
Introdução
A Pandharpur Wari, também conhecida como Pandharpur Yatra ou simplesmente Wari, é uma das maiores peregrinações religiosas de Maharashtra. Todos os anos, milhões de devotos percorrem longas distâncias a pé até Pandharpur para celebrar Ashadhi Ekadashi e prestar homenagem a Vithoba, também chamado de Panduranga, uma forma de Krishna profundamente venerada no estado. Com raízes que remontam a mais de 700 anos, a Wari continua sendo uma importante expressão de devoção, cultura e identidade marata, reunindo pessoas de diferentes origens em uma jornada coletiva.
Neste artigo, vamos conhecer a história da Wari, seu significado espiritual, os santos associados à tradição, o percurso da peregrinação e suas principais celebrações.
Quando a Pandharpur Wari é realizada
A Pandharpur Wari segue um calendário ritual profundamente enraizado no sistema lunissolar tradicional da Índia e culmina sempre no sagrado dia de Ashadhi Ekadashi — o décimo primeiro dia (Ekadashi) da quinzena clara (Shukla Paksha) do mês lunar de Ashadha. No calendário gregoriano, essa data ocorre geralmente entre o final de junho e o mês de julho, variando de ano para ano conforme os ciclos da Lua, mas mantendo-se invariavelmente dentro desse período.
A Wari não se resume a um único dia. A peregrinação começa semanas antes. Em termos recentes, em 2025, a Pandharpur Wari ocorreu de 18 de junho a 6 de julho, culminando no dia sagrado de Ashadhi Ekadashi em 6 de julho de 2025. Já em 2026, a peregrinação está programada para ocorrer de 19 de junho a 7 de julho de 2026, com o término no dia de Ashadhi Ekadashi em 7 de julho.
Quem é o deus Vithoba
Na tradição espiritual de Maharashtra, Vithoba — também chamado de Panduranga ou Vitthal — é compreendido como uma manifestação compassiva de Krishna e, portanto, de Vishnu. Enquanto Krishna costuma ser associado à alegria cósmica, à música, à dança e aos episódios pastorais de Vrindavan — incluindo o momento em que ergue o monte Govardhan para proteger seu povo — Vithoba expressa uma dimensão diferente do divino: o deus que permanece, que espera, que não se afasta. Se Krishna se move para agir e intervir, Vithoba se mantém firme, em pé, com as mãos apoiadas nos quadris, olhando diretamente para o devoto.
Para os warkaris, peregrinos da Pandharpur Wari, Vithoba representa uma forma próxima e acessível do divino. Sua devoção está associada à igualdade espiritual, à humildade e à importância da devoção sincera, princípios que tiveram papel central no movimento Bhakti de Maharashtra. O centro dessa tradição é Pandharpur, onde está localizado o templo de Vithoba. Durante a Wari, milhares de peregrinos percorrem longas distâncias até a cidade, fazendo da jornada uma parte essencial da própria experiência de devoção.

História do Templo de Vithoba
As origens do Templo de Vithoba em Pandharpur são antigas e pouco documentadas, mas registros sugerem que o local já era um centro de culto antes do século XII. A tradição indica que o templo começou a ganhar forma durante o período das dinastias Rashtrakuta e Yadava de Devagiri, que promoveram a devoção a Vithoba entre os séculos IX e XIII.
A estrutura atual foi ampliada principalmente durante o governo dos Yadavas (séculos XII–XIII), especialmente sob o rei Ramadevarava (Ramachandra Yadava), que é frequentemente associado ao desenvolvimento do templo e ao fortalecimento da peregrinação.
Nos séculos seguintes, várias reformas e expansões foram feitas por governantes locais, chefes maratas e devotos influentes, garantindo a preservação do santuário. Assim, o templo tornou-se um importante centro espiritual, profundamente ligado à tradição Bhakti e à peregrinação anual da Wari.

Origens e História da Panduranga Yatra
Por que Pandharpur virou o centro da devoção
A adoração a Vithoba em Pandharpur remonta ao período medieval, embora evidências sugiram que seu culto seja ainda mais antigo. Tradições orais e textos hagiográficos indicam que sua imagem, representada em pé com as mãos apoiadas na cintura, já era reverenciada por comunidades locais antes do século XI. Pandharpur consolidou-se como o coração espiritual de Maharashtra por razões geográficas, históricas e culturais. A cidade está situada às margens do rio Bhima, conhecido localmente como Chandrabhaga devido ao seu traçado curvo em forma de lua crescente, o que conferiu à região um caráter sagrado desde tempos antigos. Ao longo dos séculos, o local se tornou um ponto de encontro de devoção coletiva, atraindo peregrinos em busca da presença benevolente de Vithoba e da purificação ritual proporcionada pelo rio.
A Transformação do Bhakti
Entre os séculos XIII e XVII, os santos do movimento Bhakti deram forma à devoção a Vithoba em Maharashtra. A sant parampara (linhagem ou tradição dos santos), com figuras como Dnyaneshwar, Tukaram, Namdev, Eknath, Chokhamela e Janabai, uniu devoção, ética e dharma, valorizando uma vida justa e sincera.
Por meio dos abhangas (hinos devocionais em versos) e dos bhajans (cânticos devocionais), especialmente os de Tukaram, esses santos difundiram uma devoção simples e acessível, enfatizando a igualdade e a dignidade da vida cotidiana. Desse legado surgiu a Wari como uma expressão viva do Bhakti, na qual a caminhada coletiva, os cânticos e a devoção a Vithoba se tornaram símbolos de humildade, fraternidade e igualdade.

Durante os Sultanatos do Decão e o período mogol
Entre os séculos XVI e XVII, Pandharpur passou por períodos de instabilidade política. Em 1659, durante a campanha de Afzal Khan, general do Sultanato de Bijapur, a cidade foi ameaçada, e relatos indicam que os sacerdotes esconderam a imagem de Vithoba para protegê-la. No final do século XVII, os conflitos envolvendo Aurangzeb também atingiram a região. Apesar dessas turbulências, Pandharpur manteve sua importância como centro de devoção a Vithoba.
Durante os reinos maratas
Durante o período dos reinos maratas, entre os séculos XVII e XVIII, a Wari consolidou-se como uma importante expressão da identidade cultural de Maharashtra. O rei Shivaji Maharaj e, posteriormente, os Peshwas (altos ministros que governaram grande parte do Império Marata) estavam inseridos em uma sociedade na qual a devoção a Vithoba ocupava um lugar importante. Festivais como Gudi Padwa e Ganesh Chaturthi também ganharam força nesse período, sendo incentivados e celebrados como importantes expressões da cultura marata.
Nesse período, a peregrinação recebeu apoio e proteção, incluindo a manutenção de rotas, dharmashalas (abrigos para peregrinos) e a segurança dos grandes palkhis. Ainda assim, a Wari permaneceu uma tradição popular e descentralizada, organizada principalmente pelos próprios warkaris e pelas comunidades ligadas à tradição dos santos Bhakti.
No período colonial britânico
Sob o domínio britânico, a Pandharpur Wari enfrentou novos desafios. A administração colonial demonstrava desconfiança em relação a grandes ajuntamentos populares, sobretudo aqueles que escapavam ao controle burocrático. Ainda assim, a Wari nunca foi proibida formalmente.
Relatos de viajantes e oficiais britânicos do século XIX registram com surpresa a escala da peregrinação, a disciplina dos participantes e a ausência de coerção centralizada. Muitos observaram que milhares de pessoas caminhavam longas distâncias seguindo regras éticas autoimpostas sem necessidade de força policial ou autoridade externa. Esses registros tornaram-se alguns dos primeiros documentos escritos não indianos a descrever a Wari.
Ao mesmo tempo, o período colonial trouxe dificuldades econômicas, fome e migração, o que reduziu temporariamente o número de peregrinos em alguns anos. Ainda assim, mesmo em tempos de crise, a Wari nunca deixou de ocorrer, reforçando seu papel como âncora espiritual em momentos de instabilidade social. Para entender melhor os impactos do domínio britânico sobre a Índia, leia também nosso artigo sobre o período colonial e suas consequências para o país.
A Estrutura da Pandharpur Yatra e Seus Rituais
O conceito de “Dindi” e “Palkhi”
Dindi: a alma coletiva da caminhada
A Wari não é apenas um fluxo espontâneo de peregrinos; ela é sustentada por uma organização comunitária singular chamada dindi. Cada dindi corresponde a um grupo de devotos, muitas vezes provenientes da mesma vila ou ligados por uma tradição familiar. Esses grupos caminham juntos desde o primeiro dia até a chegada em Pandharpur, mantendo uma disciplina admirável que surpreende estudiosos, viajantes e administradores públicos.
Ao longo do percurso, os membros das dindis entoam abhangas, os poemas devocionais compostos pelos santos do movimento Bhakti, marcando o ritmo da jornada com tambores, címbalos e instrumentos típicos de Maharashtra. O grupo funciona como uma família espiritual: todos dividem comida, água, abrigo e responsabilidades, enquanto avançam em direção ao encontro com Vithoba.

Palkhi: o coração simbólico da peregrinação

No centro da peregrinação está a palkhi, o palanquim sagrado que transporta as relíquias e as padukas (as sandálias simbólicas) dos grandes santos, especialmente Sant Dnyaneshwar e Sant Tukaram. Ao serem levadas durante toda a caminhada até Pandharpur, elas transformam a peregrinação em um seguimento literal e espiritual dos santos do movimento Bhakti.
A palkhi de Dnyaneshwar parte da cidade de Alandi, enquanto a palkhi de Tukaram inicia seu percurso em Dehu — ambas cidades de Maharashtra que se tornam centros de profunda devoção durante a peregrinação. Essas rotas são seguidas há mais de setecentos anos, conectando vilas, tradições e gerações. A passagem dos palanquins pelas cidades é recebida com flores, cânticos, oferendas e profunda reverência, como se os próprios santos caminhassem junto aos devotos.

A Caminhada da Pandharpur Wari
A jornada física que se torna jornada espiritual
A peregrinação de Pandharpur, realizada anualmente entre junho e julho durante o período de Ashadhi Ekadashi, dura de dezoito a vinte e dois dias e cobre cerca de 250 a 350 quilômetros. A cada amanhecer, milhares de devotos retomam a caminhada, entoando o nome de Vithoba em ritmo contínuo. As tardes trazem pausa para descanso e refeições coletivas, e ao anoitecer formam-se grandes acampamentos nos vilarejos que recebem os peregrinos com generosidade.
O ambiente da Wari é de intensa união espiritual. Cantos devocionais, tambores e a poeira do caminho criam uma atmosfera vibrante. Bandeiras coloridas, as mhasalkar, orientam a procissão e simbolizam a fé que move a multidão.
Os rituais ao longo do caminho
Paduka Pujan: reverência diária aos santos
Entre os rituais mais importantes está o Paduka Pujan, a adoração às padukas — réplicas das sandálias dos santos. Essas sandálias simbolizam o caminho espiritual trilhado por eles e, ao mesmo tempo, a direção a seguir. Todos os dias, antes do início da marcha, as padukas são reverenciadas com flores, cânticos e oferendas, lembrando aos peregrinos que sua caminhada segue os passos daqueles que dedicaram a vida ao serviço do divino.

Dindi Seva: a prática viva da generosidade
Outro elemento fundamental da Wari é a Dindi Seva, o ato de servir os outros devotos ao longo da peregrinação. Muitas dindis organizam cozinhas comunitárias improvisadas, onde são preparadas refeições simples e gratuitas, com a distribuição constante de água, frutas e alimentos como samosas e vada pav, que ajudam a sustentar os caminhantes durante longos trechos da jornada. Além disso, oferecem espaços de descanso e apoio àqueles que enfrentam dificuldades físicas.
Esse espírito de serviço desinteressado, conhecido como annadana — a oferenda de alimento — é um dos pilares sociais da peregrinação e expressa, de forma concreta e cotidiana, a mensagem de amor, compaixão e igualdade defendida pelo movimento Bhakti.

Kirtan: a filosofia que se transforma em canto
Durante todo o percurso, kirtankars — narradores e cantores devocionais — conduzem sessões de kirtan, uma combinação de música, narrativa espiritual e ensinamentos filosóficos. Esses momentos oferecem inspiração e clareza espiritual aos peregrinos, relembrando histórias dos santos e episódios da vida de Vithoba.

Abhanga Gayan e danças tradicionais
O canto coletivo dos abhangas, chamado Abhanga Gayan, é uma das marcas mais inconfundíveis da Wari. O som de milhares de vozes entoando poemas seculares confere à peregrinação uma atmosfera hipnótica. Em alguns trechos, grupos realizam danças folclóricas como lezim e fugdi, expressões culturais que elevam o ânimo dos devotos e reforçam a alegria do caminho.

A entrada em Pandharpur
A chegada ao Chandrabhaga
O momento em que os wariyaris avistam Pandharpur é carregado de emoção. A travessia da ponte sobre o rio Chandrabhaga marca a última etapa da jornada. Muitos peregrinos mergulham nas águas do rio, acreditando que o banho ritual purifica corpo e mente antes da entrada no templo.
O encontro com Vithoba

Após o banho, forma-se uma longa fila que serpenteia pelas ruas estreitas até o templo principal. Ali, os devotos aguardam por horas — às vezes por um dia inteiro — para realizar o gesto conhecido como Charan Sparsha, o toque nos pés da ídolo de Vithoba. Esse momento é considerado o ápice espiritual da peregrinação, o instante em que a caminhada se completa e o devoto se encontra simbolicamente nos braços do divino.
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Ashadhi Ekadashi: o auge da celebração
A chegada das palkhis coincide com o festival de Ashadhi Ekadashi, quando milhões de pessoas se reúnem para participar do maha puja do templo. A cidade inteira se transforma em um mar de cantos, flores e bandeiras, e a atmosfera devocional atinge seu ponto máximo. Para muitos, estar em Pandharpur nesse dia é uma experiência que marca a vida inteira.
Curiosidades Fascinantes da Pandharpur Wari
Uma das mais antigas peregrinações da Índia
A Pandharpur Wari é considerada uma das peregrinações ininterruptas mais antigas do país. Registros históricos, relatos tradicionais e referências literárias indicam que ela acontece há pelo menos setecentos anos, repetindo ano após ano a mesma jornada que conecta gerações de devotos. Em escala, a Wari pode ser comparada ao Kumbh Mela, considerado o maior encontro religioso do mundo, que reúne milhões de peregrinos na Índia. Mesmo em períodos de crise — como guerras regionais, dificuldades políticas ou desafios sociais — a Wari continuou a ser realizada, preservando a força da fé coletiva.
A música nunca para
Ao longo de toda a peregrinação, o som dos instrumentos tradicionais acompanha os passos dos devotos. O ritmo do mridanga, o tilintar do tal, as notas da veena e da ektara e o pulsar da dholki criam uma trilha sonora contínua que se estende por dias. Não existe silêncio completo na Wari: sempre há um grupo cantando abhangas ou tocando algum instrumento, mantendo viva a atmosfera devocional que sustenta a energia espiritual do caminho. Para muitos, essa música constante transforma a estrada num espaço sagrado.
Abaixo está uma bela canção sobre Panduranga Yatra, interpretada por Wings Marathi.

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Peregrinos caminham descalços
Um dos aspectos mais marcantes da Wari é o fato de que grande parte dos peregrinos percorre toda a distância descalça. Essa prática simboliza humildade, entrega e confiança total no divino. Caminhar sem proteção pelos terrenos irregulares, sob sol forte ou chuva, é entendido como uma forma de oferenda, um sacrifício pessoal que fortalece a determinação e purifica a jornada interior.
O ritual “Kailas Wari”
Entre as variantes da peregrinação, destaca-se a Kailas Wari, uma forma especial da marcha realizada principalmente por mulheres. Elas caminham carregando potes de barro ornados sobre a cabeça, muitas vezes cheios de água ou grãos, como expressão de devoção e gratidão. A Kailas Wari destaca a força feminina dentro da tradição varkari e reafirma que a participação das mulheres sempre foi essencial na espiritualidade de Maharashtra.

Como Chegar ao Templo de Vithoba
Pandharpur está localizado no distrito de Solapur, no estado de Maharashtra, e é facilmente acessível por diferentes meios de transporte.
A forma mais comum é viajar até Solapur, a cidade grande mais próxima, e seguir por via rodoviária até Pandharpur (aprox. 70 km).
De trem
Pandharpur possui uma estação ferroviária própria (Pandharpur Railway Station), conectada diretamente a cidades importantes como Pune, Solapur, Mumbai, Nagpur, Miraj e Kolhapur. Trens regionais, expressos e especiais de festividade funcionam ao longo do ano, especialmente durante o mês de Ashadhi, quando o fluxo de peregrinos aumenta. Da estação até o templo, é possível utilizar riquixás, táxis locais ou seguir a pé pelas ruas centrais da cidade. Para quem pretende viajar de trem pela Índia, confira também nosso artigo sobre viagens de longa distância de trem na Índia.
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De ônibus
Serviços frequentes de ônibus — tanto do governo de Maharashtra (MSRTC) quanto de operadores privados — conectam Pandharpur a Pune, Solapur, Kolhapur, Satara, Sangli, Latur, Ahmednagar e Mumbai. Os ônibus chegam ao terminal rodoviário principal, de onde é fácil acessar o templo por riquixá ou caminhada. Durante os dias da Wari, linhas extras são disponibilizadas para acomodar o grande número de devotos.

De carro
Pandharpur é acessível por estradas bem conservadas e sinalizadas. A rota mais utilizada é a Pandharpur–Solapur Highway, mas também é possível chegar pela estrada que liga Pune a Pandharpur via Hadapsar – Saswad – Jejuri – Nira, uma rota cênica que atravessa pequenas vilas e campos agrícolas. Há estacionamentos organizados nas proximidades do centro da cidade durante grandes festivais.
A pé (Wari)
A forma mais tradicional e espiritualmente significativa de chegar a Pandharpur é caminhando na Wari, a peregrinação anual que parte de Alandi (Palkhi de Dnyaneshwar) e de Dehu (Palkhi de Tukaram). Milhares de devotos percorrem centenas de quilômetros cantando abhangas, realizando seva e caminhando em grande disciplina e alegria. A chegada a Pandharpur a pé é considerada o auge espiritual da jornada, culminando no darshan de Vithoba.
Conclusão
A Panduranga Yatra é muito mais do que uma peregrinação até Pandharpur. Ao longo de séculos, tornou-se uma importante expressão religiosa e cultural de Maharashtra, preservando valores do movimento Bhakti como devoção, simplicidade, igualdade e responsabilidade moral. Ao caminhar, cantar abhangas e compartilhar comida e esforço, os warkaris transformam a peregrinação em uma experiência coletiva de devoção e convivência. Os ensinamentos de santos como Dnyaneshwar e Tukaram permanecem vivos nessa tradição.
Com milhões de participantes a cada ano, a Wari continua sendo uma das mais importantes manifestações de fé coletiva da Índia, mantendo uma tradição que atravessa séculos e permanece viva no Maharashtra contemporâneo.
Perguntas Frequentes
O que é a Pandharpur Wari?
A Pandharpur Wari é uma peregrinação anual realizada em Maharashtra, na qual milhões de devotos caminham até o templo do Senhor Vithoba em Pandharpur, especialmente para celebrar Ashadhi Ekadashi. É uma tradição contínua há mais de 700 anos.
Quem é o Senhor Vithoba?
Vithoba, também chamado de Vitthala ou Panduranga, é uma forma de Krishna venerada especialmente em Maharashtra. Ele é representado de pé sobre uma pedra, com as mãos na cintura, simbolizando acolhimento, proximidade e igualdade espiritual.
Quando acontece a Pandharpur Wari?
A Wari ocorre todos os anos entre junho e julho, culminando em Ashadhi Ekadashi, uma data sagrada do calendário hindu. Há também outra peregrinação importante em Kartik Ekadashi, entre outubro e novembro.
Quanto tempo dura a peregrinação até Pandharpur?
A caminhada costuma durar entre 18 e 22 dias, dependendo da rota da dindi ou da palkhi. Os peregrinos percorrem entre 250 e 350 km até chegar ao templo de Vithoba.
O que é uma dindi na Wari?
Dindi é um grupo organizado de peregrinos que caminha junto durante toda a Wari. Cada dindi mantém disciplina, canta abhangas, realiza seva (serviço) e preserva tradições culturais específicas de sua comunidade.
O que significa a Palkhi de Dnyaneshwar e de Tukaram?
As palkhis transportam as relíquias dos santos Dnyaneshwar (de Alandi) e Tukaram (de Dehu). Esses palanquins percorrem rotas históricas há séculos e simbolizam a presença espiritual dos santos acompanhando os devotos.
Por que muitos peregrinos caminham descalços na Wari?
Caminhar descalço é considerado um ato de devoção, humildade e disciplina espiritual. Para muitos varkaris, é uma forma de oferenda pessoal a Vithoba e um símbolo de entrega total ao divino.
Por que a Wari é considerada importante nos dias de hoje?
Além de sua importância religiosa, a Wari promove renovação espiritual, preservação cultural, práticas ecológicas e forte integração social. Ela conecta gerações e continua sendo uma das maiores expressões de fé comunitária da Índia.
Quando será a Panduranga Yatra em 2026?
Em 2026, a Panduranga Yatra (Pandharpur Wari) culminará em Ashadhi Ekadashi no dia 25 de julho. A peregrinação começa semanas antes, com a partida das palkhis tradicionais de Alandi e Dehu.
Qual é a diferença entre Ashadhi Wari e Kartiki Wari?
A Ashadhi Wari é a principal peregrinação anual e ocorre em Ashadhi Ekadashi, entre junho e julho, reunindo o maior número de devotos. A Kartiki Wari acontece em Kartik Ekadashi, entre outubro e novembro, e é considerada espiritualmente importante, porém menor em escala.
Quantas pessoas participam da Pandharpur Wari todos os anos?
Estima-se que entre 800 mil e mais de 1 milhão de peregrinos participem da Pandharpur Wari anualmente, tornando-a uma das maiores peregrinações a pé do mundo ainda realizadas de forma contínua.
A Pandharpur Wari é apenas para hindus?
Embora a Wari seja uma peregrinação hindu dedicada ao Senhor Vithoba, sua tradição é aberta e inclusiva. Pessoas de diferentes origens sociais e religiosas participam ou acompanham a peregrinação, refletindo o espírito humanista e igualitário do movimento Bhakti.






