Makar Sankranti : Celebração Solar e Cultural na Índia

pessoa orando ao deus sol durante makar sankranti

Makar Sankranti é uma celebração profundamente enraizada na cultura indiana, marcada pela transição, pela renovação e pela conexão entre o ser humano e os ciclos naturais. Vivido em lares, campos agrícolas, margens de rios e templos, o festival reúne práticas espirituais, costumes regionais e tradições comunitárias que atravessam séculos.

Neste artigo, vamos explorar as origens de Makar Sankranti, quando e como ele é celebrado, seus rituais, alimentos tradicionais, variações regionais e curiosidades culturais que ajudam a compreender por que esse festival continua tão relevante na Índia contemporânea.

Makar Sankranti é celebrado todos os anos em 14 de janeiro, data que corresponde ao momento em que o Sol entra no signo de Capricórnio (Makara) segundo o cálculo tradicional indiano. Por estar diretamente ligado ao movimento solar, e não ao calendário lunar, o festival mantém uma estabilidade rara no calendário, permanecendo praticamente inalterado ao longo dos séculos. Em anos bissextos, porém, essa transição solar pode ocorrer no dia 15 de janeiro, sem alterar o significado astronômico do festival.

Diferente de outras festividades que podem variar vários dias de um ano para outro, Makar Sankranti não avança progressivamente no calendário. Em contextos regionais ou rituais específicos, algumas celebrações podem se estender para o dia seguinte, mas o marco astronômico e simbólico do festival está associado ao momento da entrada do Sol em Capricórnio, que sinaliza o início da jornada do Uttarayana.

Makar Sankranti foi celebrado em 14 de janeiro de 2025 e, mantendo seu caráter solar, ocorrerá novamente em 14 de janeiro de 2026.

मकर संक्रान्ति (Makara Sankranti) é uma expressão composta que une dois conceitos fundamentais do pensamento indiano: movimento cósmico e direção consciente.

मकर (Makara) designa o signo de Capricórnio, mas seu sentido tradicional vai além da astrologia. Makara está associado à estabilidade, à estrutura, à capacidade de avançar com disciplina e constância. Nos textos antigos, o termo também carrega a ideia de um ponto de virada, no qual a energia se organiza e ganha direção após um período de recolhimento.

संक्रान्ति (Saṅkrānti) significa literalmente passagem, travessia ou transição. Na língua sânscrita, a palavra não indica uma mudança brusca, mas um movimento ordenado, no qual algo deixa um estado anterior e ingressa em outro de forma contínua e significativa. É um termo usado para marcar momentos em que o fluxo do tempo assume uma nova orientação.

Makar Sankranti significa, em sânscrito, a entrada do Sol (Surya) no signo de Capricórnio (Makara). Essa formulação, porém, é convencional: do ponto de vista astronômico, é a Terra que se desloca em sua órbita, fazendo com que o Sol aparente mudar de posição em relação ao zodíaco.

Na tradição astronômica indiana, essa linguagem foi adotada por conveniência descritiva e não por desconhecimento científico. Textos clássicos mostram que estudiosos indianos compreendiam a dinâmica real dos movimentos celestes e eram capazes de cálculos extremamente precisos. Obras de matemáticos e astrônomos como Aryabhata demonstram esse domínio, incluindo métodos corretos para o cálculo de eclipses solares e lunares.

Em Makar Sankranti, observado da Terra, o Sol parece ingressar no zodíaco de Capricórnio (Makara), marcando a transição solar que fundamenta o significado tradicional dessa data no calendário indiano
Em Makar Sankranti, observado da Terra, o Sol parece ingressar no zodíaco de Capricórnio (Makara), marcando a transição solar que fundamenta o significado tradicional dessa data no calendário indiano

O ponto de partida de Makar Sankranti é a entrada do Sol em Capricórnio (Makara). Esse movimento, conhecido como sankranti, já era calculado e observado na antiga astronomia indiana, como demonstra o clássico Surya Siddhanta.

Desde os períodos mais antigos, o Sol ocupa posição central na tradição indiana. No Rigveda, Surya (Sol) e Savitr (nas crenças indianas, o aspecto do Sol associado à força vital, ao impulso criador e à inspiração que anima e orienta todos os seres) aparecem como princípios cósmicos responsáveis pela ordem, pela vida e pela iluminação da consciência. O Gayatri Mantra, um dos hinos mais reverenciados do hinduísmo, é uma invocação direta ao princípio solar, pedindo clareza intelectual e alinhamento com a verdade.

Essa centralidade de Surya explica por que Makar Sankranti é dedicado ao deus solar. O festival reafirma uma concepção védica fundamental: o Sol não é apenas um corpo celeste, mas um regulador do tempo, da moral e da vida, e sua transição para Capricórnio representa um momento apropriado para gratidão, doações e disciplina espiritual.

Abaixo está uma interpretação belíssima do Gayatri Mantra, apresentada por Gaiea Sanskrit. A versão combina pronúncia cuidadosa do sânscrito com uma musicalidade serena, criando uma atmosfera profunda de contemplação.

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Nos textos épicos, especialmente no Mahabharata, o período de Uttarayana — iniciado com a entrada do Sol em Capricórnio — é descrito como auspicioso e espiritualmente elevado. O Uttarayana é entendido como o intervalo em que a energia solar se orienta para a luz, o crescimento e a elevação, em contraste simbólico com o Dakshinayana, associado ao movimento descendente e à retração.

Um dos episódios mais conhecidos que reforça esse valor espiritual é o de Bhishma, o grande guerreiro e sábio do Mahabharata. Dotado do dom de iccha-mrtyu (a capacidade de escolher o momento da própria morte), Bhishma permanece deitado sobre o leito de flechas após a batalha de Kurukshetra e deliberadamente aguarda o início do Uttarayana para deixar seu corpo. O texto descreve que ele escolhe esse momento específico por considerá-lo favorável à libertação e à elevação espiritual.

A decisão consciente de Bhishma associa a entrada do Sol em Capricórnio a ideias de clareza, conclusão consciente, desapego e passagem correta, fortalecendo a percepção de que esse ponto do ano representa uma mudança qualitativa no fluxo do tempo.

Pandavas e Krishna visitam Bhishmacharya deitado sobre a cama de flechas, enquanto ele decide deixar o corpo no dia de Makar Sankranti.
Os Pandavas, acompanhados por Krishna, prestam reverência a Bhishmacharya, que aguarda conscientemente Makar Sankranti para abandonar o corpo

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Os ensinamentos sobre Uttarayana, luz e o momento da morte apresentados nesta seção podem ser compreendidos mais profundamente à luz da Bhagavad Gita. Nesta edição, atribuída a Krishna Dvaipayana Vyasa, o leitor encontra os ensinamentos de Krishna sobre a vida, a morte, o caminho espiritual e a libertação, ajudando a ampliar a compreensão dos conceitos relacionados à passagem da alma e à busca pela elevação espiritual.

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Bhagavad Gita

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Autor:   Kṛṣṇa Dvaipayana Vyasa
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Nos Puranas, especialmente no Vishnu Purana e no Bhagavata Purana, o tempo é apresentado como cíclico, marcado por fases de declínio e restauração. É nesse contexto que surge a figura de Kalki, o décimo e último avatar de Vishnu, destinado a aparecer no fim do Kali Yuga para restaurar o dharma.

Nenhum desses textos afirma que Kalki nascerá em Makar Sankranti ou que o festival esteja diretamente ligado ao seu surgimento. No entanto, eles enfatizam que grandes transições cósmicas são os momentos naturais de renovação da ordem. Por essa razão, tradições posteriores passaram a associar simbolicamente Makar Sankranti — uma transição solar clara e recorrente — à ideia de fim de um ciclo e preparação para um novo começo, conceito que dialoga com a missão de Kalki.

O Kalki Purana, por sua vez, aprofunda a narrativa do avatar e reforça a noção de que a restauração da ordem ocorre sempre em pontos críticos do tempo cósmico, fortalecendo essa leitura simbólica.

Kalki, o décimo e último avatar de Vishnu, destinado a manifestar-se no fim do Kali Yuga para restaurar o dharma e a ordem cósmica.
Kalki é descrito nas tradições hindus como o décimo e último avatar de Vishnu, que surgirá no final do Kali Yuga para pôr fim à decadência moral e restabelecer o dharma no mundo

Muito antes do período Gupta, as transições solares já eram fundamentais para a organização do tempo na Índia. No Período Védico tardio e entre os janapadas (c. 1200–600 a.C.), Surya e Savitr eram associados à ordem cósmica (ṛta), enquanto Uttarayana e Dakshinayana refletiam a observação do ciclo anual do Sol.

Nos períodos mahajanapada e Nanda (c. 600–322 a.C.), o calendário solar ganhou importância agrícola, fiscal e administrativa, consolidando o Sol como referência estável para a organização do Estado. No Império Maurya (c. 322–185 a.C.), essa concepção se aproximou da ideia de dharma como ordem universal. Os períodos Shunga e Kanva (c. 185–28 a.C.) reforçaram práticas védicas e a importância ritual do Uttarayana.

Entre os reinos Shaka, indo-gregos e Kushana (c. 200 a.C.–300 d.C.), símbolos solares em moedas evidenciam a associação entre Surya, autoridade régia e ordem cósmica. A Dinastia Satavahana (c. 100 a.C.–250 d.C.) fornece uma ligação direta com o período Gupta, com inscrições que mostram o uso de referências solares em contextos administrativos e religiosos.

Santuários e complexos como Udayagiri, além das tradições ligadas aos antigos templos de Surya no Decão e em Multan, indicam que o culto solar já estava institucionalizado antes dos Guptas. Esse desenvolvimento criou as bases para a posterior consolidação da Sankranti como importante marco ritual e calendárico.

Fotografia histórica de 1878 do portal do chaitya das Cavernas de Karla, um dos mais antigos e bem preservados complexos de cavernas escavadas na rocha da Índia
Fotografia histórica de 1878 do portal do chaitya das Cavernas de Karla, um dos mais antigos e bem preservados complexos de cavernas escavadas na rocha da Índia

O Império Gupta, que dominou grande parte do norte da Índia, coincidiu com um importante florescimento da astronomia, matemática e iconografia religiosa. Nesse período, o movimento solar era associado à ordem cósmica e à organização do tempo ritual.

As cavernas de Udayagiri, ligadas ao reinado de Chandragupta II (séculos IV–V), oferecem evidências dessa integração, com santuários orientados astronomicamente e referências a Uttarayana e Saṅkrānti como marcos temporais auspiciosos para rituais e doações. Embora não mencionem explicitamente Makar Sankranti, essas práticas mostram a importância da transição solar em Makara para a vida religiosa e política.

Tratados astronômicos associados à era Gupta, como o Surya Siddhanta, contribuíram para sistematizar o cálculo do percurso solar, fortalecendo a base astronômica da tradição de Sankranti.

Templo de Surya nas Cavernas de Udayagiri, associado ao culto solar e à arte rupestre da Índia antiga
Templo de Surya nas Cavernas de Udayagiri, associado ao culto solar e à arte rupestre da Índia antiga | Foto: Sarah Welch

No sul da Índia, especialmente no atual Tamil Nadu, a Dinastia Chola construiu um dos sistemas templários mais sofisticados da história indiana. Seu território abrangia extensas áreas costeiras e agrícolas, tornando a relação entre o Sol, as estações e a colheita absolutamente central para a vida do reino.

O Templo Brihadeeswarar de Thanjavur, erguido por Rajaraja Chola I no século XI, preserva inscrições que registram doações feitas em períodos solares específicos, incluindo o Uttarayana-kala.

Ainda mais significativo é o Templo de Nataraja em Chidambaram, onde até hoje se celebra o Uttarayana Darshan. Esse rito marca simbolicamente a abertura do “caminho do norte”, refletindo a entrada do Sol em Capricórnio. Para os Cholas, essa transição solar estava intimamente ligada à renovação da energia cósmica, ao sucesso da colheita e à continuidade do reino.

Nesse contexto, Makar Sankranti — sob a forma regional do Pongal — já aparece como uma celebração plenamente integrada à vida social, religiosa e agrícola.

Fotografia histórica de 1868 do Templo Brihadeeswarar, em Thanjavur, uma obra-prima da arquitetura Chola dedicada a Shiva, reconhecida pela sua torre vimana monumental e pela sofisticação técnica alcançada no sul da Índia medieval
Fotografia histórica de 1868 do Templo Brihadeeswarar, em Thanjavur, uma obra-prima da arquitetura Chola dedicada a Shiva, reconhecida pela sua torre vimana monumental e pela sofisticação técnica alcançada no sul da Índia medieval

As dinastias Chalukya e Rashtrakuta governaram vastas regiões do planalto do Decão, abrangendo partes do atual Karnataka, Maharashtra e Andhra Pradesh. Seus reinos dependiam de um equilíbrio delicado entre poder militar, administração territorial e legitimação ritual.

Inscrições desse período mostram que datas solares, especialmente dias de Sankranti e o início do Uttarayann, eram frequentemente usados para registrar:
— Concessões de terras
— Isenções fiscais
— Doações a templos

Em centros como Aihole e Pattadakal, onde surgem alguns dos mais antigos templos de pedra da Índia, há santuários dedicados a Surya, indicando que o culto solar fazia parte do imaginário religioso do Estado.

Fotografia de 1855 do Templo de Papanatha, em Pattadakal, Karnataka, destacando sua arquitetura em pedra do período Chalukya
Fotografia histórica de 1855 do Templo de Papanatha, em Pattadakal, um importante complexo do período Chalukya que combina elementos arquitetônicos do norte e do sul da Índia, refletindo a experimentação e a sofisticação da arte sacra medieval indiana

O Império Vijayanagara, com capital em Hampi, controlou grande parte do sul da Índia em um período de intensas transformações políticas e culturais.

Inscrições no Templo de Virupaksha, um dos mais antigos centros de culto contínuo da Índia, registram rituais, festivais e doações realizados durante o Uttarayana. Relatos contemporâneos e crônicas do século XV descrevem celebrações públicas associadas à entrada do Sol em Capricórnio, muitas vezes ligadas à prosperidade agrícola e à estabilidade do império.

Vista aérea do Complexo do Templo de Virupaksha, em Hampi, Karnataka, evidenciando o conjunto monumental e o traçado urbano histórico
Vista aérea do Complexo do Templo de Virupaksha, em Hampi, um dos centros religiosos mais antigos ainda em atividade na Índia, integrado à paisagem arqueológica do antigo Império Vijayanagara e reconhecido pela sua continuidade histórica e arquitetônica | Foto: Sarah Welch

Em Gujarat, o Makar Sankranti é celebrado de forma especialmente vibrante e recebe o nome de Uttarayan. Nesse dia, o céu se transforma em um espetáculo contínuo de pipas coloridas, de diferentes formatos e tamanhos, que tomam conta das cidades e vilas. Famílias, amigos e vizinhos se reúnem nos terraços e áreas abertas para participar das tradicionais disputas amistosas, tentando cortar as linhas das pipas rivais e manter a sua no ar pelo maior tempo possível.

O festival, porém, vai muito além das pipas. A culinária típica ocupa um papel central nas comemorações. Um dos pratos mais emblemáticos é o Undhiyu, preparado lentamente com uma variedade de vegetais sazonais, especiarias e ervas, refletindo a abundância do inverno em Gujarat. Outro destaque é o Chikki, doce crocante feito principalmente de amendoim e rapadura, amplamente compartilhado entre familiares, amigos e vizinhos como símbolo de união e doçura nas relações.

A combinação de céus coloridos, encontros comunitários, tradição culinária e alegria coletiva faz do Uttarayan uma das celebrações mais marcantes e visualmente impressionantes do calendário cultural de Gujarat, representando renovação, prosperidade e a chegada de um novo ciclo solar.

E falando em pipas, você sabia que uma curiosa lei indiana já chegou a tratar empinar pipa como algo semelhante a pilotar uma aeronave? 😄 Assista ao vídeo abaixo para descobrir essa e outras leis bizarras da Índia!

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Uruka marca o início das celebrações e é tradicionalmente associada à abundância e à partilha. Na noite que antecede Magh Bihu, famílias e comunidades se reúnem para preparar grandes banquetes coletivos, muitas vezes ao ar livre, próximos a rios ou campos agrícolas. Fogueiras são acesas como símbolo de calor, proteção e união, criando um ambiente festivo onde as pessoas cantam, conversam e celebram juntas o fim da temporada de colheita.

O dia central do festival é marcado pela queima das fogueiras Meji, construídas com bambu, palha e madeira. Ao amanhecer, as fogueiras são acesas em rituais que expressam agradecimento pela colheita e pedidos de prosperidade para o novo ciclo agrícola. Ofertas simbólicas são feitas ao fogo, e a cerimônia reúne moradores de diferentes gerações, criando um momento de devoção coletiva. Após os rituais, o dia segue com visitas, refeições tradicionais e encontros comunitários, mantendo o clima de celebração.

Em muitas aldeias e vilas de Assam, Magh Bihu não se encerra em um único dia. Os festejos continuam com jogos tradicionais, competições amistosas, danças, músicas e refeições compartilhadas, prolongando o espírito de alegria e convivência.

Em Bengala Ocidental, o Makar Sankranti é conhecido como Poush Sankranti, pois marca o encerramento do mês de Poush no calendário bengali e o início do mês de Magh. A data está diretamente associada ao fim da colheita de inverno, tornando-se um momento de agradecimento coletivo pela fartura, pela prosperidade agrícola e pela continuidade do ciclo natural.

Para entender como as estações do ano se conectam às tradições e festivais indianos, veja também nosso post sobre as estações e os festivais da Índia.

As celebrações têm forte ênfase doméstica e comunitária, com destaque para a culinária tradicional. Um elemento central do festival é o preparo dos pithe, bolinhos feitos à base de arroz, que podem ser cozidos no vapor ou fritos, recheados com rapadura, coco ralado ou lentilhas. Além disso, muitas famílias preparam khichuri, prato reconfortante de arroz e lentilhas, frequentemente acompanhado de legumes sazonais, simbolizando simplicidade, abundância e partilha.

No dia de Poush Sankranti, rituais e orações são realizados tanto em residências quanto às margens de rios e corpos d’água, em agradecimento à natureza e ao Sol pelo sucesso da colheita. Em algumas regiões, pequenas feiras locais e encontros comunitários reforçam o caráter social do festival, com troca de alimentos, visitas entre vizinhos e gestos de hospitalidade.

Tigela de kheer decorado com frutas secas e especiarias, feito nas celebrações de Makar Sankranti
Kheer tradicional preparado durante o festival de Makar Sankranti, símbolo de doçura e prosperidade

Pongal é celebrado durante quatro dias, unindo renovação, gratidão ao Sol, agricultura, família e comunidade. O Bhogi marca a renovação; o Thai Pongal, dia principal, celebra o Sol e a abundância com o tradicional arroz Pongal; o Maattu Pongal homenageia os animais de fazenda; e o Kaanum Pongal é dedicado aos encontros familiares e comunitários.

A homenagem aos animais é uma característica importante da cultura indiana e ajuda a explicar a reverência tradicional pelas vacas na Índia, reconhecidas por seu papel essencial na agricultura e na vida rural.

Para conhecer em detalhes a história, os rituais e as tradições dessa importante celebração de Tamil Nadu, confira também nosso post sobre o festival de Pongal na Índia

Festival de Pongal sendo celebrado em Tamil Nadu, com oferendas, fogueiras e tradições culturais
Celebração de Pongal em Tamil Nadu, marcada por rituais tradicionais
Vista do templo de Shabarimala em Kerala, rodeado por florestas e conhecido por sua espiritualidade
Templo de Shabarimala em Kerala, um dos locais de peregrinação mais sagrados da Índia

Em Kerala, o Makar Sankranti coincide com a abertura do Santuário de Sabarimala, localizado no distrito de Pathanamthitta, nas densas florestas dos Ghats Ocidentais, no sul da Índia. O templo é dedicado ao Senhor Ayyappa, tradicionalmente considerado filho de Shiva e Vishnu em sua forma feminina, Mohini, representando disciplina, equilíbrio e renúncia.

Nesse período, milhares de devotos participam de uma das peregrinações mais rigorosas do país. Após semanas — e, em muitos casos, meses — de jejum, votos de disciplina (vratham), simplicidade e autocontrole, os fiéis sobem a montanha a pé, entoando cânticos devocionais e seguindo regras estritas de conduta espiritual.

O festival simboliza um momento de intensa renovação interior. As orações, os hinos tradicionais e a devoção coletiva expressam gratidão pela energia do Sol e pedem proteção, prosperidade e clareza espiritual para o novo ciclo iniciado com o Uttarayana.

Abaixo está uma bela canção devocional dedicada a Ayyappa, extraída de um filme da Mollywood, lançado em 1972. A música é cantada em malayalam e reflete profundamente a atmosfera de fé, disciplina e entrega associada a Sabarimala e ao Makar Sankranti.

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Thali tradicional com haldi e kumkum durante as celebrações de Makar Sankranti
Haldi e kumkum em uma thali decorada, parte essencial dos rituais de Makar Sankranti

Em Maharashtra, o Makar Sankranti é celebrado com grande entusiasmo, especialmente entre as mulheres, por meio de uma tradição social e simbólica conhecida como Haldi-Kumkum. Nesse ritual, mulheres casadas se reúnem em casas ou espaços comunitários para aplicar haldi (cúrcuma) e kumkum (pó vermelho) umas nas outras, trocando votos de bem-estar, prosperidade e respeito mútuo.

Em várias regiões do estado, alguns devotos também realizam mergulhos rituais em rios sagrados, como o Godavari, acreditando que o banho neste dia auspicioso traz purificação espiritual e renovação para o novo ciclo solar iniciado com o Uttarayana.

Assim como em outras partes da Índia, empinar pipas é uma atividade central durante o Makar Sankranti em Maharashtra. Os céus se enchem de cores, simbolizando liberdade, alegria coletiva e a ascensão do Sol após o solstício de inverno.

Outro elemento essencial da celebração é o Tilgul, um doce tradicional preparado com gergelim torrado e rapadura. Ele é compartilhado com a frase: Tilgul ghya, god god bola, que significa Coma tilgul e fale palavras doces. O gesto simboliza o desejo de harmonia, reconciliação e palavras gentis no novo período que se inicia, reforçando valores de convivência e amizade.

Mulher aplica kumkum no rosto de outra mulher durante a celebração de Makar Sankranti em Maharashtra, vestidas com trajes tradicionais.
Momento tradicional de Makar Sankranti em Maharashtra, no qual uma mulher aplica kumkum no rosto de outra, simbolizando bons votos, prosperidade e laços de afeto entre as mulheres durante a festividade

Em Andhra Pradesh e Telangana, Sankranti é uma das celebrações mais aguardadas do ano e se estende por quatro dias, combinando rituais domésticos, devoção ao Sol, práticas agrícolas e intensa convivência comunitária. Durante todo o período, as entradas das casas são adornadas com Muggu — desenhos geométricos feitos com farinha de arroz (muitas vezes colorida) — que simbolizam boas-vindas, prosperidade e auspiciosidade, além de alimentar simbolicamente aves e pequenos animais.

Bhogi marca o início do festival e é dedicado à renovação. As casas passam por uma limpeza profunda, e objetos antigos ou inutilizados são queimados em fogueiras comunitárias, representando o abandono do passado e a abertura para novos começos. O dia também é associado a preces por proteção e bem-estar, criando um clima de preparação espiritual e material para os dias seguintes.

Este é o dia principal da celebração. Dedicado ao deus Sol, o dia começa com orações ao amanhecer e a preparação de pratos tradicionais, como o pongal, feitos com arroz recém-colhido. Famílias se reúnem, trocam visitas e compartilham refeições, reforçando laços de parentesco e vizinhança. A atmosfera é de gratidão pela colheita e de celebração da abundância.

Kanuma é dedicado aos animais de trabalho, especialmente bois e vacas, reconhecidos como essenciais para a agricultura. Os animais são lavados, decorados com guirlandas e cores naturais, e recebem atenção especial em rituais que expressam respeito e agradecimento. Em áreas rurais, o dia inclui encontros ao ar livre e atividades ligadas ao campo, reafirmando a conexão entre comunidade e natureza.

O último dia, Mukkanuma, tem um caráter mais social e familiar. É marcado por reuniões descontraídas, troca de doces e visitas entre parentes e amigos. O dia simboliza o encerramento harmonioso do festival, com agradecimentos pelas bênçãos recebidas e votos de prosperidade para o novo ciclo agrícola.

Ao longo desses quatro dias, Sankranti em Andhra Pradesh e Telangana se destaca por integrar rituais domésticos, devoção solar, vida agrícola e convivência comunitária, preservando tradições ancestrais e reforçando valores de gratidão, união e continuidade cultural.

Em Varanasi, uma das cidades continuamente habitadas mais antigas do mundo e um dos centros espirituais mais importantes da Índia, o Makar Sankranti é celebrado com intensa devoção às margens do rio Ganges. Desde antes do amanhecer, milhares de fiéis se dirigem às ghats — as escadarias que descem até o rio — para realizar o banho ritual.

Após o mergulho, os devotos oferecem arroz cru, flores, água e doces ao Deus Sol (Surya), acompanhados de mantras e orações silenciosas realizadas voltadas para o nascer do Sol.

Além dos rituais religiosos, Makar Sankranti em Varanasi também possui um forte caráter social. É comum a distribuição de alimentos, roupas e esmolas aos necessitados, prática considerada meritória neste período de transição solar. Em algumas áreas, famílias organizam pequenas reuniões comunitárias, enquanto o empinar de pipas adiciona um elemento festivo aos céus da cidade.

Vista da cidade sagrada de Varanasi na Índia, com ghats às margens do rio Ganges, símbolo de fé e devoção
A cidade sagrada de Varanasi, às margens do rio Ganges, conhecida por sua espiritualidade e tradições milenares

Em Bihar, o Makar Sankranti não recebe um nome regional amplamente distinto, como ocorre em outros estados da Índia. O festival é geralmente chamado simplesmente de “Makar Sankranti” ou “Sankranti”, preservando a denominação tradicional ligada ao calendário solar.

As celebrações em Bihar estão profundamente associadas ao ciclo agrícola e à gratidão pela colheita de inverno. O dia começa com rituais simples, banhos matinais e orações ao Sol, seguidos por encontros familiares e refeições comunitárias. Um elemento central da festividade é o consumo de tilkut, doce tradicional feito à base de gergelim e rapadura, preparado especialmente para essa ocasião.

No Punjab, o período de Sankranti é marcado por duas celebrações intimamente ligadas: Lohri e Maghi. Juntas, elas simbolizam o fim do inverno rigoroso, a renovação agrícola e, no caso da tradição sikh, a preservação da memória histórica e espiritual da comunidade.

Lohri é celebrado na noite anterior a Maghi, geralmente em 13 de janeiro, e marca simbolicamente o fim do inverno intenso no norte da Índia. A celebração gira em torno de grandes fogueiras comunitárias, acesas ao entardecer, ao redor das quais famílias e vizinhos se reúnem.

As pessoas oferecem à fogueira produtos da colheita recente, como gergelim (til), rapadura, amendoim e milho, em gesto de gratidão pela proteção contra o frio e pela abundância futura. Canções folclóricas tradicionais são entoadas, e as danças Bhangra e Gidda expressam alegria, energia coletiva e esperança no novo ciclo agrícola que se inicia.

Maghi é celebrado no dia seguinte a Lohri, geralmente em 14 de janeiro, coincidindo com o período de Makar Sankranti. Para a comunidade sikh, Maghi possui um significado espiritual e histórico especial, pois relembra o sacrifício dos Chali Mukte — os quarenta sikhs que deram suas vidas em combate contra o exército mogol liderado por Wazir Khan, sendo posteriormente reconhecidos por sua devoção e coragem.

O dia começa com banhos sagrados em rios, lagos ou reservatórios, seguidos por orações em gurdwaras, onde fiéis prestam homenagem aos mártires e refletem sobre valores como coragem, compromisso e retidão. Em muitas localidades, são organizadas refeições comunitárias (langar), fortalecendo o ideal de igualdade e partilha.

Os alimentos típicos consumidos em Maghi incluem khichdi, ghee, gergelim e rapadura, ingredientes associados à nutrição, ao calor corporal e à prosperidade agrícola. O dia também é marcado por encontros familiares, música tradicional e atividades culturais que expressam a identidade vibrante do Punjab.

Juntas, Lohri e Maghi representam mais do que festivais sazonais: elas unem agricultura, espiritualidade, memória histórica e vida comunitária, refletindo a profunda ligação do povo do Punjab com a terra, o tempo e seus valores coletivos.

makar sankranti na índia
Fazendeiros punjabis dançando com alegria em suas terras, celebrando a colheita e as tradições culturais

Makar Sankranti vai muito além de um único ritual ou local. Trata-se de um festival solar que marca a mudança de estação e se manifesta de formas profundamente distintas em cada região da Índia. Para aproveitar ao máximo essa celebração, escolher onde vivenciá-la faz toda a diferença..

Makar Sankranti é vivenciado de maneiras muito diferentes em cada parte da Índia, e escolher a região certa transforma completamente a experiência. Em alguns lugares, o festival ganha cores e movimento; em outros, assume um caráter mais agrícola ou espiritual. Essa diversidade revela como uma mesma data solar pode refletir identidades culturais distintas. Ao decidir onde celebrar, você define se quer espetáculo, tradição rural ou profundidade espiritual.

O festival de Makar Sankranti ocorre nos dias 14 ou 15 de janeiro, dependendo do calendário solar. Como é uma época movimentada em muitas cidades e vilas, é importante reservar transporte, passagens de trem e hospedagem com antecedência. Planejar a logística garante que você possa aproveitar o festival sem estresse e participar de todos os eventos com tranquilidade.

Para quem pretende viajar de trem durante o festival, vale também consultar nosso guia sobre trens na Índia para turistas e conhecer melhor as opções e dicas para planejar a viagem.

Uma parte essencial da experiência do festival é a comida tradicional. Prove doces típicos como tilgul em Maharashtra, chikki em Gujarat e o arroz doce Pongal em Tamil Nadu. Esses alimentos não são apenas deliciosos, mas também simbolizam prosperidade, amizade e gratidão. Participar das degustações locais permite mergulhar na cultura regional de cada estado.

Doce chikki e tilgul caseiro servido durante Makar Sankranti, parte das celebrações e tradições do festival
Chikki e tilgul preparados em casa durante Makar Sankranti, doces tradicionais que simbolizam união e prosperidade

Ao visitar templos ou locais sagrados, é importante vestir roupas apropriadas e comportar-se com respeito. Evite gestos ou atitudes inadequadas, como falar alto dentro de santuários ou desrespeitar cerimônias. Demonstrar respeito não só ajuda na interação com os locais, mas também permite que você absorva plenamente o significado espiritual do festival.

Como Makar Sankranti celebra o Sol, muitas atividades acontecem ao ar livre, sob luz intensa. Leve protetor solar, chapéu, óculos escuros e roupas leves para evitar queimaduras e desconforto. Manter-se hidratado também é essencial para aproveitar plenamente as festividades sem problemas de saúde.

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A Índia é um país de muita luz solar, e a exposição prolongada pode causar queimaduras e danos à pele. Se você pretende passar bastante tempo ao ar livre durante uma viagem, um bom protetor solar facial é essencial. O Sun Fresh Derm Care FPS 70, da Neutrogena, tem textura leve e sequinha, sendo especialmente indicado para peles mistas e oleosas e ajudando a controlar a oleosidade por até 12 horas.

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O festival é um espetáculo visual, com céus cheios de pipas, fogueiras iluminadas e rituais coloridos. Levar uma câmera ou drone permite capturar fotos e vídeos incríveis. Lembre-se de respeitar a privacidade das pessoas e observar as regras locais de voo de drones para não interromper os rituais ou comprometer a segurança.

Para vivenciar o festival de forma autêntica, participe de atividades tradicionais. Soltar pipas coloridos nos terraços em Gujarat, observar fogueiras comunitárias em Maharashtra e tomar banhos sagrados nos rios em Punjab são experiências únicas. Visitar templos e participar de rituais locais também ajuda a compreender a espiritualidade e a riqueza cultural do festival.

Pipas coloridas no céu azul durante Makar Sankranti, celebrando o festival com alegria e tradição
Pipas coloridas enfeitam o céu durante o festival de Makar Sankranti, símbolo de alegria e novas esperanças

Cidades como Ahmedabad, Varanasi e Jaipur ficam extremamente movimentadas durante Makar Sankranti. Planeje-se para enfrentar multidões e filas, mantenha objetos pessoais seguros e pratique paciência. Embora as celebrações sejam vibrantes e alegres, lidar bem com grandes grupos de pessoas é essencial para uma experiência tranquila.

Conhecer frases simples pode tornar sua experiência mais rica. Palavras como “Namaste” (saudação) e “Shubh Makar Sankranti” (feliz Makar Sankranti) mostram educação e interesse pela cultura local. Cumprimentar moradores e participantes do festival com essas expressões pode abrir portas para conversas, histórias e até convites para rituais e celebrações.

Pessoa estrangeira fazendo o gesto tradicional Namaste, símbolo de saudação e respeito na Índia
Cumprimentar as pessoas com “Namastê” pode surpreender os indianos e aumentará as chances de fazer amizade com os moradores locais.

Makar Sankranti é uma excelente oportunidade para conhecer a cultura indiana, mas não se limite apenas aos eventos do festival. Aproveite para visitar templos históricos, mercados locais, áreas rurais e feiras tradicionais. Essa exploração complementar oferece um panorama mais completo da diversidade cultural, culinária e espiritual da Índia.

Makar Sankranti é muito mais do que um festival marcado por cores vibrantes, sabores tradicionais e celebrações festivas. Ele representa um ponto de convergência entre astronomia, espiritualidade, agricultura e vida social, no qual o movimento do Sol se transforma em um momento de renovação coletiva. Embora os rituais, os alimentos e até os nomes do festival variem de estado para estado, o significado central permanece o mesmo: a transição para um novo ciclo, vivido em harmonia com a ordem natural.

Ao longo da Índia, Makar Sankranti assume formas distintas — nos campos agrícolas, nos templos, às margens dos rios e nos lares — refletindo a diversidade cultural do país sem perder sua unidade simbólica. Cada gesto, desde as oferendas ao Sol até a partilha dos alimentos, expressa valores profundamente enraizados, como gratidão, generosidade, disciplina e esperança no futuro.

Perguntas Frequentes

O que é Makar Sankranti?

Makar Sankranti é um festival hindu que marca a transição do sol para o signo de Capricórnio (Makara).

Quando é celebrado Makar Sankranti?

Geralmente, ocorre em 14 ou 15 de janeiro, dependendo do movimento solar e do calendário hindu.

Quais são os principais rituais do festival?

As pessoas participam de banhos sagrados, soltura de pipas, fogueiras, e oferecem comidas típicas à família e aos deuses.

Qual é a importância cultural do festival?

O festival celebra a colheita, a prosperidade e a vitória da luz sobre a escuridão, sendo popular em toda a Índia.

Quais doces são típicos de Makar Sankranti?

Doces à base de gergelim e rapadura, como tilgul e chikki, são tradicionais e simbolizam amizade e prosperidade.

O que torna Makar Sankranti diferente de outros festivais?

É um festival solar, celebrado com várias tradições regionais, além de ser um momento auspicioso para rituais espirituais.

Makar Sankranti é celebrado no mesmo dia em toda a Índia?

Embora o marco solar seja o mesmo, o festival recebe nomes diferentes e possui costumes regionais variados, como Pongal em Tamil Nadu, Uttarayan em Gujarat e Poush Sankranti em Bengala Ocidental.

O que é Uttarayana e qual sua relação com Makar Sankranti?

Uttarayana é o período em que o Sol inicia seu movimento considerado auspicioso em direção ao norte. Makar Sankranti marca o começo desse ciclo.

Por que o gergelim é tão importante em Makar Sankranti?

O gergelim é considerado auspicioso, associado à proteção, energia e longevidade, sendo amplamente utilizado em doces e oferendas durante o festival.

Makar Sankranti é um feriado religioso ou cultural?

Makar Sankranti é ao mesmo tempo um festival religioso e cultural, combinando rituais espirituais com celebrações agrícolas e comunitárias.

Quando será Makar Sankranti em 2026?

Em 2026, Makar Sankranti será celebrado em 14 de janeiro, uma quarta-feira, de acordo com o cálculo solar tradicional.