
Introdução
O modak é muito mais do que um doce indiano: ele é um símbolo espiritual, cultural e emocional profundamente ligado à devoção ao Senhor Ganesha. Seu aroma delicado de coco, rapadura e ghee, somado à sua forma que lembra uma pequena montanha sagrada, tornou-o um ícone na culinária e religiosidade do país.
Mas o que torna o modak tão especial? Por que é considerado o doce preferido de Ganesha? De onde veio essa tradição? E como ele se espalhou por diferentes regiões da Índia, cada uma criando suas próprias versões?
Este guia completo revela tudo: história, mitos, variedades, curiosidades, importância religiosa, impacto cultural e até uma receita prática para você preparar seu próprio modak em casa.
A Origem e História do Modak
O modak é um doce antigo, com menções que aparecem em textos sânscritos clássicos e em tradições culinárias do oeste e do sul da Índia. Acredita-se que tenha surgido como um prasada — alimento oferecido às divindades — devido ao seu sabor simples, ingredientes puros e formato simbólico.
O nome “Modak”
A palavra sânscrita “modaka” (मोदक) significa literalmente “algo que traz alegria”.
Na filosofia hindu, alimentos oferecidos aos deuses devem expressar amor, pureza e intenção espiritual — e o modak, com sua combinação de ingredientes naturais, é considerado um dos mais auspiciosos.

O Modak ao longo dos séculos
A trajetória do modak acompanha a própria evolução das práticas rituais e da vida cultural no subcontinente indiano. Mais do que um doce, ele reflete transformações religiosas, sociais e regionais ao longo do tempo.
Período Védico (1500–500 a.C.)
Os textos védicos não mencionam o modak de forma direta nem descrevem um doce com a forma que hoje lhe é familiar. Ainda assim, eles revelam algo essencial: desde os primórdios da tradição ritual indiana, alimentos doces ocupavam um lugar central na relação entre o humano e o sagrado. No Rig Veda e no Yajur Veda, encontram-se referências a oferendas alimentares (anna) e a substâncias naturalmente doces como o madhu (mel), associadas a rituais de colheita, prosperidade e harmonia cósmica.
Nesses contextos, a doçura não era apenas sabor, mas símbolo de gratidão e abundância, oferecida aos deuses como reconhecimento pelo equilíbrio da natureza. O alimento, preparado a partir de grãos cozidos e mel, era consagrado como naivedya. (Naivedya é a oferenda de alimentos preparada e apresentada a uma divindade durante um ritual, simbolizando devoção, gratidão e a partilha espiritual antes de ser distribuída como prasada.)
Com o passar do tempo, textos ritualísticos posteriores — como os Grihya Sutras e o Shatapatha Brahmana — passaram a descrever de forma mais detalhada as oferendas domésticas. Surgem então preparações doces conhecidas genericamente como payasa, combinações de grãos, leite e adoçantes naturais, valorizadas não por sua forma externa, mas por sua intenção ritual e significado simbólico.
É a partir desse fio contínuo de práticas que estudiosos da alimentação indiana identificam os antecedentes conceituais dos doces moldados que surgiriam em períodos posteriores, entre eles o modak. No universo védico, a estética era secundária: o valor do alimento estava no gesto de oferecer. Esse princípio — em que a devoção precede o prazer — permanece vivo na tradição do modak até hoje, conectando-o a uma herança espiritual milenar.
Era Gupta (séculos IV–VI d.C.)
Durante a Era Gupta, marcada por intenso florescimento cultural, artístico e religioso, o modak começa a adquirir identidade própria dentro da tradição indiana. Textos sânscritos clássicos desse ambiente intelectual, como o Amarakosha, passam a registrar o termo “modaka” como um doce auspicioso, associado a celebrações, rituais domésticos e ocasiões cerimoniais.
É nesse período de sistematização cultural que o modak deixa de ser apenas uma oferenda genérica e passa a ser reconhecido como um alimento simbolicamente carregado, ligado à prosperidade, à doçura da vida e à plenitude. Essa consolidação semântica e ritual preparou o terreno para sua associação definitiva com Ganesha nos textos purânicos posteriores.

Textos Purânicos (séculos IV–XIII)
Nos textos purânicos, a associação entre o modak e Ganesha é plenamente consolidada, elevando o doce a um símbolo teológico explícito. O Ganesha Purana e o Mudgala Purana descrevem o modak como o alimento predileto da divindade, associado não apenas ao prazer, mas à bem-aventurança (ananda) e à recompensa espiritual concedida ao devoto.
Nessas narrativas, o modak aparece como mais do que uma oferenda material. Ele surge como uma dádiva simbólica ligada ao mérito espiritual, frequentemente concedida àqueles que demonstram devoção, autocontrole ou fidelidade ao dharma. Em algumas passagens, o doce é oferecido pelos próprios devas ou entregue por Ganesha como prêmio divino, reforçando a ideia de que o valor do modak transcende o alimento e aponta para uma recompensa de ordem espiritual.
Idade Média Indiana
Com a expansão e consolidação dos grandes templos no Maharashtra, Goa e Karnataka, o modak torna-se parte integrante das oferendas diárias (naivedya) e dos festivais regionais. Nesse período, as versões cozidas no vapor, conhecidas como ukadiche modak, ganham destaque, especialmente entre comunidades costeiras, onde coco fresco e arroz eram abundantes.
O modak assume então características regionais, variando no recheio, na forma e na técnica, sem perder seu núcleo simbólico.
Período Colonial
Durante o período colonial, as rotas marítimas portuguesas e britânicas intensificaram o intercâmbio cultural e gastronômico. Embora o modak permanecesse profundamente ligado ao contexto ritual hindu, ele passou a incorporar variações locais, adaptações de ingredientes e novas técnicas, especialmente em regiões costeiras.
Esse período contribuiu para a diversificação do modak, sem romper sua ligação com a devoção e a tradição.
Era Moderna
No final do século XIX e início do século XX, o modak alcança projeção nacional com a popularização do festival Ganesh Chaturthi, impulsionada por Lokmanya Tilak como forma de mobilização social e identidade cultural.
A partir desse momento, o modak se consolida definitivamente como o símbolo máximo da devoção a Ganesha, presente em templos, lares e celebrações por toda a Índia, atravessando fronteiras regionais e gerações.
Modak no Festival de Ganesh Chaturthi
Ganesh Chaturthi celebra o nascimento de Ganesha, o removedor de obstáculos e deus do conhecimento. Em quase todas as casas e templos da Índia ocidental, o modak é presença obrigatória no altar.
Por que o Modak é o Doce Favorito de Ganesha?
Segundo os Puranas, Ganesha certa vez participou de um banquete celestial, onde cada divindade presenteava os convidados com seus pratos favoritos. Quando Ganesha provou o modak, ele anunciou:
— “Este é o doce que traz pleno contentamento.”
A partir daí, o modak se tornou seu símbolo. Em imagens e estátuas, Ganesha é frequentemente representado segurando um modak na mão esquerda — sinal de doçura espiritual, sabedoria e alegria.

Número Simbólico: 21 Modaks
Oferecer 21 modaks a Ganesha é uma das tradições mais antigas e respeitadas do Ganesh Chaturthi. Embora os textos clássicos não apresentem uma explicação única, existem interpretações amplamente aceitas dentro da tradição hindu.
A explicação mais difundida diz que os 21 modaks representam os 21 nomes sagrados de Ganesha (Ekavimshati Namavali), recitados em rituais para invocar sua proteção e remover obstáculos.
Outra interpretação tradicional associa o número 21 aos elementos que compõem o ser humano segundo diferentes escolas filosóficas — incluindo sentidos, elementos naturais, mente e consciência — simbolizando a entrega completa do devoto ao divino.
Independentemente da interpretação, o gesto representa devoção total, gratidão e o desejo de começar novos caminhos sob a bênção de Ganesha.

Receita Tradicional de Ukadiche Modak (rende 16 a 20 unidades)
A seguir, uma versão autêntica, simples e infalível.
Ingredientes para a massa (ukad)
2 xícaras de farinha de arroz
2 xícaras de água
1 colher de chá de ghee
1 pitada de sal
Ingredientes para o recheio (saran)
2 xícaras de coco fresco ralado
1 xícara de rapadura ralado
1 colher de sopa de ghee
½ colher de chá de cardamomo em pó

Preparo do Recheio (Coco e Rapadura)
Aquecer o ghee e ativar os aromas
Em uma panela de fundo grosso, aqueça o ghee em fogo médio-baixo.
Permita que ele aqueça lentamente até liberar seu aroma característico, sem escurecer. Esse passo cria a base aromática do recheio e garante sabor profundo e equilibrado.
Derreter a rapadura até o ponto correto
Acrescente a rapadura ralada ao ghee quente e mexa continuamente.
À medida que derrete, a rapadura se transforma em um xarope espesso de tom âmbar, com notas naturais de caramelo e açúcar mascavo. O fogo deve ser moderado para evitar que o açúcar queime ou cristalize.
Esse estágio é essencial para que o recheio fique doce, profundo e naturalmente perfumado, sem necessidade de açúcar refinado.
Incorporar o coco ralado fresco
Adicione o coco ralado fresco à calda ainda quente.
Mexa bem para que o coco absorva completamente o xarope, formando uma mistura úmida, brilhante e macia — a textura clássica do recheio tradicional dos modaks do Maharashtra.
O coco deve ficar bem envolvido, sem excesso de líquido livre na panela.
Aromatizar com especiarias suaves
Acrescente o cardamomo em pó, misturando delicadamente.
O cardamomo introduz uma fragrância floral e levemente cítrica, equilibrando a doçura da rapadura sem sobrecarregar o sabor.
Esse aroma é característico dos modaks preparados tanto em casas tradicionais quanto em cozinhas de templos.
Cozinhar até o ponto ideal de modelagem
Cozinhe o recheio por mais 2 a 3 minutos, mexendo sempre, até que a mistura:
— comece a desgrudar levemente do fundo da panela
— permaneça úmida e flexível
— não esteja seca ou granulada
Desligue o fogo nesse ponto. O recheio continuará firmando levemente ao esfriar.
Resfriar antes de usar
Transfira o recheio para um recipiente e deixe esfriar completamente.
O recheio frio é mais fácil de moldar, não libera vapor e evita que a massa do modak se rompa durante a montagem.
Dica tradicional
Para maior profundidade aromática, adicione uma pitada de noz-moscada ralada ou algumas gotas de água de rosas após desligar o fogo — práticas registradas em preparos rituais antigos.
Abaixo, você encontra a belíssima aarti de Ganesha do clássico filme de Bollywood Vaastav. Ouça essa música devocional enquanto prepara os modaks — ela ajuda a criar um clima de concentração, alegria e energia positiva durante o preparo. 😀

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Preparando a Massa
Ferver a água com gordura e sal
Em uma panela, ferva água filtrada com:
— uma pitada de sal
— uma colher de ghee
O ghee torna a massa mais maleável e contribui para uma textura sedosa e resistente a rachaduras.
Incorporar a farinha de arroz corretamente
Assim que a água começar a ferver vigorosamente, reduza o fogo e adicione a farinha de arroz de uma só vez.
Misture rapidamente com uma colher de pau, incorporando toda a água até formar uma massa espessa e homogênea.
Esse passo deve ser rápido para evitar grumos.
Cozinhar a massa no vapor
Tampe a panela e deixe a massa cozinhar por 2 a 3 minutos em fogo baixo.
O vapor ajuda a hidratar completamente os grãos de arroz, garantindo uma massa macia e fácil de trabalhar.
Sovar enquanto ainda morna
Transfira a massa ainda quente (mas suportável ao toque) para uma tigela ou superfície limpa.
Sove com as mãos até que fique:
— macia
— lisa
— elástica
— sem rachaduras aparentes
Esse é o passo mais importante para a modelagem perfeita das pétalas do modak.
Ajustar a textura, se necessário
Se a massa estiver:
seca ou quebradiça – acrescente pequenas quantidades de água quente
pegajosa demais – polvilhe um pouco de farinha de arroz
Faça ajustes graduais para manter a elasticidade sem perder estrutura.
Manter a massa protegida
Mantenha a massa sempre coberta com um pano úmido ou tampa, evitando contato com o ar.
O ressecamento da superfície dificulta a formação das dobras delicadas do modak.
Dica de cozinheiros experientes
Unte levemente as mãos com ghee antes de sovar e modelar. Isso evita que a massa grude e ajuda a obter um acabamento suave e uniforme.
Modelagem do Modak
A modelagem é a etapa em que o modak ganha identidade visual e simbólica. Tradicionalmente, ele pode ser moldado à mão, como nas casas do Maharashtra, ou com molde, opção prática que preserva a forma clássica do doce.
Ambos os métodos são válidos; a diferença está no processo, não no significado.
Modelagem à Mão (Método Tradicional)
A forma artesanal produz modaks com personalidade própria — cada um levemente diferente, mas igualmente especial.
Pegue uma pequena porção de massa e forme uma bolinha macia.
Achate delicadamente até criar um disco fino, mantendo o centro um pouco mais espesso do que as bordas.
Belisque as bordas com as pontas dos dedos, criando pequenas pétalas — símbolo de delicadeza e habilidade culinária.
Coloque uma colher de recheio bem no centro.
Una as pétalas para o topo, apertando suavemente para selar e formar a clássica ponta do modak, símbolo de elevação espiritual.
Dica: Se a massa começar a rachar, umedeça levemente as pontas dos dedos com água morna.
Modelagem com Molde
Unte o interior do molde com ghee, garantindo que a massa não grude.
Coloque uma pequena camada de massa nas duas metades do molde, pressionando de leve para que ela se espalhe.
Adicione o recheio sem encher demais, para evitar aberturas.
Complete com mais massa, fechando o molde completamente.
Abra o molde com cuidado — e admire um modak impecável!

Cozinhando no Vapor
O cozimento no vapor é a etapa que transforma a massa macia em um modak leve, brilhante e perfumado
Unte a cesta de vapor com ghee
Passe uma fina camada de ghee na peneira ou superfície do vaporizador.
Isso evita que os modaks grudem e ainda acrescenta um aroma aconchegante.
Disponha os modaks com espaço entre eles
Coloque cada modak cuidadosamente, deixando um pequeno espaço ao redor.
Assim, o vapor circula por igual e todos cozinham na mesma intensidade.
Cozinhe por 10–12 minutos
Mantenha o fogo médio.
Os modaks primeiro ficarão opacos e, em seguida, ganharão um brilho translúcido — o sinal perfeito de que estão prontos.
O perfume doce do coco e da rapadura começa a se espalhar pela cozinha.

Finalize com um fio de ghee por cima
Assim que retirar do vapor, pincele ou regue cada modak com um pouquinho de ghee.
Isso realça o sabor, dá um toque de brilho extra e os deixa ainda mais macios.
Seu modak está divino, perfumado e leve — perfeito para oferecer, celebrar e saborear.
Variedades de Modak pelo País
Embora o modak mais famoso seja o Ukadiche Modak (cozido no vapor), diversas regiões da Índia criaram suas próprias versões.
Ukadiche Modak (modak no vapor)
Originário do Maharashtra e de Goa, o ukadiche modak é preparado com recheio de coco fresco ralado e rapadura derretida, envolto em uma massa fina de farinha de arroz e cozido no vapor. Essa combinação simples e precisa confere ao doce uma textura macia e sabor delicado.
Profundamente ligado ao festival de Ganesh Chaturthi, o ukadiche modak é considerado o doce predileto de Ganesha. Por isso, tornou-se o símbolo máximo da devoção ao deus, representando pureza, oferenda sincera e a doçura que nasce da disciplina espiritual.
Fried Modak (modak frito)
O modak frito apresenta uma casquinha dourada e crocante, que envolve o recheio tradicional de coco, nozes e rapadura, resultando em um doce mais intenso e estruturado. Diferente da versão cozida no vapor, ele possui maior durabilidade e resistência, mantendo textura e sabor por mais tempo.
Essa variação surgiu muito antes da refrigeração e era especialmente valorizada em viagens longas, sendo comum entre comerciantes e peregrinos. Sua textura firme e o cozimento em óleo tornavam o modak frito ideal para transporte, sem comprometer a integridade do doce — uma adaptação prática que reflete as necessidades do cotidiano antigo.

Rava Modak (sem farinha de arroz)
O rava modak utiliza rava ou suji (sêmola) no lugar da farinha de arroz, dispensando completamente o método tradicional. Muito popular no sul da Índia, onde a sêmola é amplamente empregada em doces e preparações festivas, essa versão se destaca por ser mais fácil de moldar e especialmente indicada para iniciantes.
Mawa Modak (modak de leite)
O mawa modak é preparado com khoya ou mawa, leite cozido até a completa evaporação, resultando em uma base rica e cremosa. Bastante comum em Mumbai, essa variação pode ser moldada em formatos decorativos e aceita bem colorações naturais, como açafrão, cúrcuma, beterraba ou pistache moído.
Com sabor intenso e textura aveludada, é ideal para quem aprecia doces mais encorpados.
Chocolate Modak (versão moderna)
O chocolate modak combina chocolate meio amargo com khoya ou mawa, criando uma fusão entre tradição e paladar contemporâneo. Tornou-se especialmente popular entre as crianças durante o festival, ilustrando como receitas antigas continuam vivas ao se adaptar aos gostos atuais.
Dry Fruits Modak (modak energético)
O dry fruits modak é preparado com uma mistura nutritiva de amêndoas, pistache, tâmaras, caju, gergelim e, em algumas versões, figo seco. Não utiliza massa: os ingredientes são processados e moldados diretamente no formato do modak.
Inspirado na culinária ayurvédica, que valoriza alimentos capazes de fortalecer o prana (energia vital), essa versão é densa, energética e ideal para quem busca um doce mais nutritivo.

Modak e a Ciência da Nutrição Tradicional
Muito antes de o termo superfood ganhar popularidade no mundo moderno, o modak já cumpria esse papel na alimentação tradicional indiana. Seu recheio clássico reúne ingredientes que a Ayurveda valoriza há milênios, não apenas pelo sabor, mas pela forma como nutrem o corpo de maneira equilibrada e sustentada.
Coco: energia estável e saciedade natural
O coco fresco é rico em fibras e gorduras naturais, o que contribui para uma liberação gradual de energia. Na tradição alimentar indiana, ele é apreciado por promover saciedade, ajudar no funcionamento digestivo e oferecer suporte energético sem causar picos bruscos. Por isso, o coco é amplamente usado em preparações destinadas a sustentar o corpo por longos períodos.
Rapadura: doçura nutritiva e mineralizante
A rapadura é considerada uma forma mais completa de açúcar, pois mantém minerais naturais como ferro, magnésio e potássio. Diferente do açúcar refinado, ela fornece doçura acompanhada de nutrientes, sendo tradicionalmente associada à reposição de energia e ao fortalecimento do organismo, especialmente em climas quentes ou após esforço físico prolongado.

Ghee: suporte ao corpo e à mente
O ghee ocupa um lugar central na Ayurveda, sendo descrito como um alimento que nutre profundamente o corpo. Ele auxilia na assimilação dos nutrientes, sustenta o sistema digestivo e é associado à clareza mental quando consumido com moderação. Sua estabilidade ao calor também o torna ideal para preparações rituais e tradicionais como o modak.
Cardamomo: equilíbrio digestivo e aromático
O cardamomo é uma das especiarias mais valorizadas na culinária indiana por sua ação digestiva suave. Ele ajuda a equilibrar os doshas, reduz a sensação de peso após o consumo de doces e melhora a assimilação dos alimentos. Além disso, seu aroma fresco e levemente cítrico harmoniza a doçura do recheio, tornando o modak mais leve ao paladar.
Energia de liberação lenta e uso tradicional
Graças à combinação desses ingredientes, o modak oferece energia de liberação lenta, característica fundamental em tempos antigos. Por esse motivo, era frequentemente oferecido a viajantes, peregrinos e guerreiros, que percorriam longas distâncias e precisavam de vitalidade constante, sem necessidade de refeições frequentes.
Mais do que um doce, o modak funcionava como alimento funcional, unindo nutrição, equilíbrio e simbolismo espiritual — uma filosofia alimentar que permanece relevante até hoje.
Curiosidades Fascinantes
Modaks gigantes
Durante o Ganesh Chaturthi, especialmente em cidades como Mumbai, tornou-se tradicional a preparação de modaks gigantes, que simbolizam abundância, generosidade e fé coletiva.
Um dos maiores já registrados foi criado em 2025 pelo mandal de Girgaoncha Raja em Mumbai: um modak tradicional de cerca de 851 kg, reconhecido pelo World Book of Records India como o maior modak preparado com ingredientes tradicionais durante a festividade.
Modak nos textos ayurvédicos
Nos tratados ayurvédicos, o modak é descrito como um alimento sattvico — ou seja, um alimento que:
— aumenta a clareza mental
— reduz a agitação
— promove sensação de calma e bem-estar
— sustenta o corpo de forma equilibrada
Por isso, sempre foi visto como um doce ideal para rituais, oferendas e momentos de introspecção espiritual.
Kangidan: o modak do Japão
No Japão existe um doce tradicional chamado kangidan (歓喜団), cuja origem está ligada a antigas trocas culturais com a Índia. Ao longo do tempo, ele passou a ser associado a Kangiten, uma divindade venerada no budismo japonês e relacionada a Vinayaka, figura conhecida na tradição indiana como Ganesha.
Os kangidans são doces fritos, preparados com uma massa trabalhada e recheada, geralmente, com pasta doce de feijão azuki (anko). A receita costuma incluir mel e especiarias, resultando em um sabor delicado e equilibrado, diferente do modak clássico, mas preservando a ideia de um doce oferecido como símbolo de alegria e prosperidade.
Enquanto o modak indiano mantém uma forte ligação com rituais e oferendas religiosas, o kangidan, no contexto japonês, ultrapassou esse limite. Hoje, ele também é consumido como um doce tradicional em diversas ocasiões culturais e sociais, refletindo a forma como uma herança culinária de origem espiritual se adaptou aos costumes locais.
O modak é mais antigo
O modak possui raízes muito mais profundas que outros clássicos indianos. Ele é anterior a doces populares como: ladoo, jalebi, barfi. Sua origem remonta a práticas védicas e rituais de oferenda, tornando-o um dos doces mais antigos e sagrados do subcontinente.

Turismo Religioso e a Rota do Modak
Durante o Ganesh Chaturthi, o modak deixa de ser apenas um doce ritual e se torna também um elemento central do turismo religioso na Índia. Milhares de devotos e visitantes percorrem templos consagrados dedicados a Ganesha, atraídos não apenas pela devoção, mas pela experiência cultural completa que envolve oferendas, celebrações e partilha comunitária.
Entre os destinos mais visitados estão o Siddhivinayak Temple, em Mumbai, o Dagdusheth Halwai Ganpati, em Pune, e o conjunto sagrado dos Ashtavinayak Temples, espalhados pelo estado de Maharashtra.
Nesses templos, o modak é distribuído como prasada — alimento consagrado após ser oferecido à divindade — carregando um significado espiritual profundo. Para muitos peregrinos, receber o modak simboliza bênção, gratidão e renovação interior, transformando a visita em uma experiência que une fé, tradição culinária e identidade cultural.

Conclusão
O modak é muito mais do que um doce indiano — é um símbolo de devoção, tradição e afeto familiar. Preparado com cuidado em cada detalhe, ele representa prosperidade e alegria, especialmente durante o festival de Ganesh Chaturthi, quando é oferecido ao Senhor Ganesha como seu alimento favorito. Seja na versão clássica de coco e rapadura ou nas variações modernas, o modak continua encantando gerações com seu sabor, sua história e seu significado espiritual. Ao degustá-lo, celebramos não apenas a culinária indiana, mas toda a herança cultural que ele carrega.
Perguntas Frequentes
Qual é o significado do modak na cultura indiana?
O modak é considerado o doce favorito do Senhor Ganesha e simboliza prosperidade, sabedoria e boas-vindas. Por isso ele é essencial nas celebrações de Ganesh Chaturthi.
Quais são os diferentes tipos de modak?
Os mais tradicionais são o Ukadiche Modak (cozido no vapor) e o Fried Modak (frito). Mas hoje existem versões modernas como chocolate modak, dry-fruit modak, kesar modak e até modak vegano.
Modak pode ser feito sem vapor?
Sim! Além do método tradicional no vapor, é possível preparar modak assado ou frito. Também existem receitas rápidas sem cozimento, usando leite condensado ou misturas prontas.
Por que se fazem exatamente 21 modaks para Ganesha?
A tradição diz que Ganesha aprecia muito o número 21, associado às 21 energias espirituais (tattvas). Por isso, devotos costumam oferecer 21 modaks durante o ritual do prasad.
Modak é sempre doce?
Apesar de o modak doce ser o mais difundido, algumas regiões indianas também preparam versões salgadas com lentilhas e especiarias.
Qual é o melhor tipo de farinha para fazer modak perfeito?
A receita tradicional usa farinha de arroz bem fina para obter uma massa elástica e macia. Porém, algumas pessoas usam uma mistura de farinha de arroz com um pouco de farinha de trigo para facilitar a modelagem.
