do que um festival: é uma celebração que integra tradição, espiritualidade e alegria coletiva, atravessando séculos de história e se renovando a cada geração. Ao iluminar casas, ruas e templos, o festival também reforça valores essenciais como união familiar, amor, gratidão, solidariedade e respeito, lembrando que a verdadeira luz nasce de atitudes e escolhas conscientes.

Além de seu profundo significado cultural e espiritual, Diwali possui um impacto econômico e social expressivo. O período impulsiona o comércio, o artesanato, a produção de doces tradicionais, a decoração e o setor de serviços, ao mesmo tempo em que estimula práticas de generosidade, doações e apoio comunitário. Para muitos, é também um momento de novos começos, balanço do ano que passou e renovação de compromissos pessoais e profissionais.

Com a diáspora indiana, a celebração de Diwali ultrapassou fronteiras e hoje ilumina cidades ao redor do mundo, mantendo vivas as tradições indianas mesmo longe da terra natal. Em cada país, o festival adapta-se ao contexto local sem perder sua essência, tornando-se uma ponte cultural entre povos e gerações.
Em sua essência, Diwali é uma expressão universal de esperança, prosperidade e renovação. É um convite para afastar a escuridão — interna e externa — e reafirmar, ano após ano, que a luz, quando compartilhada, se torna ainda mais forte.

Perguntas Frequentes

O que é Diwali e por que é chamado de Festival das Luzes?

Diwali é um dos principais festivais da Índia e simboliza a vitória da luz sobre a escuridão. O acendimento de lamparinas representa esperança, conhecimento e renovação espiritual.

Qual é a origem histórica do Diwali?

Diwali tem origens múltiplas, incluindo o retorno de Rama a Ayodhya, a vitória de Krishna sobre Narakasura e tradições ligadas a Lakshmi, Jainismo e Sikhismo.

Quando Diwali é celebrado e por que a data muda?

Diwali ocorre na lua nova do mês de Kartika, segundo o calendário lunar hindu. Por isso, a data varia todos os anos entre outubro e novembro.

Por que as pessoas acendem diyas em Diwali?

As diyas simbolizam o afastamento da ignorância e a entrada da luz do conhecimento. Elas são acesas especialmente na noite mais escura de Kartika.

Há diferença entre Diwali e Deepavali?

Não. “Diwali” é uma forma popular do norte da Índia, enquanto “Deepavali” vem do sânscrito e é comum no sul, ambos significando “fileira de luzes”.

Por que Lakshmi é adorada durante Diwali?

Lakshmi é a deusa da prosperidade e acredita-se que visita lares limpos e iluminados durante Diwali. A adoração busca riqueza acompanhada de harmonia e equilíbrio.

Como Diwali é celebrado em diferentes regiões da Índia?

As tradições variam: no norte, celebra-se Rama; no sul, Krishna e Narakasura; no oeste, a prosperidade; e no leste, rituais comunitários locais.

O que Diwali significa para jainistas e sikhs?

Para jainistas, marca o nirvana de Mahavira; para sikhs, coincide com Bandi Chhor Divas, celebrando a libertação de Guru Hargobind Sahib.

Por que Dhanteras é celebrado antes de Diwali?

Dhanteras marca o início do festival e está ligado à saúde e prosperidade. É tradicional comprar ouro, metais ou utensílios nesse dia.

Diwali é celebrado fora da Índia?

Sim. Diwali é celebrado globalmente, com reconhecimento oficial em vários países e eventos em locais como a Casa Branca e grandes capitais.

Qual é o impacto econômico de Diwali?

Diwali movimenta bilhões de dólares em setores como ouro, roupas, doces, eletrônicos e decoração, sendo um dos períodos mais importantes da economia indiana.

Quantos dias dura o festival de Diwali?

Diwali dura cinco dias: Dhanteras, Naraka Chaturdashi (Choti Diwali), Diwali/Deepavali (Lakshmi Puja), Govardhan Puja (Annakut) e Bhai Dooj. Cada dia possui rituais e significados próprios ligados à prosperidade, luz e união familiar.

Quando é o Diwali em 2026 e quando o festival começa?

Em 2026, o Diwali será celebrado no dia 8 de novembro, um domingo. O festival começa dois dias antes, com Dhanteras em 6 de novembro (sexta-feira), seguido por Naraka Chaturdashi ou Choti Diwali em 7 de novembro (sábado). Após o Diwali, as celebrações continuam com Govardhan Puja em 9 de novembro e Bhai Dooj em 10 de novembro.