
Introdução
Makar Sankranti é uma celebração profundamente enraizada na cultura indiana, marcada pela transição, pela renovação e pela conexão entre o ser humano e os ciclos naturais. Vivido em lares, campos agrícolas, margens de rios e templos, o festival reúne práticas espirituais, costumes regionais e tradições comunitárias que atravessam séculos.
Mais do que uma data festiva, Makar Sankranti expressa valores como gratidão, disciplina, partilha e esperança coletiva. Ao longo do tempo, a celebração assumiu diferentes formas em diversas regiões da Índia, mantendo um significado comum ligado à mudança, ao equilíbrio e ao início de um novo ciclo.
Neste artigo, vamos explorar as origens de Makar Sankranti, quando e como ele é celebrado, seus rituais, alimentos tradicionais, variações regionais e curiosidades culturais que ajudam a compreender por que esse festival continua tão relevante na Índia contemporânea.
Quando Makar Sankranti é celebrado
Makar Sankranti é celebrado todos os anos em 14 de janeiro, data que corresponde ao momento em que o Sol entra no signo de Capricórnio (Makara) segundo o cálculo tradicional indiano. Por estar diretamente ligado ao movimento solar, e não ao calendário lunar, o festival mantém uma estabilidade rara no calendário, permanecendo praticamente inalterado ao longo dos séculos. Em anos bissextos, porém, essa transição solar pode ocorrer no dia 15 de janeiro, sem alterar o significado astronômico do festival.
Diferente de outras festividades que podem variar vários dias de um ano para outro, Makar Sankranti não avança progressivamente no calendário. Em contextos regionais ou rituais específicos, algumas celebrações podem se estender para o dia seguinte, mas o marco astronômico e simbólico do festival está associado ao momento da entrada do Sol em Capricórnio, que sinaliza o início da jornada do Uttarayana.
Makar Sankranti foi celebrado em 14 de janeiro de 2025 e, mantendo seu caráter solar, ocorrerá novamente em 14 de janeiro de 2026. Em algumas regiões da Índia, as celebrações podem se estender por mais de um dia, incorporando rituais locais, festivais agrícolas e eventos comunitários. Ainda assim, o momento central de Makar Sankranti está sempre ligado à transição solar, que define oficialmente a data da celebração.
Significado de Makar Sankranti em sânscrito
मकर संक्रान्ति (Makara Sankranti) é uma expressão composta que une dois conceitos fundamentais do pensamento indiano: movimento cósmico e direção consciente.
मकर (Makara) designa o signo de Capricórnio, mas seu sentido tradicional vai além da astrologia. Makara está associado à estabilidade, à estrutura, à capacidade de avançar com disciplina e constância. Nos textos antigos, o termo também carrega a ideia de um ponto de virada, no qual a energia se organiza e ganha direção após um período de recolhimento.
संक्रान्ति (Saṅkrānti) significa literalmente passagem, travessia ou transição. Na língua sânscrita, a palavra não indica uma mudança brusca, mas um movimento ordenado, no qual algo deixa um estado anterior e ingressa em outro de forma contínua e significativa. É um termo usado para marcar momentos em que o fluxo do tempo assume uma nova orientação.
Quando unidas, as palavras formam um significado que vai além de uma simples data no calendário, embora seu sentido literal seja claro e preciso. Makar Sankranti significa, em sânscrito, a entrada do Sol (Surya) no signo de Capricórnio (Makara). Essa formulação, porém, é convencional: do ponto de vista astronômico, é a Terra que se desloca em sua órbita, fazendo com que o Sol aparente mudar de posição em relação ao zodíaco.
Na tradição astronômica indiana, essa linguagem foi adotada por conveniência descritiva e não por desconhecimento científico. Textos clássicos mostram que estudiosos indianos compreendiam a dinâmica real dos movimentos celestes e eram capazes de cálculos extremamente precisos. Obras de matemáticos e astrônomos como Aryabhata demonstram esse domínio, incluindo métodos corretos para o cálculo de eclipses solares e lunares. Assim, Makar Sankranti marca um ponto astronômico específico no percurso anual aparente do Sol, reconhecido e calculado com rigor científico há mais de um milênio.

Origens de Makar Sankranti e referências textuais
A origem de Makar Sankranti não está ligada a um único episódio fundador ou a um decreto específico de um rei ou dinastia. Ela se forma ao longo de séculos a partir da observação astronômica, da tradição védica e de interpretações desenvolvidas em textos épicos e purânicos. Trata-se, portanto, de um festival cuja base é cumulativa e contínua, refletindo a forma como o tempo é compreendido na tradição indiana.
Base astronômica e conhecimento antigo
O ponto de partida de Makar Sankranti é o reconhecimento da entrada do Sol no signo de Capricórnio (Makara). Esse movimento é descrito em antigos tratados de astronomia indiana, nos quais a sankranti representa a passagem ordenada do Sol de um signo para outro. Obras clássicas como o Surya Siddhanta demonstram que esse deslocamento solar era conhecido, calculado e observado com precisão muito antes da consolidação do festival como celebração popular.
Assim, Makar Sankranti nasce primeiro como um marco astronômico, ligado à medição do tempo, às estações e aos ciclos agrícolas, e só posteriormente se expande como festividade religiosa e social.
Surya e as raízes védicas
Desde os períodos mais antigos, o Sol ocupa posição central na tradição indiana. No Rigveda, Surya (Sol) e Savitr (nas crenças indianas, o aspecto do Sol associado à força vital, ao impulso criador e à inspiração que anima e orienta todos os seres) aparecem como princípios cósmicos responsáveis pela ordem, pela vida e pela iluminação da consciência. O Gayatri Mantra, um dos hinos mais reverenciados do hinduísmo, é uma invocação direta ao princípio solar, pedindo clareza intelectual e alinhamento com a verdade.
Essa centralidade de Surya explica por que Makar Sankranti é dedicado ao deus solar. O festival reafirma uma concepção védica fundamental: o Sol não é apenas um corpo celeste, mas um regulador do tempo, da moral e da vida, e sua transição para Capricórnio representa um momento apropriado para gratidão, doações e disciplina espiritual.
Abaixo está uma interpretação belíssima do Gayatri Mantra, apresentada por Gaiea Sanskrit. A versão combina pronúncia cuidadosa do sânscrito com uma musicalidade serena, criando uma atmosfera profunda de contemplação.

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Textos épicos e o significado do Uttarayana
Nos textos épicos, especialmente no Mahabharata, o período de Uttarayana — iniciado com a entrada do Sol em Capricórnio — é descrito como auspicioso e espiritualmente elevado. O Uttarayana é entendido como o intervalo em que a energia solar se orienta para a luz, o crescimento e a elevação, em contraste simbólico com o Dakshinayana, associado ao movimento descendente e à retração.
Um dos episódios mais conhecidos que reforça esse valor espiritual é o de Bhishma, o grande guerreiro e sábio do Mahabharata. Dotado do dom de iccha-mrtyu (a capacidade de escolher o momento da própria morte), Bhishma permanece deitado sobre o leito de flechas após a batalha de Kurukshetra e deliberadamente aguarda o início do Uttarayana para deixar seu corpo. O texto descreve que ele escolhe esse momento específico por considerá-lo favorável à libertação e à elevação espiritual.
Esse episódio não institui Makar Sankranti como um festival ritual no sentido formal, mas consolida profundamente o significado espiritual da transição solar. A decisão consciente de Bhishma associa a entrada do Sol em Capricórnio a ideias de clareza, conclusão consciente, desapego e passagem correta, fortalecendo a percepção de que esse ponto do ano representa uma mudança qualitativa no fluxo do tempo.
Assim, ainda que o Mahabharata não apresente Makar Sankranti como uma celebração estruturada, ele fornece um fundamento simbólico poderoso para a sacralidade da data. Ao longo do tempo, esse entendimento épico contribuiu para que a transição solar em Makara adquirisse importância ritual, sendo reconhecida como um momento apropriado para votos, doações, práticas espirituais e reflexões sobre o ciclo da vida.

Tradição purânica e a ideia de renovação
Nos Puranas, especialmente no Vishnu Purana e no Bhagavata Purana, o tempo é apresentado como cíclico, marcado por fases de declínio e restauração. É nesse contexto que surge a figura de Kalki, o décimo e último avatar de Vishnu, destinado a aparecer no fim do Kali Yuga para restaurar o dharma.
Nenhum desses textos afirma que Kalki nascerá em Makar Sankranti ou que o festival esteja diretamente ligado ao seu surgimento. No entanto, eles enfatizam que grandes transições cósmicas são os momentos naturais de renovação da ordem. Por essa razão, tradições posteriores passaram a associar simbolicamente Makar Sankranti — uma transição solar clara e recorrente — à ideia de fim de um ciclo e preparação para um novo começo, conceito que dialoga com a missão de Kalki.
O Kalki Purana, por sua vez, aprofunda a narrativa do avatar e reforça a noção de que a restauração da ordem ocorre sempre em pontos críticos do tempo cósmico, fortalecendo essa leitura simbólica.

História da devoção régia à Sankranti solar
Ao longo da história indiana, a entrada do Sol em Capricórnio não foi apenas um dado astronômico, mas um marco organizador da vida religiosa, agrícola e política. Diferentes dinastias, espalhadas por vastas regiões do subcontinente, reconheceram a Saṅkrānti solar como um momento de legitimidade cósmica, refletido em templos, inscrições e práticas públicas. Ainda que o termo “Makar Sankranti” nem sempre apareça literalmente, o evento solar em si é claramente reconhecível na documentação histórica.
Período pré-Gupta: das tradições védicas à Dinastia Satavahana
Muito antes do período Gupta, a entrada do Sol em Capricórnio e as transições solares já ocupavam um lugar central na organização do tempo na Índia antiga. No Período Védico tardio e entre os reinos janapadas (c. 1200–600 a.C.), o Sol (Surya e Savitr) era compreendido como regulador da ordem cósmica (ṛta) e do ritmo da vida. Conceitos como Uttarayana e Dakshinayana surgem da observação direta do movimento anual do Sol, estabelecendo uma divisão do ano baseada em um fenômeno astronômico real e verificável.
Durante os reinos mahajanapadas e a Dinastia Nanda (c. 345–322 a.C.), o calendário solar passa a desempenhar um papel prático na administração agrícola e fiscal. A previsibilidade do percurso solar permitia organizar colheitas, tributos e trabalhos coletivos, transformando o Sol em uma referência neutra e estável para o Estado. Essa centralidade se aprofunda no Império Maurya (c. 322–185 a.C.), quando a ideia de dharma como ordem universal se alinha à noção de um tempo regulado pela natureza. A iconografia do período incorpora símbolos solares, reforçando o Sol como princípio de legitimidade moral e política.
Nos períodos Shunga e Kanva (c. 185–28 a.C.), observa-se uma retomada explícita de práticas rituais védicas, e o Uttarayana volta a ser destacado como um tempo ritualmente qualificado. Já entre os reinos Shaka, indo-gregos e Kushana (c. 200 a.C.–300 d.C.), a importância do Sol torna-se materialmente visível: símbolos solares passam a figurar em moedas reais, algo reservado apenas a emblemas de autoridade suprema, indicando a associação direta entre poder régio e ordem cósmica.
A Dinastia Satavahana (c. 100 a.C.–250 d.C.), que governou grande parte do Decão, representa o elo imediato com o período Gupta. Inscrições satavahanas registram doações e concessões datadas segundo referências solares, demonstrando que a Sankranti já funcionava como marcador legítimo de atos régios. Complexos como as cavernas de Bhaja e Karla, associados a esse período, preservam inscrições que confirmam o uso do tempo solar em contextos administrativos e religiosos.
Embora poucos templos solares monumentais do período pré-Gupta tenham sobrevivido intactos, sítios como as cavernas de Udayagiri — com santuários alinhados a eventos solares —, os antigos santuários de Surya no Decão e as referências históricas ao Templo Solar de Multan (Aditya Temple) demonstram que o culto a Surya já estava institucionalizado muito antes dos Guptas. Esses espaços, somados às inscrições e à iconografia monetária, confirmam que o movimento do Sol foi a base objetiva para organizar o tempo ritual, administrativo e político, preparando o terreno para a formalização e a ampla celebração da Sankranti solar nos séculos seguintes.

Período Gupta (c. 320–550 d.C.): o Sol como fundamento da ordem imperial
O Império Gupta, que se estendeu por grande parte do norte da Índia — incluindo as regiões atuais de Madhya Pradesh, Uttar Pradesh, Bihar e Bengala — governou em um período marcado pelo florescimento da astronomia, da matemática e da iconografia religiosa. Para os Guptas, a ordem do reino era inseparável da ordem cósmica, e o movimento do Sol desempenhava papel central nessa concepção.
As cavernas de Udayagiri, próximas a Vidisha, oferecem um exemplo concreto dessa integração. Ali, inscrições do reinado de Chandragupta II (século IV–V) mostram templos orientados astronomicamente e referências a datas solares auspiciosas. Embora não mencionem explicitamente “Makar Sankranti”, essas inscrições utilizam Uttarayana e Saṅkrānti como marcos temporais para rituais e doações.
Nesse período, a importância da Sankranti solar estava ligada à estabilização do tempo: a entrada do Sol em Makara marcava um momento confiável para iniciar ciclos rituais, realizar concessões e reafirmar a harmonia entre o poder real e o cosmos. Essa visão é reforçada pelos tratados astronômicos sistematizados ou transmitidos na era Gupta, como o Surya Siddhanta, que descrevem com precisão o percurso solar.

Dinastia Chola (c. 850–1279): templos, agricultura e o Sol como doador de prosperidade
No sul da Índia, especialmente no atual Tamil Nadu, a Dinastia Chola construiu um dos sistemas templários mais sofisticados da história indiana. Seu território abrangia extensas áreas costeiras e agrícolas, tornando a relação entre o Sol, as estações e a colheita absolutamente central para a vida do reino.
O Templo Brihadeeswarar de Thanjavur, erguido por Rajaraja Chola I no século XI, preserva inscrições que registram doações feitas em períodos solares específicos, incluindo o Uttarayana-kala. Essas inscrições não tratam a Sankranti apenas como um evento simbólico, mas como um momento funcional para redistribuição de riqueza, manutenção do templo e organização da economia ritual.
Ainda mais significativo é o Templo de Nataraja em Chidambaram, onde até hoje se celebra o Uttarayana Darshan. Esse rito marca simbolicamente a abertura do “caminho do norte”, refletindo a entrada do Sol em Capricórnio. Para os Cholas, essa transição solar estava intimamente ligada à renovação da energia cósmica, ao sucesso da colheita e à continuidade do reino.
Nesse contexto, Makar Sankranti — sob a forma regional do Pongal — já aparece como uma celebração plenamente integrada à vida social, religiosa e agrícola.

Chalukyas e Rashtrakutas (c. 543–973): administração, território e legitimidade solar
As dinastias Chalukya e Rashtrakuta governaram vastas regiões do planalto do Decão, abrangendo partes do atual Karnataka, Maharashtra e Andhra Pradesh. Seus reinos dependiam de um equilíbrio delicado entre poder militar, administração territorial e legitimação ritual.
Inscrições desse período mostram que datas solares, especialmente dias de Sankranti e o início do Uttarayann, eram frequentemente usados para registrar:
— Concessões de terras
— Isenções fiscais
— Doações a templos
Em centros como Aihole e Pattadakal, onde surgem alguns dos mais antigos templos de pedra da Índia, há santuários dedicados a Surya, indicando que o culto solar fazia parte do imaginário religioso do Estado. Para essas dinastias, a Sankranti do Sol funcionava como um selo de legitimidade temporal, um momento em que decisões políticas se alinhavam simbolicamente à ordem celeste.

Império Vijayanagara (c. 1336–1646): celebração pública e identidade imperial
O Império Vijayanagara, com capital em Hampi, controlou grande parte do sul da Índia em um período de intensas transformações políticas e culturais. Aqui, a Sankranti solar ganha uma dimensão ainda mais visível e coletiva.
Inscrições no Templo de Virupaksha, um dos mais antigos centros de culto contínuo da Índia, registram rituais, festivais e doações realizados durante o Uttarayana. Relatos contemporâneos e crônicas do século XV descrevem celebrações públicas associadas à entrada do Sol em Capricórnio, muitas vezes ligadas à prosperidade agrícola e à estabilidade do império.
Para Vijayanagara, Makar Sankranti não era apenas um marcador ritual, mas um evento social amplo, capaz de mobilizar templos, comunidades rurais e a própria corte imperial.

Tradições e Costumes Regionais
Makar Sankranti é celebrado de diversas maneiras em diferentes regiões da Índia. Cada estado possui suas próprias tradições e costumes.
Gujarat: Uttarayan
Em Gujarat, o Makar Sankranti é celebrado de forma especialmente vibrante e recebe o nome de Uttarayan. Nesse dia, o céu se transforma em um espetáculo contínuo de pipas coloridas, de diferentes formatos e tamanhos, que tomam conta das cidades e vilas. Famílias, amigos e vizinhos se reúnem nos terraços e áreas abertas para participar das tradicionais disputas amistosas, tentando cortar as linhas das pipas rivais e manter a sua no ar pelo maior tempo possível. A atividade cria um clima de competição alegre, música, risadas e celebração coletiva.
O festival, porém, vai muito além das pipas. A culinária típica ocupa um papel central nas comemorações. Um dos pratos mais emblemáticos é o Undhiyu, preparado lentamente com uma variedade de vegetais sazonais, especiarias e ervas, refletindo a abundância do inverno em Gujarat. Outro destaque é o Chikki, doce crocante feito principalmente de amendoim e rapadura, amplamente compartilhado entre familiares, amigos e vizinhos como símbolo de união e doçura nas relações.
A combinação de céus coloridos, encontros comunitários, tradição culinária e alegria coletiva faz do Uttarayan uma das celebrações mais marcantes e visualmente impressionantes do calendário cultural de Gujarat, representando renovação, prosperidade e a chegada de um novo ciclo solar.

Assam: Magh Bihu
Uruka (véspera de Makar Sankranti)
Uruka marca o início das celebrações e é tradicionalmente associada à abundância e à partilha. Na noite que antecede Magh Bihu, famílias e comunidades se reúnem para preparar grandes banquetes coletivos, muitas vezes ao ar livre, próximos a rios ou campos agrícolas. Fogueiras são acesas como símbolo de calor, proteção e união, criando um ambiente festivo onde as pessoas cantam, conversam e celebram juntas o fim da temporada de colheita. Essa noite tem um forte caráter comunitário, reforçando laços sociais e familiares.
Dia principal / Magh Bihu
O dia central do festival é marcado pela queima das fogueiras Meji, construídas com bambu, palha e madeira. Ao amanhecer, as fogueiras são acesas em rituais que expressam agradecimento pela colheita e pedidos de prosperidade para o novo ciclo agrícola. Ofertas simbólicas são feitas ao fogo, e a cerimônia reúne moradores de diferentes gerações, criando um momento de devoção coletiva. Após os rituais, o dia segue com visitas, refeições tradicionais e encontros comunitários, mantendo o clima de celebração.
Dias seguintes
Em muitas aldeias e vilas de Assam, Magh Bihu não se encerra em um único dia. Os festejos continuam com jogos tradicionais, competições amistosas, danças, músicas e refeições compartilhadas, prolongando o espírito de alegria e convivência. Esses dias adicionais reforçam valores como cooperação, amizade e gratidão, transformando Magh Bihu em uma celebração que vai além do ritual, consolidando a identidade cultural e o senso de comunidade ao longo de vários dias.
Bengala Ocidental: Poush Sankranti e Festas de Colheita
Em Bengala Ocidental, o Makar Sankranti é conhecido como Poush Sankranti, pois marca o encerramento do mês de Poush no calendário bengali e o início do mês de Magh. A data está diretamente associada ao fim da colheita de inverno, tornando-se um momento de agradecimento coletivo pela fartura, pela prosperidade agrícola e pela continuidade do ciclo natural.
As celebrações têm forte ênfase doméstica e comunitária, com destaque para a culinária tradicional. Um elemento central do festival é o preparo dos pithe, bolinhos feitos à base de arroz, que podem ser cozidos no vapor ou fritos, recheados com rapadura, coco ralado ou lentilhas. Cada variedade de pithe reflete práticas culinárias transmitidas por gerações, especialmente nas áreas rurais. Além disso, muitas famílias preparam khichuri, prato reconfortante de arroz e lentilhas, frequentemente acompanhado de legumes sazonais, simbolizando simplicidade, abundância e partilha.
No dia de Poush Sankranti, rituais e orações são realizados tanto em residências quanto às margens de rios e corpos d’água, em agradecimento à natureza e ao Sol pelo sucesso da colheita. Em algumas regiões, pequenas feiras locais e encontros comunitários reforçam o caráter social do festival, com troca de alimentos, visitas entre vizinhos e gestos de hospitalidade.
Mais do que uma celebração religiosa, Poush Sankranti em Bengala Ocidental representa uma profunda ligação entre agricultura, cultura alimentar e identidade regional, expressando valores de gratidão, cooperação comunitária e respeito pelos ritmos naturais que sustentam a vida cotidiana.

Tamil Nadu: Pongal
Em muitas aldeias e vilas de Assam, Magh Bihu não se encerra em um único dia. Os festejos continuam com jogos tradicionais, competições amistosas, danças, músicas e refeições compartilhadas, prolongando o espírito de alegria e convivência. Esses dias adicionais reforçam valores como cooperação, amizade e gratidão, transformando Magh Bihu em uma celebração que vai além do ritual, consolidando a identidade cultural e o senso de comunidade ao longo de vários dias.
Dia 1 – Bhogi Pandigai
Bhogi Pandigai marca o início do festival e é dedicado à renovação. As famílias limpam cuidadosamente as casas, descartam objetos antigos e os queimam em fogueiras simbólicas, representando o abandono do que não serve mais e a abertura para novos começos. O dia está associado à preparação espiritual e material para o ciclo que se inicia, criando um ambiente de ordem, clareza e expectativa positiva.
Dia 2 – Thai Pongal
Considerado o dia central do festival, Thai Pongal é dedicado ao Sol. Nesse dia, prepara-se o tradicional arroz doce Pongal, feito com arroz recém-colhido, leite e rapadura, cozido até transbordar — gesto que simboliza abundância e prosperidade. O prato é oferecido ao Sol em sinal de agradecimento pela colheita, seguido de orações, rituais domésticos e refeições compartilhadas. A atmosfera é de devoção serena e alegria familiar.
Dia 3 – Maattu Pongal
Maattu Pongal é dedicado aos animais de fazenda, especialmente bois e vacas, reconhecidos como essenciais para a agricultura tradicional. Os animais são lavados, adornados com guirlandas, pintados com cores naturais e recebem oferendas. Em muitas regiões, há procissões e rituais específicos que celebram o papel desses animais na sustentação da vida rural. As vacas, consideradas sagradas na Índia, ocupam um lugar central nessas práticas, reforçando a ideia de reciprocidade entre humanos, natureza e o trabalho agrícola.

Dia 4 – Kaanum Pongal
O último dia, Kaanum Pongal, tem um caráter mais social e comunitário. Famílias visitam parentes, amigos e vizinhos, compartilham alimentos, realizam passeios e encontros ao ar livre. O dia simboliza a continuidade dos laços sociais e o encerramento harmonioso do festival, celebrando convivência, alegria e equilíbrio coletivo após os rituais e agradecimentos dos dias anteriores.
Ao longo desses quatro dias, Pongal se afirma como uma celebração completa: une espiritualidade, agricultura, família e comunidade, refletindo valores profundamente enraizados na cultura de Tamil Nadu e mantendo viva uma tradição que atravessa gerações.
Kerala : Makara Sankranti e Sabarimala

Em Kerala, o Makar Sankranti coincide com a abertura do Santuário de Sabarimala, localizado no distrito de Pathanamthitta, nas densas florestas dos Ghats Ocidentais, no sul da Índia. O templo é dedicado ao Senhor Ayyappa, tradicionalmente considerado filho de Shiva e Vishnu em sua forma feminina, Mohini, representando disciplina, equilíbrio e renúncia.
Nesse período, milhares de devotos participam de uma das peregrinações mais rigorosas do país. Após semanas — e, em muitos casos, meses — de jejum, votos de disciplina (vratham), simplicidade e autocontrole, os fiéis sobem a montanha a pé, entoando cânticos devocionais e seguindo regras estritas de conduta espiritual.
O festival simboliza um momento de intensa renovação interior. As orações, os hinos tradicionais e a devoção coletiva expressam gratidão pela energia do Sol e pedem proteção, prosperidade e clareza espiritual para o novo ciclo iniciado com o Uttarayana.
Abaixo está uma bela canção devocional dedicada a Ayyappa, extraída de um filme da Mollywood, lançado em 1972. A música é cantada em malayalam e reflete profundamente a atmosfera de fé, disciplina e entrega associada a Sabarimala e ao Makar Sankranti.

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Maharashtra: Makar Sankranti e Haldi-Kumkum

Em Maharashtra, o Makar Sankranti é celebrado com grande entusiasmo, especialmente entre as mulheres, por meio de uma tradição social e simbólica conhecida como Haldi-Kumkum. Nesse ritual, mulheres casadas se reúnem em casas ou espaços comunitários para aplicar haldi (cúrcuma) e kumkum (pó vermelho) umas nas outras, trocando votos de bem-estar, prosperidade e respeito mútuo. Mais do que um ritual religioso, o Haldi-Kumkum fortalece laços familiares, vizinhança e amizade, criando um ambiente de alegria, partilha e celebração feminina.
Em várias regiões do estado, alguns devotos também realizam mergulhos rituais em rios sagrados, como o Godavari, acreditando que o banho neste dia auspicioso traz purificação espiritual e renovação para o novo ciclo solar iniciado com o Uttarayana.
Assim como em outras partes da Índia, empinar pipas é uma atividade central durante o Makar Sankranti em Maharashtra. Os céus se enchem de cores, simbolizando liberdade, alegria coletiva e a ascensão do Sol após o solstício de inverno.
Outro elemento essencial da celebração é o Tilgul, um doce tradicional preparado com gergelim torrado e rapadura. Ele é compartilhado com a frase: “Tilgul ghya, god god bola”, que significa “Coma tilgul e fale palavras doces”. O gesto simboliza o desejo de harmonia, reconciliação e palavras gentis no novo período que se inicia, reforçando valores de convivência e amizade.

Sankranti em Andhra Pradesh e Telangana
Em Andhra Pradesh e Telangana, Sankranti é uma das celebrações mais aguardadas do ano e se estende por quatro dias, combinando rituais domésticos, devoção ao Sol, práticas agrícolas e intensa convivência comunitária. Durante todo o período, as entradas das casas são adornadas com Muggu — desenhos geométricos feitos com farinha de arroz (muitas vezes colorida) — que simbolizam boas-vindas, prosperidade e auspiciosidade, além de alimentar simbolicamente aves e pequenos animais.
Dia 1 – Bhogi
Bhogi marca o início do festival e é dedicado à renovação. As casas passam por uma limpeza profunda, e objetos antigos ou inutilizados são queimados em fogueiras comunitárias, representando o abandono do passado e a abertura para novos começos. O dia também é associado a preces por proteção e bem-estar, criando um clima de preparação espiritual e material para os dias seguintes.
Dia 2 – Pedda Panduga / Sankranti
Este é o dia principal da celebração. Dedicado ao deus Sol, o dia começa com orações ao amanhecer e a preparação de pratos tradicionais, como o pongal, feitos com arroz recém-colhido. Famílias se reúnem, trocam visitas e compartilham refeições, reforçando laços de parentesco e vizinhança. A atmosfera é de gratidão pela colheita e de celebração da abundância.
Dia 3 – Kanuma
Kanuma é dedicado aos animais de trabalho, especialmente bois e vacas, reconhecidos como essenciais para a agricultura. Os animais são lavados, decorados com guirlandas e cores naturais, e recebem atenção especial em rituais que expressam respeito e agradecimento. Em áreas rurais, o dia inclui encontros ao ar livre e atividades ligadas ao campo, reafirmando a conexão entre comunidade e natureza.
Dia 4 – Mukkanuma
O último dia, Mukkanuma, tem um caráter mais social e familiar. É marcado por reuniões descontraídas, troca de doces e visitas entre parentes e amigos. O dia simboliza o encerramento harmonioso do festival, com agradecimentos pelas bênçãos recebidas e votos de prosperidade para o novo ciclo agrícola.
Ao longo desses quatro dias, Sankranti em Andhra Pradesh e Telangana se destaca por integrar rituais domésticos, devoção solar, vida agrícola e convivência comunitária, preservando tradições ancestrais e reforçando valores de gratidão, união e continuidade cultural.
Varanasi: Makar Sankranti às Margens do Ganges
Em Varanasi, uma das cidades continuamente habitadas mais antigas do mundo e um dos centros espirituais mais importantes da Índia, o Makar Sankranti é celebrado com intensa devoção às margens do rio Ganges. Desde antes do amanhecer, milhares de fiéis se dirigem às ghats — as escadarias que descem até o rio — para realizar o banho ritual, acreditando que, neste dia auspicioso, as águas possuem um poder especial de purificação espiritual, remoção de impurezas kármicas e renovação interior.
O banho no Ganges durante o Makar Sankranti é considerado particularmente significativo por marcar o início do Uttarayana, o período em que o Sol passa a seguir seu movimento considerado favorável. Após o mergulho, os devotos oferecem arroz cru, flores, água e doces ao Deus Sol (Surya), acompanhados de mantras e orações silenciosas realizadas voltadas para o nascer do Sol. Essas cerimônias matinais transformam os ghats em um cenário vibrante, preenchido por tons de açafrão, vermelho e dourado, além do aroma constante de incenso e lamparinas de óleo.
Além dos rituais religiosos, Makar Sankranti em Varanasi também possui um forte caráter social. É comum a distribuição de alimentos, roupas e esmolas aos necessitados, prática considerada meritória neste período de transição solar. Em algumas áreas, famílias organizam pequenas reuniões comunitárias, enquanto o empinar de pipas adiciona um elemento festivo aos céus da cidade.
O conjunto formado pelos ghats repletos de devotos, o som dos cânticos védicos, a fumaça das fogueiras rituais, o toque dos sinos e o reflexo do Sol nascente nas águas do Ganges cria uma atmosfera singular. Em Varanasi, o Makar Sankranti não é apenas um festival, mas uma experiência espiritual profunda, que une cosmologia, devoção, tradição social e continuidade cultural de milênios.

Bihar e Makar Sankranti
Em Bihar, o Makar Sankranti não recebe um nome regional amplamente distinto, como ocorre em outros estados da Índia. O festival é geralmente chamado simplesmente de “Makar Sankranti” ou “Sankranti”, preservando a denominação tradicional ligada ao calendário solar.
As celebrações em Bihar estão profundamente associadas ao ciclo agrícola e à gratidão pela colheita de inverno. O dia começa com rituais simples, banhos matinais e orações ao Sol, seguidos por encontros familiares e refeições comunitárias. Um elemento central da festividade é o consumo de tilkut, doce tradicional feito à base de gergelim e rapadura, preparado especialmente para essa ocasião. O gergelim, considerado auspicioso, simboliza calor, proteção e continuidade da vida durante o inverno.
Diferentemente de estados como Tamil Nadu, onde o festival é conhecido como Pongal, ou Assam, onde recebe o nome de Magh Bihu, Bihar mantém uma celebração mais sóbria e enraizada nos costumes locais. O foco está menos em grandes espetáculos públicos e mais na simplicidade ritual, na partilha de alimentos e no fortalecimento dos laços familiares e comunitários.
Assim, em Bihar, o Makar Sankranti reflete uma conexão direta entre natureza, agricultura e espiritualidade, marcando a transição solar com respeito, moderação e significado coletivo.
Punjab: Maghi e Celebrações de Colheita
No Punjab, o período de Sankranti é marcado por duas celebrações intimamente ligadas: Lohri e Maghi. Juntas, elas simbolizam o fim do inverno rigoroso, a renovação agrícola e, no caso da tradição sikh, a preservação da memória histórica e espiritual da comunidade.
Lohri: a despedida do inverno
Lohri é celebrado na noite anterior a Maghi, geralmente em 13 de janeiro, e marca simbolicamente o fim do inverno intenso no norte da Índia. A celebração gira em torno de grandes fogueiras comunitárias, acesas ao entardecer, ao redor das quais famílias e vizinhos se reúnem.
As pessoas oferecem à fogueira produtos da colheita recente, como gergelim (til), rapadura, amendoim e milho, em gesto de gratidão pela proteção contra o frio e pela abundância futura. Canções folclóricas tradicionais são entoadas, e as danças Bhangra e Gidda expressam alegria, energia coletiva e esperança no novo ciclo agrícola que se inicia.
Lohri tem um caráter profundamente social e comunitário, reforçando vínculos familiares e celebrando a força coletiva diante das dificuldades impostas pela estação.
Maghi: devoção, colheita e memória sikh
Maghi é celebrado no dia seguinte a Lohri, geralmente em 14 de janeiro, coincidindo com o período de Makar Sankranti. Para a comunidade sikh, Maghi possui um significado espiritual e histórico especial, pois relembra o sacrifício dos Chali Mukte — os quarenta sikhs que deram suas vidas em combate contra o exército mogol liderado por Wazir Khan, sendo posteriormente reconhecidos por sua devoção e coragem.
O dia começa com banhos sagrados em rios, lagos ou reservatórios, seguidos por orações em gurdwaras, onde fiéis prestam homenagem aos mártires e refletem sobre valores como coragem, compromisso e retidão. Em muitas localidades, são organizadas refeições comunitárias (langar), fortalecendo o ideal de igualdade e partilha.
Os alimentos típicos consumidos em Maghi incluem khichdi, ghee, gergelim e rapadura, ingredientes associados à nutrição, ao calor corporal e à prosperidade agrícola. O dia também é marcado por encontros familiares, música tradicional e atividades culturais que expressam a identidade vibrante do Punjab.
Juntas, Lohri e Maghi representam mais do que festivais sazonais: elas unem agricultura, espiritualidade, memória histórica e vida comunitária, refletindo a profunda ligação do povo do Punjab com a terra, o tempo e seus valores coletivos.

Dicas para Gringos: Conhecer Makar Sankranti na Índia
Makar Sankranti vai muito além de um único ritual ou local. Trata-se de um festival solar que marca a mudança de estação e se manifesta de formas profundamente distintas em cada região da Índia. Para aproveitar ao máximo essa celebração, escolher onde vivenciá-la faz toda a diferença..
Escolha a Região Certa
Makar Sankranti é vivenciado de maneiras muito diferentes em cada parte da Índia, e escolher a região certa transforma completamente a experiência. Em alguns lugares, o festival ganha cores e movimento; em outros, assume um caráter mais agrícola ou espiritual. Essa diversidade revela como uma mesma data solar pode refletir identidades culturais distintas. Ao decidir onde celebrar, você define se quer espetáculo, tradição rural ou profundidade espiritual.
Planeje com Antecedência
O festival de Makar Sankranti ocorre nos dias 14 ou 15 de janeiro, dependendo do calendário solar. Como é uma época movimentada em muitas cidades e vilas, é importante reservar transporte, passagens de trem e hospedagem com antecedência. Planejar a logística garante que você possa aproveitar o festival sem estresse e participar de todos os eventos com tranquilidade.
Experimente a Gastronomia Local
Uma parte essencial da experiência do festival é a comida tradicional. Prove doces típicos como tilgul em Maharashtra, chikki em Gujarat e o arroz doce Pongal em Tamil Nadu. Esses alimentos não são apenas deliciosos, mas também simbolizam prosperidade, amizade e gratidão. Participar das degustações locais permite mergulhar na cultura regional de cada estado.

Participe de Atividades Locais
Para vivenciar o festival de forma autêntica, participe de atividades tradicionais. Soltar pipas coloridos nos terraços em Gujarat, observar fogueiras comunitárias em Maharashtra e tomar banhos sagrados nos rios em Punjab são experiências únicas. Visitar templos e participar de rituais locais também ajuda a compreender a espiritualidade e a riqueza cultural do festival.
Respeite as Tradições
Ao visitar templos ou locais sagrados, é importante vestir roupas apropriadas e comportar-se com respeito. Evite gestos ou atitudes inadequadas, como falar alto dentro de santuários ou desrespeitar cerimônias. Demonstrar respeito não só ajuda na interação com os locais, mas também permite que você absorva plenamente o significado espiritual do festival.
Proteja-se do Sol
Como Makar Sankranti celebra o Sol, muitas atividades acontecem ao ar livre, sob luz intensa. Leve protetor solar, chapéu, óculos escuros e roupas leves para evitar queimaduras e desconforto. Manter-se hidratado também é essencial para aproveitar plenamente as festividades sem problemas de saúde.
Leve Câmera e Drone
O festival é um espetáculo visual, com céus cheios de pipas, fogueiras iluminadas e rituais coloridos. Levar uma câmera ou drone permite capturar fotos e vídeos incríveis. Lembre-se de respeitar a privacidade das pessoas e observar as regras locais de voo de drones para não interromper os rituais ou comprometer a segurança.
Esteja Preparado para Multidões
Cidades como Ahmedabad, Varanasi e Jaipur ficam extremamente movimentadas durante Makar Sankranti. Planeje-se para enfrentar multidões e filas, mantenha objetos pessoais seguros e pratique paciência. Embora as celebrações sejam vibrantes e alegres, lidar bem com grandes grupos de pessoas é essencial para uma experiência tranquila.
Aprenda Algumas Palavras Locais
Conhecer frases simples pode tornar sua experiência mais rica. Palavras como “Namaste” (saudação) e “Shubh Makar Sankranti” (feliz Makar Sankranti) mostram educação e interesse pela cultura local. Cumprimentar moradores e participantes do festival com essas expressões pode abrir portas para conversas, histórias e até convites para rituais e celebrações.

Explore Além do Festival
Makar Sankranti é uma excelente oportunidade para conhecer a cultura indiana, mas não se limite apenas aos eventos do festival. Aproveite para visitar templos históricos, mercados locais, áreas rurais e feiras tradicionais. Essa exploração complementar oferece um panorama mais completo da diversidade cultural, culinária e espiritual da Índia.
Conclusão
Makar Sankranti é muito mais do que um festival marcado por cores vibrantes, sabores tradicionais e celebrações festivas. Ele representa um ponto de convergência entre astronomia, espiritualidade, agricultura e vida social, no qual o movimento do Sol se transforma em um momento de renovação coletiva. Embora os rituais, os alimentos e até os nomes do festival variem de estado para estado, o significado central permanece o mesmo: a transição para um novo ciclo, vivido em harmonia com a ordem natural.
Ao longo da Índia, Makar Sankranti assume formas distintas — nos campos agrícolas, nos templos, às margens dos rios e nos lares — refletindo a diversidade cultural do país sem perder sua unidade simbólica. Cada gesto, desde as oferendas ao Sol até a partilha dos alimentos, expressa valores profundamente enraizados, como gratidão, generosidade, disciplina e esperança no futuro.
Nos próximos artigos, vamos aprofundar ainda mais essa riqueza, explorando as celebrações regionais, os rituais específicos, os alimentos tradicionais, as histórias locais e os significados culturais que tornam Makar Sankranti um festival vivo e continuamente reinventado. Ao acompanhar essa jornada, você poderá mergulhar de forma mais profunda na cultura indiana, compreendendo como um simples movimento solar se transforma, há milênios, em uma celebração de alegria, equilíbrio e continuidade da vida.
Perguntas Frequentes
O que é Makar Sankranti?
Makar Sankranti é um festival hindu que marca a transição do sol para o signo de Capricórnio (Makara).
Quando é celebrado Makar Sankranti?
Geralmente, ocorre em 14 ou 15 de janeiro, dependendo do movimento solar e do calendário hindu.
Quais são os principais rituais do festival?
As pessoas participam de banhos sagrados, soltura de pipas, fogueiras, e oferecem comidas típicas à família e aos deuses.
Qual é a importância cultural do festival?
O festival celebra a colheita, a prosperidade e a vitória da luz sobre a escuridão, sendo popular em toda a Índia.
Quais doces são típicos de Makar Sankranti?
Doces à base de gergelim e rapadura, como tilgul e chikki, são tradicionais e simbolizam amizade e prosperidade.
O que torna Makar Sankranti diferente de outros festivais?
É um festival solar, celebrado com várias tradições regionais, além de ser um momento auspicioso para rituais espirituais.
Makar Sankranti é celebrado no mesmo dia em toda a Índia?
Embora o marco solar seja o mesmo, o festival recebe nomes diferentes e possui costumes regionais variados, como Pongal em Tamil Nadu, Uttarayan em Gujarat e Poush Sankranti em Bengala Ocidental.
O que é Uttarayana e qual sua relação com Makar Sankranti?
Uttarayana é o período em que o Sol inicia seu movimento considerado auspicioso em direção ao norte. Makar Sankranti marca o começo desse ciclo.
Por que o gergelim é tão importante em Makar Sankranti?
O gergelim é considerado auspicioso, associado à proteção, energia e longevidade, sendo amplamente utilizado em doces e oferendas durante o festival.
Makar Sankranti é um feriado religioso ou cultural?
Makar Sankranti é ao mesmo tempo um festival religioso e cultural, combinando rituais espirituais com celebrações agrícolas e comunitárias.
Quando será Makar Sankranti em 2026?
Em 2026, Makar Sankranti será celebrado em 14 de janeiro, uma quarta-feira, de acordo com o cálculo solar tradicional.
