Índia e Europa avançam para acordo de livre comércio histórico

Por Redação — Caminho da Índia - Última atualização em Dom, 15 de fev de 2026, 15:08

Nova Délhi / Bruxelas — A Índia e a União Europeia anunciaram oficialmente, em 27 de janeiro de 2026, um Acordo de Livre Comércio (FTA) considerado por autoridades como a “mãe de todos os acordos”. A formalização ocorreu apenas um dia após a Índia celebrar seu 77º Dia da República, em 26 de janeiro, conferindo ao anúncio forte simbolismo político e econômico.

O acordo encerra um ciclo de negociações iniciado em 2007 e cria uma das maiores parcerias comerciais do planeta, com impacto direto sobre cerca de 2 bilhões de pessoas.

Quase 20 anos até a “mãe de todos os acordos”

As discussões entre a Índia e a União Europeia começaram formalmente em 2007 e atravessaram diferentes ciclos políticos, crises globais e impasses técnicos. Tarifas, padrões regulatórios, sustentabilidade, propriedade intelectual e mobilidade profissional estiveram entre os temas mais sensíveis.

O texto final reflete um equilíbrio estratégico: enquanto amplia o acesso a mercados europeus, a Índia conseguiu manter fora do acordo setores considerados linhas vermelhas, especialmente a agricultura, protegendo milhões de pequenos agricultores e a segurança alimentar nacional.

Incerteza geopolítica acelerou o acordo

A assinatura ocorre em meio a um cenário internacional instável. A possibilidade de mudanças bruscas na política externa dos Estados Unidos, associadas ao retorno de Donald Trump ao centro do debate geopolítico, levou a União Europeia a acelerar acordos estratégicos com parceiros considerados confiáveis.

Nesse contexto, a Índia destacou-se como uma alternativa sólida: grande mercado interno, crescimento sustentado e capacidade industrial e tecnológica em expansão.

Um acordo de escala global

Juntas, a Índia e a União Europeia representam cerca de 25% do PIB global e aproximadamente um terço do comércio mundial. O impacto do FTA, portanto, vai muito além das duas regiões, influenciando cadeias globais de produção, investimentos e fluxos comerciais.

Em termos práticos, o comércio de bens entre Índia e UE atingiu US$ 136,54 bilhões em 2024–25, com exportações indianas somando cerca de US$ 75,85 bilhões. O comércio de serviços adicionou outros US$ 83,10 bilhões no mesmo período.

Exportações indianas em destaque

O acordo deve impulsionar significativamente exportações indianas em setores como joias e joalheria, tecnologia da informação, serviços digitais, farmacêuticos, engenharia e têxteis, reduzindo tarifas e barreiras regulatórias em um dos mercados mais exigentes do mundo.

Ao mesmo tempo, a Europa tende a ampliar investimentos diretos na Índia, especialmente em manufatura avançada, transição energética e inovação.

Anúncio político e ambição econômica

O anúncio formal do acordo foi feito em 27 de janeiro de 2026 pelo primeiro-ministro Narendra Modi, ao lado dos convidados de honra Ursula von der Leyen e António Costa, reforçando o peso político e institucional do tratado.

Economistas veem o FTA como um acelerador-chave para que a Índia se consolide como a terceira maior economia do mundo nos próximos anos, desmontando narrativas antigas e reforçando sua posição como potência econômica global.

Uma narrativa que já não se sustenta

Um acordo dessa magnitude evidencia que a Índia negocia hoje como protagonista, não como economia periférica. A confiança europeia reflete transformações estruturais profundas no país.

Esse movimento dialoga diretamente com a análise apresentada em por que a Índia é chamada de país pobre — e por que essa narrativa já não faz sentido, mostrando como dados, acordos e decisões globais contam uma história bem diferente.