ISRO lança o satélite CMS-03 e realiza teste criogênico C25 em órbita com sucesso

Por Redação — Caminho da Índia - Última atualização em Ter, 4 de nov de 2025, 05:44

Sriharikota, Índia — A Indian Space Research Organisation (ISRO) alcançou dois feitos históricos em uma única missão. Na manhã de 2 de novembro de 2025, a agência lançou com sucesso o satélite de comunicações CMS-03 (GSAT-7R), o mais pesado já construído no país, a bordo do foguete LVM3-M5. Paralelamente, realizou um teste em órbita do estágio criogênico C25, marcando um passo decisivo para o futuro das missões espaciais indianas.

O lançamento ocorreu a partir do Centro Espacial Satish Dhawan, em Sriharikota, às 17h26 (horário local). Poucos minutos após a decolagem, o veículo atingiu a órbita planejada de transferência geoestacionária, confirmando o sucesso da separação do satélite e o pleno funcionamento de todos os sistemas de bordo.

O poderoso CMS-03: comunicação e defesa

O CMS-03 — também conhecido como GSAT-7R — pesa cerca de 4.410 kg e é projetado para fornecer cobertura de comunicação de alta largura de banda em todo o Oceano Índico e regiões estratégicas próximas. O satélite opera nas bandas C, estendida C e Ku, com múltiplos feixes de alta potência para garantir comunicações seguras e resilientes, especialmente voltadas para a Marinha Indiana e aplicações de defesa nacional.

De acordo com o presidente da ISRO, S. Somanath, o satélite “garantirá conectividade constante para operações marítimas e navais, reforçando a infraestrutura de defesa e comunicação civil do país”. A missão também melhora a capacidade de resposta em situações de emergência e desastres naturais, integrando-se à rede nacional de telecomunicações e segurança.

O teste criogênico C25: um passo para o futuro

Após a separação do CMS-03, a ISRO conduziu um teste de reinicialização em órbita do estágio criogênico C25, utilizado no veículo lançador LVM3. O motor, alimentado por hidrogênio e oxigênio líquidos, foi reiniciado com sucesso em microgravidade, demonstrando a confiabilidade da tecnologia e abrindo caminho para missões interplanetárias e tripuladas.

Segundo a ISRO, o teste foi projetado para validar o comportamento térmico e o controle de propulsão durante longas durações em órbita. “Esta validação é um marco essencial para o programa Gaganyaan e futuras missões de exploração lunar”, afirmou Somanath em coletiva à imprensa.

Inovação e colaboração científica

A missão contou com a colaboração de diversos centros da ISRO, incluindo o U R Rao Satellite Centre (URSC) e o Liquid Propulsion Systems Centre (LPSC). Engenheiros e cientistas trabalharam no desenvolvimento de sistemas de controle térmico, novos sensores e algoritmos de navegação que aprimoram o desempenho do LVM3.

O CMS-03 também incorpora componentes desenvolvidos por startups indianas do setor aeroespacial, alinhando-se à política de incentivo ao ecossistema espacial privado promovido pelo governo indiano por meio da agência IN-SPACe. Essa colaboração fortalece o conceito de uma “Nova Índia Espacial”, em que o setor público e privado avançam lado a lado.

Perspectivas para o programa espacial indiano

Com o sucesso do lançamento e do teste criogênico, a ISRO consolida sua reputação internacional como uma das agências espaciais mais eficientes do mundo. O país se prepara agora para uma sequência de missões ambiciosas, incluindo o NISAR (satélite conjunto com a NASA), o Aditya-L1 para observação solar contínua e o já mencionado Gaganyaan, que levará astronautas indianos à órbita terrestre baixa.

Essas conquistas refletem o foco estratégico da Índia em tecnologia de ponta, sustentabilidade e soberania espacial — um avanço que coloca o país no seleto grupo das nações com plena capacidade de lançamento, fabricação e controle orbital independente.

Curiosidades e dados técnicos da missão

Altura do foguete LVM3-M5: 43,5 metros (equivalente a um prédio de 15 andares).
Peso total no lançamento: aproximadamente 640 toneladas.
Tempo total de voo até a separação do satélite: cerca de 17 minutos e 43 segundos.
Órbita alcançada: transferência geoestacionária com apogeu de 35.786 km e perigeu de 170 km.
Combustível do estágio C25: hidrogênio líquido (LH2) e oxigênio líquido (LOX), resfriados a -253 °C e -183 °C, respectivamente.
Capacidade de carga útil do LVM3: até 8 toneladas para órbita baixa e 4 toneladas para órbita geoestacionária.

Esses números ressaltam o poder tecnológico alcançado pela Índia e demonstram que o país está preparado para competir em pé de igualdade com potências espaciais tradicionais.